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Acadêmico
Ângelo Machado
Número de Cadeira
26 Patrono: Evaristo da Veiga
Data de Posse
08 de março de 2013
Posição na Cadeira
6º Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O professor, pesquisador científico, escritor, médico e entomólogo Ângelo Barbosa Monteiro Machado nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 22 de maio de 1934, filho de Paulo Monteiro Machado e Laura Barbosa Monteiro Machado, foi casado com Conceição Ribeiro da Silva Machado, professora e pesquisadora em biologia celular, com quem teve quatro filhos e seis netos.
Aos quinze anos de idade começou a se interessar por libélulas, antes, colecionou insetos que pegava na fazenda de sua família. Nessa época descobriu que o padre da igreja onde foi sacristão, era o maior especialista do mundo em uma família de besouros que tinha 20 mil espécies.
Ângelo Machado levou alguns besouros em uma caixinha e ficou amigo do padre Francisco Pereira com quem aprendeu entomologia. Ao longo da vida participou de oito expedições à Amazônia, junto com Padre Francisco, onde conheceu várias etnias de indígenas, ótimos coletores de insetos.
Aos 16 anos, sua tia Lúcia Machado de Almeida, indicou que ele procurasse o professor Newton Dias dos Santos, estudioso de libélulas. Foi desse encontro que surgiu seu amor por libélulas, tema no qual tornou-se especialista. Nas férias escolares, foi para o Rio de Janeiro na casa de seu tio, o escritor Aníbal Machado, e visitou, diariamente, o laboratório de Newton Santos no Museu Nacional, para estudar libélulas.
Em 1951, realizou o curso de férias de Ciências, no Instituto de Educação, por um ano, com os professores Oswaldo Frota Pessoa e Newton Dias dos Santos; iniciou também o curso de Entomologia, no Colégio Santo Antônio e na Faculdade de Filosofia da UFMG, com o Pe. Francisco Silvério Pereira.
Em 1953, iniciou curso superior na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, onde se diplomou em 1958; em 1954, realizou um curso de extensão em Genética e, em 1956, de Bioestatística e Antropologia Geral, no Instituto de Biologia Geral da UFMG.
Enquanto universitário, foi monitor da cátedra de Histologia e Embriologia, da Faculdade de Medicina. Em 1958, tornou-se professor de Zoologia do curso de Pré-Médico Alfredo Balena, o diretório acadêmico; em 1959, tornou-se Instrutor, em tempo integral, na cátedra de Anatomia da mesma instituição.
Nunca exerceu a profissão de médico e preferiu dedicar-se à pesquisa científica e ao ensino. Em 1963, concluiu seu Doutorado em Anatomia pela mesma universidade, e o pós-doutorado na Northwestern University, em Chicago, em 1967. Antes, em 1966, assumiu o cargo de Professor Assistente na cátedra de Anatomia, cargo que ocupou até 1968.
De volta ao Brasil, pois afastou-se para realizar seu pós-doutorado, assumiu a cadeira de Morfologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, de 1968 a 1973. Em janeiro de 1974, foi nomeado, por concurso, Professor Adjunto do departamento de Morfologia, cargo que ocupou até agosto de 1981.
Ainda em 1981, tornou-se Professor Titular de Neuro-Anatomia e aposentou-se em 1987, ano no qual submeteu-se a novo concurso para a docência, e tornou-se Professor Adjunto de Entomologia. Foi o responsável pela criação do Laboratório de Neurobiologia e do Centro de Microscopia Eletrônica do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG.
Ângelo Machado, reconhecido internacionalmente por seu trabalho de educação ambiental e conservação da natureza, atuou como presidente da Fundação Biodiversitas. Como consultor, membro de conselhos editoriais e conferencista, Ângelo Machado viajou constantemente pelo Brasil e exterior para congressos e expedições científicas.
Atuou como coordenador nas inovações das técnicas pedagógicas no Departamento de Morfologia da Faculdade de Medicina da UFMG. Em 1984, foi membro do Comitê Assessor do CNPq; de 1985 a 1986, membro da comissão de Sociedades Científicas e do Conselho Deliberativo do CNPq, designado pelo Ministro de Ciência e Tecnologia.
Autor de inúmeros livros e artigos científicos, estreou na literatura infantil, em 1989, com o livro infantil O menino e o rio, e na dramaturgia desenvolveu, com muita competência, peças como a novela Douradinho douradão rio abaixo rio acima, publicada em 2001. Publicou seguidamente para o público infantil e peças de teatro, sempre com a preocupação de sensibilizar o público leitor para as questões ambientais.
Em 2004, aposentou-se do departamento de Zoologia e começou como Professor Voluntário, no mesmo departamento. Em 2005, foi nomeado Professor Emérito da Universidade Federal de Minas Gerais.
Em 2013, Ângelo Machado foi eleito para a Academia Mineira de Letras, em sucessão a Bartolomeu Campos de Queirós, na cadeira nº 26, patrocinada por Evaristo da Veiga. Em 2015, no dia 06 de abril, o professor e amante das libélulas, que sofria de uma doença muscular degenerativa congênita, faleceu aos 85 anos, em Belo Horizonte.
Dedicou seu talento e energia à popularização da ciência; participou do grupo que elaborou a revista Ciência Hoje das Crianças, e durante muitos anos, coordenou a sucursal mineira da revista Ciência Hoje, comandada pelo jornalista Roberto Carvalho.
Dentre as inúmeras publicações de artigos e livros infanto-juvenis, criou com Jota Dangelo o Show Medicina, espetáculo que ocupou o palco, pela primeira vez, em 1954 e, até hoje, é um evento anual dos estudantes da carreira médica, um sucesso indiscutível de aproximadamente 70 anos.
Publicou 130 artigos científicos, possui inúmeras espécies zoológicas descritas em sua homenagem e, dos muitos prêmios que recebeu, destacam-se o Henry Ford de Conservação do Meio Ambiente, em 1998; o José Reis de Divulgação Científica, em 1995; e o Jabuti de Literatura infantojuvenil, em 1993, por O velho da montanha: uma aventura amazônica.
Além deste, publicou outros 35 livros para crianças e adolescentes, entre eles O casamento da ararinha azul; Que bicho será?; Que bicho será que fez a coisa?; Que bicho será que fez o buraco?; Será mesmo que é bicho?; Viagens de Tamar: a tartaruga-verde do mar; Que bicho será que a cobra comeu?; Que bicho será que botou o ovo?, todos publicados em 1996; O velho da montanha: uma aventura amazônica, em 1997; Dilema do bicho pau, em 1997, entre outros. Conhecido pacifista, sua obra publicada postumamente, O Tratado de Guerra, ridiculariza as ações militares realizadas pelos Homens desde a antiguidade.
Em 2020 foi lançado um curta-metragem sobre Ângelo Machado, intitulado Ângelo, idealizado e produzido por sua neta, a cineasta Mariana Machado.



