Miniatura

Acadêmico
Guilhermino César
Número de Cadeira
28 Patrono: Américo Lobo
Data de Posse
24 de abril de 1941
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Historiador, crítico literário, professor - mas é como poeta que preferia ser lembrado - Guilhermino César da Silva nasceu em São Manuel, hoje Eugenópolis, Minas Gerais, em 15 de maio de 1908, filho de José César da Silva, farmacêutico e escrivão do Registro Civil que se interessava pela poesia e publicava um jornal, e de Isaura da Fonseca, filha de fazendeiros.
Em 1910, mudou-se com a família para Tebas, distrito de Leopoldina, Minas Gerais, onde cursou o primário com uma professora particular, Zizinha Negreiros. Aos oito anos de idade escreveu seus primeiros versos. Dez anos depois, transferiu-se para Cataguases, onde iniciou o curso ginasial no Grupo Escolar Astolfo Dutra e, em seguida, em 1923, matriculou-se no Ginásio Municipal de Cataguases.
No Ginásio Municipal, frequentou o Grêmio Literário Machado de Assis, do qual foi diretor, e ali conheceu Enrique de Resende, Ascânio Lopes, Christóphoro Fonte-Boa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camilo Soares, Francisco Peixoto, Humberto Mauro e Rosário Fusco.
Permaneceu pouco tempo em Cataguases. Em 1926, já fixado em Belo Horizonte, começou a estudar medicina, ao mesmo tempo que fazia curso de música no Conservatório Mineiro. No ano seguinte, aos 19 anos, junto com o grupo de amigos do Grêmio, fundou, em 1927, a Revista Verde, considerada uma das maiores expressões modernistas do Estado.
Redator da Verde entre outros periódicos, publicou seus primeiros ensaios de crítica literária, poemas e contos pela revista. Na capital mineira, empregou-se em folhetins e, em 1928, trocou o curso de Medicina pelo de curso de Direito, na Faculdade Livre de Direito da Universidade Minas Gerais.
Ainda em 1928, publicou seu primeiro livro, Meia pataca, com a ajuda de Francisco Peixoto e Rosário Fusco. Em 1929, foi admitido no jornal Estado de Minas e fundou, com Achilles Vivacqua e João Dornas Filho, o tabloide Leite Criôlo para divulgar as ideias e os princípios modernistas, em coluna logo incorporada, em página especial, ao jornal Estado de Minas. Bacharelou-se em 1932 e foi orador da turma, proferindo discurso em que criticou o ensino universitário.
Logo depois de formado, iniciou carreira no magistério, em Belo Horizonte, como professor de Português e de História no Ginásio Afonso Arinos, no Instituto Padre Machado e no Colégio Marconi. Foi, ainda, professor de Economia Política na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais. Em 1933, casou-se com Wanda Belli de Sardes, com quem teve dois filhos, Guilhermino Augusto e João José.
Em 1935, trabalhou como oficial de Gabinete da Secretaria do Interior de Minas Gerais e foi também chefe de Gabinete da Chefia de Polícia de Belo Horizonte. Ainda nessa época manteve, paralelamente, ativa participação na vida jornalística, literária e universitária, fundou o jornal Mercúrio e colaborou com o Estado de Minas, A Tribuna, Folha de Minas, Minas Gerais, Revista Mensagem, O Diário e no Diário da Tarde.
Em 1939, foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, mais tarde incorporada à Universidade Federal de Minas Gerais. Ali regeu as cátedras de Literatura Brasileira e de História Moderna. No mesmo ano, publicou seu segundo livro, Sul, romance que Guilhermino evitava incluir em sua biografia.
Em 1941, Guilhermino César assumiu o cargo de diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Minas Gerais, onde permaneceu até 1943. Ainda em 1941, foi eleito à Academia Mineira de Letras, em sucessão ao fundador José Rangel, para a cadeira nº 28, patrocinada por Américo Lobo Leite Pereira.
