Miniatura

Acadêmico
Aureliano Chaves
Número de Cadeira
25 Patrono: Augusto Franco
Data de Posse
11 de julho de 1986
Posição na Cadeira
2° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O engenheiro e político Antônio Aureliano Chaves de Mendonça, nasceu em Três Pontas, Minas Gerais, em 13 de janeiro de 1929, filho mais velho de José Vieira de Mendonça, cirurgião-dentista, e de Luzia Chaves de Mendonça. Descendente de uma família de políticos, foi o único de sete irmãos que seguiu essa carreira.
Realizou o curso primário na Escola Professora Maria Augusta Vieira Correia, e o secundário no Ginásio Municipal São Luís, ambos em sua cidade natal. Depois, transferiu-se para Itajubá, onde cursou o científico no Colégio Itajubá. Ingressou, em seguida, no Instituto Eletrotécnico de Itajubá – IEI, atual Escola Federal de Engenharia.
Enquanto estudante, Aureliano Chaves, presidente do Diretório Acadêmico, liderou, em 29 de maio de 1952, uma comissão composta por 42 acadêmicos que, no Rio de Janeiro, no Palácio do Catete, solicitou ao Presidente da República à época, Getúlio Vargas, a federalização do IEI.
Em 1953, diplomou-se em Engenharia Mecânica e Eletricista; no ano seguinte, trabalhou na Serra Engenharia Arquitetura e foi Engenheiro de obras rodoviárias, entre as quais a ligação de Itajubá a São Bento do Sapucaí, bem como o serviço de terraplanagem do Aeroporto de Cumbica.
Depois de formado, passou a integrar o corpo docente do instituto por onde se formou, no qual lecionou a disciplina Máquinas Elétricas. Em 1954, casou-se com Minervina Sanches de Mendonça, com quem teve dois filhos: Antônio Aureliano e Maria Cecília. Mudou-se para Belo Horizonte e começou a lecionar no Instituto Politécnico da Universidade Católica de Minas Gerais, regendo a cadeira de Transmissão de Energia Elétrica.
Entre 1955 e 1956, Aureliano Chaves foi Chefe do Serviço de Obras da Prefeitura Municipal de Itajubá e, em 1955, também tornou-se Professor Titular da Escola Federal de Engenharia de Itajubá, cargo que ocupou até 1982. Em 1958, Aureliano Chaves ampliou sua formação acadêmica com o curso de Organização Racional do Trabalho, na Faculdade Fluminense de Engenharia, em Niterói, Rio de Janeiro.
Ainda em 1958 iniciou sua carreira na política como suplente de deputado estadual, pela União Democrática Nacional – UDN; foi efetivado em 1961, na vaga de Gil Vilela, mas permaneceu pouco tempo no cargo legislativo, tendo renunciado ao mandato em outubro de 1962, para tornar-se Diretor Técnico da Eletrobrás.
Em 1963, elegeu-se deputado estadual para a 5ª legislatura, até 1967, mas licenciou-se novamente do mandato, para assumir a Secretaria de Educação no governo Magalhães Pinto. Entre fevereiro de 1964 e janeiro de 1966, durante o governo de José de Magalhães Pinto, ocupou, por duas vezes, o cargo de Secretário de Estado, primeiro na Pasta da Educação, depois na de Comunicações e Obras Públicas.
Aureliano Chaves vinculou-se ao movimento que depôs o Presidente Goulart, em março de 1964. Manteve-se no cargo após o golpe militar e, em 1966, foi eleito deputado federal pela Aliança Renovadora Nacional – ARENA, partido de sustentação do regime militar, no qual foi vice-líder na Assembleia Legislativa do Estado.
Ainda em 1964, como Secretário de Estado da Educação, cumpriu visitas de estudos aos Estados Unidos e ao México, a convite dos respectivos governos. De 1967 a 1975, foi eleito deputado federal para a 6ª e a 7ª legislaturas e em 1968 participou, como parlamentar, de conferência realizada em Viena, convocada pela Agência Internacional de Energia Atômica.
