Miniatura

Acadêmico
José Rangel
Número de Cadeira
28 Patrono: Américo Lobo
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
José Rangel nasceu em 17 de agosto de 1868, em Pitangui, Minas Gerais. Residiu em uma chácara na cidade, onde passou sua infância. Filho do dentista Antônio da Costa Rangel e Balbina Cândida Rangel, foi o primogênito de seis filhos.
Rangel migrou com sua família para Juiz de Fora, apesar de seu pai ser dentista e da participação ativa da mãe na economia doméstica, com sua avó, proprietária de um casarão na única rua pavimentada de Pitangui, além de manter um sítio fora da cidade com gado de leite e pequena lavoura.
Estabelecidos na cidade, Rangel foi matriculado no Colégio Progresso, onde permaneceu até concluir o curso elementar. Posteriormente ingressou no Atheneu Mineiro, como aluno externo, onde fez os estudos preparatórios para realização das provas de admissão necessárias às escolas superiores do Império. Esses exames eram feitos perante as comissões de Instrução Pública das Províncias, ou diretamente no Colégio Pedro II.
Enquanto cursava o segundo ano no Atheneu Mineiro, em 1880, Rangel perdeu o pai, fato que deixou a família em situação financeira precária. O diretor do Atheneu Mineiro foi um dos amigos que prestou assistência à família de José Rangel, o isentou da mensalidade e deu-lhe conselhos sobre a vida naquele momento.
A atitude do diretor causou-lhe tamanha comoção que, a partir daquele dia, em reconhecimento pelo gesto de bondade e nobreza, dedicou-se tanto aos estudos que se tornou um dos melhores alunos da classe. Terminou o curso elementar em menos de dois anos e com ajuda de amigos, conseguiu realizar os exames preparatórios para o curso de humanidades em Ouro Preto, onde, posteriormente, ingressou na Escola de Farmácia, cujo curso, que durava três anos, terminou em apenas dois.
Mudou-se para a capital do Estado, sem recursos, trabalhou como colaborador da diretoria de obras públicas e, nas horas vagas, deu aulas particulares. Nesse período, fez sua primeira participação como escritor no jornal Gazeta de Pitangui, com o conto Um estóina. Segundo Rangel, tal conto foi escrito sob a influência das leituras de Turgueneff e Maupassant, que despertaram nele o anseio de ser um futuro “publicista e homem de letras”, sonho realizado mais tarde com ajuda de Arthur Joviano, que aceitou suas colaborações para o jornal Cidade de Barbacena.
Retornou a Juiz de Fora, montou uma farmácia onde exerceu a função de farmacêutico por sete anos. No entanto, mesmo como farmacêutico, desdobrou-se em outras atividades laboriosas, foi redator do Jornal do Comércio e colaborou em O Pharol e outros jornais juiz-foranos; ocupou a cadeira de geografia na Escola Normal entre 1902 e 1906; foi diretor dos Grupos Escolares da cidade, em 1907; ocupou a cadeira de geografia e foi professor de português na Academia de Comércio; atuou como professor de História Natural Médica, Química e Farmacologia durante 20 anos na Escola de Farmácia e Odontologia do Instituto Granbery.
Em 1908, foi nomeado inspetor extraordinário de ensino e encarregado de organizar, na Exposição Nacional, o certame sobre representação pedagógica. Atuou também como Delegado de Ensino e representou o Governo do Estado em dois Congressos de Instrução na cidade do Rio de Janeiro. Apesar de formado em Farmácia, Rangel ocupou também o cargo de 1º suplente de substituto de Juiz Federal em Juiz de Fora, e deixou o cargo quando assumiu, em 1907, como diretor do Primeiro Grupo Escolar da cidade.
Mudou-se em 1922, para a capital federal, cidade do Rio de Janeiro, onde colaborou com diversos jornais da cidade. Essa mudança estava intimamente ligada às relações sociais estabelecidas por Rangel, de modo que foi designado pelo Presidente Artur Bernardes como diretor da Escola Normal do Distrito Federal e do Instituto João Alfredo.
Como escritor, especializou-se no conto e na crônica. Mesmo residindo na capital do país, Rangel mantinha estreitas relações com o Governo de Minas, visto que durante muitos anos, foi membro do Conselho Superior de Instrução, motivo pelo qual compareceu às reuniões mensais, em Belo Horizonte. Essas reuniões aproximaram Rangel dos principais representantes municipais, dos chefes locais do PRM, de coronéis influentes, deputados e senadores. O desinteresse por posições políticas fez com que muitos desses representantes o convidassem a dar seu parecer em assuntos de relevância, o que sempre o fazia de forma sincera e desinteressada.
Ainda na capital federal, dirigiu o Instituto Profissional João Alfredo e colaborou com o O País. Foi membro fundador da Academia Mineira de Letras, na qual ocupou a cadeira n° 28, patrocinada por Américo Lobo. Publicou o livro de memórias Como o Tempo Passa ..., Rio de Janeiro, Ed. A Encadernadora, em 1940, e uma coletânea de discursos. Deixou inéditas as obras O bígamo, uma comédia e Alvíssimas, um livro de contos.
Rangel faleceu no Rio de Janeiro, em 22 de novembro de 1940.