Em 1943, a convite do general Ernesto Dornelles, de quem foi secretário particular na Chefia de Polícia de Minas Gerais durante o governo de Benedito Valadares Ribeiro, mudou-se para o Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, para assumir a chefia do gabinete do Interventor Federal no Estado.
Em 1945, ocupou o cargo de Ministro do Tribunal de Contas do Estado, Secretário dos Negócios da Fazenda. Em 1950, tornou-se presidente, por vários mandatos, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, função na qual permaneceu até 1958. De 1953 a 1956, foi catedrático de Literatura Brasileira e História do Brasil na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Rio Grande do Sul, e de Estética, na Pontifícia Universidade Católica.
Guilhermino César foi, também, um assíduo colaborador dos jornais de Porto Alegre Diário de Notícias, Correio do Povo e Zero Hora. Por uma década atuou como cronista e crítico literário respeitado, e membro da Academia Riograndense de Letras, além de Sócio correspondente do Instituto Histórico da República Oriental do Paraguai.
Em 1962, foi convidado para reger a cadeira de Literatura Brasileira, recentemente criada, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal. No exercício dessa cátedra, permaneceu, com breve interrupção, até 1970. Em 1964, recebeu o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Coimbra, pela maneira como desempenhou tão alta função acadêmica.
Retornando a Porto Alegre, reassumiu a cadeira de Literatura Brasileira na UFRGS e aposentou-se em 1978, mas continuou a escrever ensaios e publicar crônicas no Correio do Povo. Em 1977, foi empossado como vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico, cargo que ocupou até 1986. Também compôs o Conselho Fiscal e a Comissão Editorial da Revista do IHGRGS por diversos anos.
Em 1989, foi nomeado sócio benemérito do Instituto Histórico Geográfico do Rio Grande do Sul e, em 1990, patrono da Feira do Livro de Porto Alegre. Também foi membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Instituto Histórico do Uruguai.
Recebeu muitas outras homenagens em vida e postumamente, destacando-se os títulos de Professor Emérito da UFRGS e Cidadão Honorário de Porto Alegre; a Palma Acadêmica da Academia Francesa; a Legião de Honra no grau de oficial; a Medalha do Pacificador; a Medalha da Inconfidência; e a Medalha Simões Lopes Neto.
Guilhermino César faleceu aos 85 anos de idade, em Porto Alegre, onde residia, em 7 de dezembro de 1993. Em 1995, uma praça de Porto Alegre foi batizada com seu nome e em 1999, a UFRGS criou no Instituto de Letras o Núcleo de Literatura Brasileira Guilhermino César, enquanto a Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre instituiu o Prêmio Guilhermino César para homenagear personalidades nascidas fora do Rio Grande do Sul que deram destacada contribuição para a cultura da cidade.
Além de várias traduções e colaborações em obras coletivas, publicou ainda Transformações sociais e econômicas do presente, Porto Alegre, Imprensa Oficial do Estado, 1944; O criador do romance gaúcho, Ed. Faculdade de Filosofia da UFRGS, de 1954; História da literatura do Rio Grande do sul, e História da literatura do Rio Grande do Sul, 1731-1902, ambas pela editora Globo, em 1956; Ladrão de Cavalo, poesias, em 1964; Lira Coimbrã e Portulano de Lisboa, livro de poesia, Coimbra, Liv. Almedina, de 1965; Dona Fernanda, a gaúcha do "Quincas Borba", Coimbra, ed. O Instituto, 1965; O romance brasileiro contemporâneo, Toulouse, Caravelle, 1965; O brasileiro na ficção portuguesa, Lisboa, Parceria A.M. Pereira, de 1969; Os primeiros cronistas do Rio Grande do Sul (1605-1801). Porto Alegre, Faculdade de Filosofia da UFRGS, de 1969; Arte de Matar, poesias, de 1969; Sistema do Imperfeito e Outros Poemas, de 1977; Historiadores e críticos do Romantismo, de 1978; O Conde de Piratini e a estância da música, biografia, de 1978; Teatro completo de Qorpo-Santo, de 1980; Banhados, poemas de 1986; e encerra com Cantos do Canto Chorado, de 1990.



