Miniatura

Acadêmico
Lindolpho Gomes
Número de Cadeira
29 Patrono: Aureliano Pimentel
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Lindolpho Eduardo Gomes nasceu em 12 de março de 1875, em Guaratinguetá, São Paulo. Neto do Barão de Mambucaba e filho do médico Antônio Francisco Gomes e de Paulina Sophia Bacellar Gomes. Após a morte de sua mãe, quando ele tinha dois anos de idade, seu pai transferiu-se para Juiz de Fora.
Em 1881, aos seis anos, foi morar com familiares em Resende, Rio de Janeiro, onde estudou e passou toda sua juventude. Foi discípulo da professora Antônia Pereira de Carvalho Cabral, irmã do ilustre pedagogo Felisberto de Carvalho. Aluno aplicado, tornou-se monitor dirigente das classes atrasadas e terminou seus estudos com distinção.
Lindolpho Gomes tinha como amigo de infância e colega de escola o poeta Luiz Pistarini. Aos quatorze anos, em 1889, estreou no jornalismo como redator do pequeno quinzenário Astro de Rezende e, pouco antes da Proclamação da República, contribuiu com pequenos semanários das cidades vizinhas. Escreveu, nas horas de lazer, comédias que foram representadas no Grêmio Dramático Infantil e muito apreciadas pelos jornais da cidade de Resende.
Deu continuidade aos estudos preparatórios na cidade do Rio de Janeiro, onde residiu durante um tempo. Em 1893, mudou-se para Barra Mansa, onde trabalhou em jornais locais, em prol do governo de Floriano Peixoto. Em 1894, por concurso, foi nomeado funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil e, em 1895, mudou-se para Juiz de Fora, onde residia seu pai.
Como suas ideias republicanas estavam em pleno acordo com as convicções políticas de Estevam de Oliveira, este o convidou a assumir a secretaria do jornal Correio de Minas, no qual passou grande parte da sua vida profissional. Redigiu também para os jornais O Pharol, tanto na fase em que este era de propriedade de Cesário Alvim, quanto na gestão de Christóvão Malta.
Contribuiu, por igual, para o Jornal do Commercio, Diário do Povo, Diário Mercantil, além da revista Marília, entre outros. Fundou e redigiu, em Palmira – hoje Santos Dumont – o semanário A Palavra. Em Cataguazes, tornou-se redator dos jornais O Arauto e o Jornal de Minas. Foi redator e proprietário do jornal Lar Catholico, em Juiz de Fora, e um dos redatores do jornal de São João Del-Rei A Opinião.
Lindolpho atuou como inspetor escolar municipal de Cataguases, nomeado no dia 20 de outubro de 1902, por Delfim Moreira. Em 1907, foi nomeado inspetor Técnico de Ensino. Organizou e dirigiu grupos escolares em diversas localidades do Estado, tornando-se, a partir de 1910, diretor do grupo escolar de São João Del-Rei.
Foi Membro do Conselho Estadual de Educação e Assistente Técnico do Ensino de Minas Gerais, por nomeação do Presidente Antônio Carlos. Atuou como professor da Escola Normal Oficial da cidade de Juiz de Fora e na Academia de Comércio. Quando se aposentou nessas instituições, tornou-se Inspetor Federal de Ensino no Rio de Janeiro.
Exerceu o cargo de advogado criminal em diversas comarcas do Estado e foi promotor de justiça interno na cidade de Palmira. Trabalhou também no fisco federal e no serviço de recenseamento em Juiz de Fora, não podendo concluir tal trabalho por ter sido nomeado Inspetor Técnico de Ensino em 1907.
Lindolpho foi poeta, jornalista, contista, ensaísta, folclorista, professor e teatrólogo, como também autor da letra do hino de Juiz de Fora e ganhador de vários concursos literários, entre os quais um realizado pelo jornal O Pharol, concorrendo com dois contos e ganhando o primeiro e o segundo lugares.
Em 1917, quando ganhou o concurso promovido pelo jornal Diário Mercantil, foi eleito o maior prosador de Minas Gerais. Lindolpho deixou uma considerável obra literária, dividida em poemas – Alma em flor, de 1896; Romance, de 1897; Motívos (1936), Luto lusitano (1936), Filha morta (1936) e 45 sonetos (1936) – e prosa – Iriantes (1933); Vida galante (1896), Mortalha (1903), Maria da Graça, Sinhá Miguta. Publicou também Folclore e Tradições do Brasil, em 1915; Contos populares brasileiros, em 1918; e Nihil novi, em 1927.
Além da sua produção poética e em prosa, escreveu peças de teatro, Pedras no telhado; Às escuras; Quo Vadis; Marido conquistado; Precisa-se de uma mulher; Cá em casa; O secretário; O fantasma do morro; Uma pela outra; Anjo da paz; Era uma vez um pastorzinho; O pessoal da moda e Modos e moda.
Lindolpho desenvolveu estudos filológicos, de língua portuguesa e de história: Estudos de Português, O problema crisfal, Tiradentes e a história, A autoria das Cartas Chilenas, Estudos literários, filológicos e históricos, Lições de língua pátria, Esboço histórico da instrução em Minas Gerais entre outros. Como se pode perceber, a curiosidade desse intelectual não tinha limites, estendendo-se desde vários estudos sobre a origem do nome de Juiz de Fora, juntamente com Albino Esteves, até estudos da tradição folclórica: Contos populares (1918) e Nihil Novi... (1927).
Pertenceu à Academia Brasileira de Filologia, Academia Mineira de Letras, Academia Carioca de Letras e Sociedade dos Homens de Letras do Brasil. Lindolpho faleceu, no Rio de Janeiro, em 15 de março de 1953.



