Miniatura

Acadêmico
Affonso Arinos Filho
Número de Cadeira
29 Patrono: Aureliano Pimentel
Data de Posse
28 de julho de 2011
Posição na Cadeira
5º Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O jurista, professor, memorialista, historiador e político, Affonso Arinos de Mello Franco Filho, conhecido como Affonso Arinos Filho, nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 11 de novembro de 1930, filho de Affonso Arinos de Mello Franco, escritor, político e diplomata, e Ana Guilhermina Rodrigues.
Descendente de uma família importante no cenário político, Affonso Arinos Filho foi o último representante de uma rara dinastia; aquela que se devotou à vida política e também à cultura. Seu tio-avô escritor, Afonso Arinos de Melo Franco, homônimo de seu pai, foi membro da Academia Brasileira de Letras. Por sua vez, seu pai foi deputado federal por Minas Gerais, senador pelo Distrito Federal, ministro das Relações Exteriores e membro da Academia Brasileira de Letras.
Affonso Arinos Filho iniciou seus estudos na capital mineira e, em 1949 ingressou no curso de Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade Nacional da Universidade do Brasil, atual UFRJ, onde se bacharelou em 1953. Quando estudante universitário, realizou o curso de preparação à Carreira de Diplomata no Instituto Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores, entre 1951 e 1952.
De 1954 a 1955, realizou o curso de Doutorado, Seção de Direito Público, na Faculdade Nacional de Direito, como também o curso do Instituto Superior de Estudos Brasileiros, no Ministério da Educação e Cultura, e o curso de Especialização em Política e Direito Internacional na Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Internacional de Estudos Sociais Pro Deo, em Roma, em 1958.
Em 1952, Affonso Arinos Filho já havia iniciado a sua carreira de diplomata, na comissão de Organismos Internacionais da divisão de Atos, Congressos e Conferências Internacionais do Ministério das Relações Exteriores. Entre 1956 e 1959 foi segundo-secretário na Embaixada do Brasil em Roma.
Em 1960, foi eleito deputado estadual constituinte no Rio de Janeiro, pela União Democrática Nacional – UDN. Em seu primeiro mandato como deputado estadual, até 1963, foi presidente da Comissão de Educação da Assembleia. Após o golpe militar de 1964, e com a implantação do bipartidarismo em 1966, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro –MDB, de oposição ao regime autoritário.
Entre 1963 e 1964, foi o primeiro-secretário na embaixada do Brasil em Bruxelas. Entre 1964 e 1965, foi professor de Civilização Contemporânea no Departamento de Jornalismo do Instituto Central de Letras da Universidade de Brasília; concomitantemente exerceu o mandato de deputado federal pelo Rio de Janeiro, de 1964 a 1966, e foi, nos anos de 1965 e 1966, membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.
Em 1969 foi promovido a conselheiro e no período seguinte serviu na embaixada do Brasil em Washington. Promovido a ministro de segunda classe em 1971, exerceu até 1973 a função de ministro-conselheiro no mesmo posto. No ano seguinte, foi designado cônsul no Porto, em Portugal. Em junho de 1979 foi promovido a ministro de primeira classe e, em novembro, designado pelo presidente João Figueiredo embaixador do Brasil na Bolívia, posto que ocupou até 1982.
Depois, Affonso Arinos Filho foi transferido para a embaixada na Venezuela, ali permanecendo até 1985. Entre 1986 e 1990, foi embaixador junto à Santa Sé, no Vaticano, e à Ordem Soberana e Militar de Malta, e entre 1991 e 1994 foi embaixador na Holanda. De volta ao Brasil, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro – PSB, e em outubro de 1994 candidatou-se a deputado federal pelo Rio de Janeiro, mas não conseguiu se eleger.
As suspeitas de fraude devido ao número excessivo de votos em branco levaram o Tribunal Regional Eleitoral – TER do estado a anular a eleição e marcar novo pleito para novembro. Desistiu, porém, de concorrer, e desvinculou-se do PSB. A partir de março de 1995, tornou-se comentarista de política internacional na TV Manchete, onde trabalhou até 1999.
Em 22 de junho de 2002, Affonso Arinos filho foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, sucedendo Antônio Houaiss. Tomou posse no dia 26 de novembro do mesmo ano, e foi recebido pelo acadêmico José Sarney. Foi eleito também na Academia Mineira de Letras, em sucessão a Murilo Paulino Badaró, na cadeira nº 29 patrocinada por Aureliano Pimentel.
Casou-se com Beatriz Fontenele de Melo Franco, com quem teve seis filhos. Affonso Arinos Filho faleceu no dia 15 de março de 2020, aos 89 anos, no Rio de Janeiro.
Recebeu inúmeras condecorações e títulos honoríficos, como Grande Oficial da Ordem do Rio Branco; Grã-cruz da Ordem do Condor do Andes, do Rio Branco, de Pio IX, de Orange-Nassau e do Mérito da Malta; Cidadão do Estado do Rio de Janeiro, entre outras. Além de conferências, artigos e discursos em diversos periódicos, publicou Primo canto — memórias da mocidade, de 1976, Três faces da liberdade, de 1988, Atrás do espelho — cartas de meus pais, de 1994, Perfis em alto relevo, de 2002, Diplomacia independente (um legado de Afonso Arinos), de 2002 e Mirante, de 2006.