No Congresso, Aureliano Chaves destacou-se, sobretudo, nas Comissões de Minas e de Ciência e Tecnologia. Foi Vice-Presidente da Comissão Especial destinada a estudar o problema da poluição, foi ainda membro das Comissões de Educação e Cultura e de Orçamento, além de Vice-Presidente do Instituto de Pesquisas, Estudos e Assessoria do Congresso Federal.
Foi também relator da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre energia e da comissão encarregada de dar parecer sobre a criação da Braspetro; foi Presidente da Comissão encarregada de planejar a utilização da energia da hidrelétrica de Itaipu, cuja construção foi acertada com o Paraguai e a Argentina durante o Governo Ernesto Geisel.
Em 1975, foi indicado pelo Presidente da República, Ernesto Geisel para o Governo de Minas e, mais tarde, para a vice-presidência da República, de 1979 a 1985. Aureliano Chaves ocupou a presidência da República por dois períodos (dois meses em 1981 e cerca de um mês em 1983), devido aos problemas de saúde de João Figueiredo.
Católico fervoroso, em 1981, mesmo sendo contra a invasão de terras, recusou-se a assinar o ato de expulsão dos dominicanos franceses Aristides Camio e François Gouriou, da Comissão Pastoral da Terra, acusados de incitar invasões de terra no sul do Pará. A recusa irritou a ala mais radical das Forças Armadas e os frades, após cumprirem dois anos e quatro meses na prisão, foram expulsos do país.
No Governo de Minas Gerais, Aureliano Chaves continuou o processo de modernização econômica iniciado por Rondon Pacheco; Minas entrou definitivamente na fase industrial e, desse modo, foram asseguradas a implantação e a continuidade de grandes projetos, como os da Fiat e da Krupp, bem como os programas de financiamento do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais.
Em 1984, por ocasião das eleições indiretas sucessórias a João Figueiredo, Aureliano Chaves ofereceu-se como candidato dentro de seu partido, o Partido Democrático Social – PDS.
Na Vice-Presidência da República, Aureliano Chaves afirmou-se, no partido. Com a vitória de Maluf na convenção, Aureliano e outros decidiram sair do PDS e fundar um novo partido, o Partido da Frente Liberal, para apoiar o candidato da oposição Tancredo Neves, no colégio eleitoral, na chamada “Aliança Democrática”.
Aureliano Chaves foi considerado um dos responsáveis pela divisão do PDS, em 1984, o que enfraqueceu a candidatura de Paulo Maluf à presidência da República, na eleição indireta que levou Tancredo Neves, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB, ao cargo. Na chefia da dissidência pedessista, que passou a ser conhecida como Frente Liberal, defendeu a convocação de uma Assembleia Constituinte para conferir novo estatuto político à sociedade brasileira.
No início de 1985, liderou a transformação da Frente Liberal em partido político, que passou a ser o Partido da Frente Liberal – PFL. No governo Sarney, Aureliano Chaves foi Ministro das Minas e Energia, defendeu a manutenção do programa brasileiro do álcool, o Pró-Álcool, e permaneceu no cargo até 1988. Nas eleições de 1989, candidatou-se à Presidência da República pelo PFL.
Em janeiro de 1999, foi convidado por Itamar Franco, recém-empossado no governo de Minas Gerais, para integrar o conselho da Companhia Energética de Minas Gerais, a Cemig. Foi eleito para a Academia Mineira de Letras em sucessão a Paulo Pinheiro Chagas, na cadeira nº 25, patrocinada por Augusto Franco.
Foi membro da Sociedade Geográfica Brasileira, do Comitê Brasileiro das Grandes Barragens e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Aureliano Chaves faleceu aos 74 anos, no dia 20 de abril de 2003, em Belo Horizonte, e foi sepultado em Itajubá.
Recebeu inúmeras condecorações e homenagens como a Grande Medalha da Inconfidência; medalha do Mérito Santos-Dumont; Legião de Honra, da França; Ordem do Mérito Civil, da Espanha, dentre outras.
Publicou além de obras de cunho didático, os trabalhos Átomos a serviço do progresso; Política econômica dos governos da revolução; Panorama energético mundial e a Petrobrás; Ciência, tecnologia, desenvolvimento e segurança; Democracia e liderança; Recursos humanos para o desenvolvimento: estratégias, opções, consequências.



