Miniatura

Acadêmico
Noraldino Lima
Número de Cadeira
34 Patrono: Tomás Antônio Gonzaga
Data de Posse
02 de agosto de 1919
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O poeta, ensaísta e político Noraldino Lima, nasceu em São Sebastião do Paraíso, província de Minas Gerais, em 18 de janeiro de 1885, filho do comerciante e funcionário estadual Francisco Martiniano de Sousa e de América Brasiliana do Souto e Sousa. Sua família não possuía recursos financeiros fartos e Noraldino começou a trabalhar cedo para ajudar a família. Casou-se com Djanira Vieira Lima.
Assim, só aos dez anos foi para a escola e aprendeu as primeiras letras, em uma casa grande próxima à cidade. Noraldino Lima iniciou o curso secundário no Colégio Espírito Santo, em Monte Santo, mas transferiu-se, em 1905, para Juiz de Fora, com cerca de vinte anos de idade, e atuou como Inspetor no Instituto Granbery, a fim de custear os estudos de Farmácia. Durante o secundário, nos intervalos de suas aulas, escreveu seus primeiros poemas.
Detentor de uma oratória invejável, foi contratado como professor pelo Instituto e essa habilidade destacou-se noutras circunstâncias quando, em 15 de dezembro de 1908, foi escolhido orador oficial da turma. Mais que isso, obteve todos os prêmios e venceu todos os concursos instituídos pelo estabelecimento. Ganhou a Medalha de Ouro Cabral e a de Prata ao Mérito, pelo desenho.
Em 1910, já diplomado em Farmácia, mudou-se para Belo Horizonte. No entanto, Noraldino Lima havia começado a escrever poesia ainda no início do curso secundário. Uma primeira leva de poemas foi publicada em 1906, no livro Albôres Meridionais; uma segunda, em Meridianas, de 1908, quando estava morando em Juiz de Fora. Foi nesse momento que ele entrou para a Academia Mineira de Letras, então sediada em Juiz de Fora, depois transferida para Belo Horizonte, assim como Lima.
Na capital mineira, nos primeiros anos de vida, enfrentou dificuldades financeiras, porém conseguiu matricular-se na Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais e se formou em 1914. Sua condição de figura pública começou a ganhar contornos quando recebeu elogios do jornalista Teófilo Andrade.
Como professor, Noraldino Lima começou a lecionar em escola de fazenda rural no município sul-mineiro de São Tomás de Aquino, e findou a carreira em Belo Horizonte, onde foi professor do Colégio Isabella Hendrix, do Ginásio Dom Viçoso, do Instituto Fundamental, da Escola de Comércio e da Escola Normal Modelo.
Ingressou no serviço público, trabalhou na Prefeitura de Belo Horizonte, de setembro de 1909 a fevereiro de 1910, no gabinete do Presidente do Estado Venceslau Brás Pereira Gomes, e na Secretaria das Finanças, em que serviu como Secretário Particular e Oficial-de-Gabinete do titular da pasta, Teodomiro Carneiro Santiago, de setembro de 1914 a março de 1918.
Noraldino Lima integrou o Conselho Deliberativo da capital mineira quando se elegeu suplente de Deputado Estadual para a 8ª Legislatura, entre 1919 e 1922; efetivado em maio do último ano, em virtude da renúncia de Francisco Luís da Silva Campos, eleito para o Congresso Federal. Em agosto de 1919, Noraldino Lima foi eleito para Academia Mineira de Letras, como sucessor de Mendes de Oliveira na cadeira nº 34, patrocinada por Tomás Antônio Gonzaga.
Ainda na década de 1920, Noraldino Lima iniciou suas atividades na imprensa, a convite de Raul Soares, então à frente do governo de Minas Gerais, entre 1922 e 1926, quando recebeu o convite para ocupar o cargo de diretor da Imprensa Oficial e de redator-chefe do jornal Minas Gerais. Além disso, trabalhou por 10 anos no jornal Diário de Minas, ligado ao Partido Republicano Mineiro, sendo revisor e diretor.
Em 1927, entre os dias 10 e 18 de maio, foi realizado em Belo Horizonte o primeiro Congresso de Instrução Primaria, dirigido por Francisco Campos e Noraldino Lima. O Congresso visou aprimorar o sistema de ensino e apresentar uma reforma no campo da metodologia.
De 1930 a 1931, foi Diretor da Instrução Pública e Secretário da Educação e Saúde Pública, no governo Olegário Dias Maciel; de 1931 a 1935, foi interventor no governo de Gustavo Capanema e Benedito Valadares Ribeiro; entre 1935 e 1937, foi suplente de Deputado Federal e assumiu o mandato em maio de 1935, em substituição a José Vieira Marques. Neste mesmo período, foi líder da Bancada mineira e membro da Comissão Especial do Estatuto dos Funcionários Públicos Federais.
Em 31 maio de 1932, foi autor de um Decreto, no estado de Minas Gerais, que aprovou modificações nos regulamentos de uma nova concepção pedagógica, os princípios da Escola Nova, constituindo um corpo de inspetores para o ensino normal.
Em 1934, foi criado o Pavilhão Noraldino de Lima, onde funcionou o Laboratório de Pesquisas Clínicas e Investigações Científicas e o Consultório Médico-Pedagógico, com o objetivo de atender crianças com dificuldades de aprendizagem, desajustamentos de conduta e problemas psicomotores.
Em 5 de abril de 1935, Noraldino Lima fundou o Instituto Pestalozzi de Belo Horizonte, como órgão da Secretaria de Educação. Na sede do Município de Prata, na região central do Triângulo Mineiro, teve o seu nome destinado à Escola Estadual Noraldino Lima, situada na Praça XV de Novembro – Praça Cívica.
Instaurado o Estado Novo, passou a ocupar uma Diretoria do Departamento Nacional do Café. Em 1946, foi eleito deputado federal Constituinte. Renunciou ao mandato em fevereiro do mesmo ano, para assumir uma diretoria na Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro.
Em 14 de novembro de 1946, foi empossado no cargo de Interventor Federal no Estado de Minas Gerais, mas deixou o posto em 18 de dezembro, na culminância de uma crise política que se instaurou em fevereiro, quando o recém-empossado Presidente Eurico Gaspar Dutra designou, para primeiro ocupante do cargo, o dirigente do Partido Social Democrático, João Beraldo.
Em março de 1948, foi nomeado Vice-Presidente do órgão e, depois, Diretor da Carteira Imobiliária, função que exercia quando faleceu. Foi, ainda, Presidente da Federação das Academias de Letras do Brasil e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
Pertenceu ao Partido Republicano Mineiro e ao Partido Social Democrático, no qual foi membro da Comissão Executiva Estadual. Noraldino faleceu no Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1951.
Publicou as obras Raul Soares (s/d) ; No vale das maravilhas, de 1925; O elogio dos mortos, de 1926; O momento pedagógico, coletânea de discursos, de 1934; e O café no estado nacional, de 1944.



