Miniatura

Acadêmico
Nansen Araujo
Número de Cadeira
33 Patrono: Edgard Matta
Data de Posse
09 de setembro de 1988
Posição na Cadeira
2° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O médico e escritor Nansen Araújo, nasceu em Rochedo, Minas Gerais, em 22 de abril de 1901. Filho de José Pedro de Araújo, casou-se com Mariza Tavares Araújo, com quem teve cinco filhos, e possuía mais um filho de suas primeiras núpcias.
Nansen foi alfabetizado na Escola Nilo Peçanha, no Rio de Janeiro, depois cursou Humanidades no internato do Colégio Pedro II, no qual formou-se em 1919. Cursou a Escola Federal de Medicina da Praia Vermelha, filiada à Universidade do Brasil. Enquanto estudante, de 1920 a 1923, foi revisor do jornal carioca A Razão, colaborou no antigo suplemento literário do jornal O Globo, no O Jornal, na Revista de Cultura Brasileira e na Ilustração Fluminense, todos editados no Rio de Janeiro.
Entre 1922 e 1924, realizou o curso de Aplicação mantido pelo Instituto Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro e, recebeu o diploma, em 1925, assinado pelo cientista Carlos Chagas. Nansen continuou no Instituto e realizou pesquisas sobre Hematologia, tendo publicado, na ocasião, alguns trabalhos científicos.
Em 1926, tornou-se professor de Português, por concurso, no Ginásio noturno mantido pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, no bairro de Vila Isabel, mas logo se demitiu para clinicar no interior de Minas, nas cidades de Rio Casca e Ponte Nova. Colaborou, também, na Revista Acaiaca, na Folha de Minas, no Estado de Minas, no Diário do Comércio e em outras publicações editadas em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Em 1930, fixou-se em Belo Horizonte, onde fundou e presidiu uma pequena fábrica especializada na manufatura de instrumentos científicos de precisão, hoje uma grande empresa localizada no Centro Industrial de Contagem – Cinco, em Contagem, Minas Gerais, sob o nome de Nansen S.A. – Instrumentos de Precisão.
Em 1932, lecionou Fisiologia Comparada na Escola de Veterinária de Belo Horizonte, incorporada à Universidade Federal de Minas Gerais. Em 1952, aprovado em concurso, assumiu a cátedra de Fisiologia Humana na Faculdade de Farmácia daquela Universidade, onde passou, um tempo depois, em 1971, a lecionar a mesma disciplina no Instituto de Ciências Biológicas e ocupou o cargo de Vice-Diretor do Departamento de Fisiologia.
Em 1969 e 1970, representou a Federação das Indústrias de Minas Gerais – Fiemg em viagens à Alemanha e à Áustria, com objetivo de atrair investimentos estrangeiros para o Brasil, tornando-se presidente da instituição em outubro de 1983. Chefiou também a comissão Mista Brasil-Espanha, reunida em Madrid, a convite da Confederação Nacional da Indústria.
Foi Presidente da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, membro da Academia Mineira de Medicina, ocupante da cadeira n° 49 e do Conselho Superior da Instituição; membro da Sociedade Mineira de Escritores Médicos; integrou o Conselho Curador da Fundação Clóvis Salgado, o Palácio das Artes; o Conselho Curador da Universidade Mineira de Arte – FUMA; foi membro da Fundação Mineira de Educação e Cultura – FUMEC; do Conselho Industrial do Estado e da Fundação Projeto Rondon. Presidiu o Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e o Conselho Consultivo da Fiat Automóveis.
Criou a Fundação José Pedro de Araújo, nome de seu pai, destinada a distribuir um prêmio bianual para o melhor trabalho científico realizado no Brasil sobre três especialidades: Virologia, Genética e Imunologia. A Fundação tem, ainda, a finalidade de preservar a memória de seu patrono, cujo nome foi dado à recompensa, “Prêmio José Pedro de Araújo”.
Foi eleito para a Academia Mineira de Letras, como sucessor de Aires da Mata Machado Filho na cadeira n° 33, patrocinada por Edgar Matta.
Recebeu diversas condecorações, e foi agraciado com a Ordem ao Mérito de Rio Branco, no grau de Comendador, concedida pelo Presidente da República; Ordem ao Mérito Militar, concedida pelo Ministro do Exército; Medalha de Honra da Inconfidência, Grande Medalha da Inconfidência, Medalha Carlos Chagas e Medalha Santos Dummont cunhada em ouro, concedidas pelo governo de Minas Gerais; Ordem ao Mérito Artístico, concedida pelo Collegium Artium, no grau oficial; Ordem ao Mérito Legislativo Municipal; Grande Diploma de Honra ao Mérito; Industrial Destaque, de 1980; Melhor Industrial do ano de 1985.
Em 1985, foi-lhe conferida a Medalha do Mérito Industrial do Brasil, pela Confederação Nacional de Indústrias do Brasil. Recebeu o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte e de Uberaba.
Em concurso realizado pela Associação Médica de Minas Gerais com quatro temas literários, ganhou o 2° lugar em Crônicas e História da Medicina e 2° e 3° lugares em Poesia. Publicou ainda Alguns Aspectos da Fisiologia do Eritrócito; Cinco Palestras Científicas, compilado de conferências; Luz Vacilante, um livro de poesias; Pensamento Errante, crônicas; e Plaquette, discurso que pronunciou ao receber o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte. Nansen Araújo faleceu em 13 de fevereiro de 1996, em Minas Gerais.



