Miniatura

Acadêmico
Milton Campos
Número de Cadeira
29 Patrono: Aureliano Pimentel
Data de Posse
02 de outubro de 1969
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O advogado, acadêmico, professor, escritor e político Milton Soares Campos, nasceu em Ponte Nova, Minas Gerais, em 16 de agosto de 1900. Filho do Desembargador Francisco de Castro Rodrigues Campos, ex-Presidente do Tribunal de Apelação de Minas Gerais, e de Regina Martins Soares Campos. Casou-se com Dea Dantas Campos.
Iniciou os estudos primários em sua terra natal, o secundário no Ginásio Leopoldinense e completou o curso secundário no Ginásio Mineiro e no Colégio Arnaldo. Em seguida, iniciou o curso de Direito na Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais, hoje UFMG, onde bacharelou-se em dezembro de 1922.
Ainda estudante, apoiou os candidatos oposicionistas da Reação Republicana aos governos estaduais e a República. Para custear os estudos universitários, trabalhou na Estrada de Ferro Oeste de Minas. Ao formar-se, foi nomeado Promotor de Justiça da Comarca de Mococa, São Paulo, mas recusou a investidura.
Milton Campos iniciou sua vida advocatícia em Dores da Boa Esperança, hoje cidade de Boa Esperança, Minas Gerais. Em 1924, transferiu-se para Belo Horizonte, onde começou a trabalhar no escritório de Abílio Machado, no qual atuava Pedro Aleixo, de quem fora colega de turma. Foi ali, também, que José Maria Alkmin iniciou a carreira, alguns anos mais tarde.
Antes, no início dos anos 1920, participou, como escritor, da novela coletiva O capote do guarda, ao lado de escritores como Carlos Góes e Aníbal Machado. A partir de 1925, passou a dedicar-se profissionalmente também ao jornalismo, assumiu a direção dos Diários Associados, fundou e colaborou com o jornal Estado de Minas e no Diário de Minas.
Entre 1932 e 1933, Milton Campos iniciou sua vida pública como Advogado-Geral do Estado; em 1934, sob o intermédio de Benedito Valadares Ribeiro, foi nomeado presidente do Conselho Consultivo do Estado, órgão de assessoria do Executivo mineiro. Ficou pouco tempo no cargo, elegeu-se deputado à Constituinte de Minas Gerais pelo Partido Progressista – PP.
Nessa época, ao mesmo tempo atendeu ao escritório de advocacia e exerceu as funções de legislador, ingressou, também, no magistério, especializou-se em Direito Público, Direito Civil e Direito Constitucional. Dissolvidos os órgãos legislativos pelo golpe do Estado Novo, em 1937, Milton Campos voltou a advogar em regime integral para a Caixa Econômica Federal.
Em janeiro de 1944, foi exonerado do cargo de advogado por ser um dos signatários do Manifesto dos Mineiros, primeira manifestação pública de oposição à ditadura getulista. Ao longo de toda sua vida pública, foi adepto dos princípios da democracia liberal. Milton Campos participou clandestinamente do jornal Liberdade, onde defendeu seus ideais políticos.
Liderou, ainda, a organização da Sessão da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas, à qual presidiu por dois anos, de 1943 a 1945. Novamente, em 1945, foi alçado ao cargo de advogado-Geral do Estado, que exerceu até janeiro de 1946 e para o qual o convocou o Interventor Nísio Batista de Oliveira.
Eleito deputado à Assembléia Nacional Constituinte, pela União Democrática Nacional – UDN, da qual participou da fundação. Dois anos depois, elegeu-se governador de Minas. Em janeiro de 1948, sancionou a Lei nº 146, que reorganizou o serviço público, criou o Departamento de Administração, encarregado de racionalizar e modernizar a burocracia estadual.
Milton Campos tinha muita sensibilidade para as peculiaridades do processo de formação e evolução da sociedade e da economia de Minas. A educação, a agricultura, a energia elétrica foram algumas áreas em que mais atuou, levou adiante o movimento pela criação da Universidade de Minas Gerais, vinculada ao Governo Federal, democratizou o ensino médio em Minas.
Em 1953, foi eleito para a Academia Mineira de Letras, como sucessor de Lindolfo Gomes, na cadeira nº 29, patrocinada por Aureliano Pimentel. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e do Instituto do Direito Civil Comparado, de Paris. Foi também professor de Política na Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais e co-fundador da Faculdade de Direito da Universidade Católica, na qual regeu a cadeira de Direito Constitucional.
Quatro anos depois, encerrou o mandato executivo e retomou à Câmara Federal na 3ª legislatura de 1955 a 1959. Ali participou das Comissões de Justiça, de Finanças, de Relações Exteriores e de Educação e Cultura; foi Presidente nacional da União Democrática Nacional de 1955 a 1957. Candidatou-se à vice-Presidência com Juarez Távora, em 1955, e com Jânio Quadros, em 1960.
Em 1958, elegeu-se senador por Minas Gerais e participou ativamente das articulações que levaram do golpe militar de 1964 que depôs João Goulart da presidência. Foi nomeado, pelo Presidente Marechal Castelo Branco, Ministro da Justiça e Negócios Interiores, cargo que pediu exoneração em 1965, por não concordar com a edição do Ato Institucional nº 2.
Entre 1967 e 1975, foi reeleito Senador para a 6ª e 7ª legislaturas, foi, ainda, provedor e vice-provedor da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Antes de seu último mandato, Milton Soares Campos faleceu, aos 71 anos, em 16 de janeiro de 1972, em Belo Horizonte.
Publicou Compromisso Democrático, em 1951, Eleições Diretas. Alguns meses após sua morte, foi publicada a coletânea Testemunhos e ensinamentos, organizada por Antônio Gontijo de Carvalho, onde estão os demais escritos produzidos entre 1922 e 1971. Entre esses, destacam-se dois ensaios sobre Minas Gerais: A constante liberal de Minas Gerais, de 1927, e Evolução da Civilização Mineira, de 1956.



