Miniatura

Acadêmico
Waldemar Pequeno
Número de Cadeira
31 Patrono: Lucindo Filho
Data de Posse
01 de novembro de 1973
Posição na Cadeira
2° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O poeta trovador Waldemar Dinis Alves Pequeno, nasceu na cidade fluminense de Piraí, Rio de Janeiro, no dia 23 de outubro de 1892, filho de Pio Alves Pequeno, médico, natural da cidade do Crato, Ceará, e de Maria Isabel Alves Diniz, natural de Barbacena, Minas Gerais.
Estudou as primeiras letras, em sua terra natal, com a professora D. Vicência. Em 1904, mudou-se com sua família para Muriaé, onde cursou o secundário no Colégio Mazini e foi aprovado no exame preliminar. Em seguida, matriculou-se em Barbacena, no Internato do Ginásio Mineiro, no qual, após seis anos, diplomou-se em ciências e letras. Foi em Barbacena que surgiu sua vocação literária.
Depois transferiu-se para Belo Horizonte, matriculou-se na Faculdade Livre de Direito de Belo Horizonte e colou grau em 25 de dezembro, em solenidade presidida pelo professor Affonso Penna Júnior, em 1916. Durante o curso ginasial colaborou no Diário de Notícias do Rio de Janeiro, sob o pseudônimo de Sílvio Cruz.
Em março de 1917, pouco tempo depois de formado, foi nomeado e tomou posse como Delegado de polícia da comarca de Aimorés, Minas Gerais. Em Aimorés, casou-se com Judith da Rocha Lobo, última das filhas do comerciante Antônio da Rocha Lobo e de D. Maria Antonina Lobo.
Em dezembro de 1918, foi nomeado Juiz Municipal de Queluz de Minas, hoje Conselheiro Lafaiete. A convite de seu irmão mais velho, que exercia a clínica médica em Goiânia de Bonfim, hoje Silvânia, exonerou-se do cargo e transferiu-se para a velha capital de Goiás, em dezembro de 1919, onde foi nomeado Delegado regional de polícia e ocupou interinamente, por pouco tempo, a Chefia de Polícia do Estado.
Findo o mandato do Desembargador-Presidente Alves de Castro, exonerou-se também e abriu escritório de advocacia em Santa Luzia do Planalto, hoje Luziânia. Em setembro de 1922, regressou para Minas Gerais, em Aimorés, passou a exercer a advocacia e ingressou na política. Lá chefiou um partido político organizado em oposição à situação dominante e foi eleito vereador geral e Agente Executivo do Município, em março de 1927.
Declarada a luta política entre Antônio Carlos, presidente do Estado, e Washington Luíz, presidente da República, foi chamado, em caráter sigiloso, a Belo Horizonte pelo Presidente Antônio Carlos e por Artur Bernardes, presidente do Partido Republicano Mineiro, e informado do irromper de uma possível revolução contra o presidente da república.
Em acordo com o os rumores, Waldemar Pequeno chefiou o movimento armado revolucionário no setor do Rio Doce, entre a Estação de Engenheiro Guimane Aimorés, cidade fronteiriça com Guandu, vila do Espírito Santo, tendo mobilizado, ao eclodir a revolução, quase dois mil voluntários, que entraram em sucessivos combates com a Força Militar do Espírito Santo, impedindo a invasão da cidade de Aimorés, como lhe foi recomendado, até dezembro de 1930, quando recebeu o auxílio de outra Força Militar.
Com a posse de Getúlio Vargas na presidência da República, o Presidente Olegário Maciel, que assumiu a presidência de Minas - com a extinção do mandato de Antônio Carlos -, dissolveu as Câmaras Municipais, criou as prefeituras e nomeou Waldemar Pequeno prefeito de Aimorés, em dezembro de 1930.
Em 1931, três meses decorridos, recebeu telegrama assinado por Francisco Campos, Ministro da Justiça, Gustavo Capanema, Secretário do Interior, e Amaro Lanari, Secretário da Fazenda, que o convidou, em nome do Presidente Olegário, a romper com o Partido Republicano Mineiro e com seu Presidente Artur Bernardes. Preferiu ele, em longo telegrama divulgado pela imprensa de todo o país, permanecer fiel ao seu Partido e ao seu presidente.
Afastou-se do cargo, tornou-se membro da Comissão Executiva do PRM e foi preso. Em 1932, apoiou a Revolução Constitucionalista, foi para Belo Horizonte e para o Rio de Janeiro. Posto em liberdade, reabriu seu escritório de advocacia e retomou as atividades profissionais em Aimorés.
Pouco tempo depois, Waldemar Pequeno foi nomeado delegado de polícia especializada e exerceu, em comissão, a Superintendência do Serviço Estadual de Trânsito, função que em que atuou durante sete anos, em dois períodos, na década de 1940. De 1937 a 1957, depois de aposentado, dirigiu, em Belo Horizonte, várias delegacias especializadas de polícia.
Em 1947, Waldemar Pequeno foi acometido por deslocamento de retina, perdeu a visão de um dos olhos e foi dispensado da comissão por Milton Campos, presidente do Estado. A partir dessa situação, dedicou-se à literatura, para a qual já havia revelado seus pendores quando colaborou em Renascença, semanário de Muriaé, editado por seu amigo José Eutrópio, e ainda quando escrevia para A Batalha, em Belo Horizonte, e para o Jornal do Commercio.
Em 1950, em concurso mensal organizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, classificou-se me primeiro lugar com o conto Um caso de consciência; no mês seguinte, ganhou o segundo lugar com o conto Pescadores.
Em 1953, publicou seu primeiro livro de poesia: Poemas das vozes distantes, no ano seguinte, publicou Ouro do Cuieté e outras histórias, ambos pela Edições Mantiqueira, sendo contemplado com o Prêmio Afonso Arinos e o Prêmio Othon Linch da Academia Mineira de Letras.
Em 1955, publicou Campanha educativa de trânsito, uma série de pequenos contos sobre regras e problemas de trânsito, livro bem recebido pela sua finalidade social e teor filosófico; no ano seguinte deu a lume cinquenta livrinhos de trovas, com cem trovas cada.
Em 1966, publicou Um advogado aí pelos sertões, um livro de memórias, pela Imprensa Oficial; em 1971, Raízes mineiras e cearenses, uma genealogia de famílias mineiras e cearenses entrelaçadas pelo casamento; em 1973, publicou A Nuvem e o Pássaro, um livro de poesia que ganhou o Prêmio da Prefeitura de Belo Horizonte.
Ainda em 1973, foi eleito membro da Academia Mineira de Letras para suceder a Manuel Casasanta na cadeira nº 31, patrocinada por Luciano Pereira dos Passos Filho. Foi, ainda, sócio fundador da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e membro do Instituto Histórico Geográfico de Minas Gerais.
Em 1975, publicou também Poemas de quatro linhas; Trovas para quem gosta; O vaso e o oleiro; Peregrina estrela, todos de trovas; Em 1978, editou Deus, o universo e o homem, uma miscelânea de artigos, discursos e poemas; e em 1984, Contos e outras composições. Foi agraciado com as Medalhas de Bronze do Instituto Histórico e Geográfico de Minas e da Academia Mineira de Letras, como também a Medalha de Ouro do Instituto Histórico de Minas; o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte e o de Cidadão Honorário do Estado.
Quase aos 93 anos de idade, foi afastado das atividades físicas e intelectuais, pois iniciou preparativos para colocar marca-passo em consequência da fraqueza cardíaca e da possibilidade de cegueira total, por grave rompimento da retina. Waldemar Pequeno faleceu em Belo Horizonte, em 1988.



