Miniatura

Acadêmico
Paulo Pinheiro Chagas
Número de Cadeira
25 Patrono: Augusto Franco
Data de Posse
15 de janeiro de 1970
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor Paulo Pinheiro Chagas nasceu em Oliveira, Minas Gerais, em 1º de setembro de 1906, filho do capitão-de-corveta Francisco Pinheiro Chagas e de D. Maria Eulina de Carvalho Chagas. Estudou o curso primário no Colégio Pinheiro Campos e no Grupo Escolar Francisco Fernandes, depois cursou o ginasial no Colégio Militar de Barbacena, concluído em 1924, quando recebeu o diploma de Engenheiro-agrimensor. Casou-se com Zembla Soares Pinheiro Chagas, com quem teve dois filhos.
Em 1930, doutorou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, com a tese Semiótica do Ritmo Respiratório. No ano seguinte, publicou outros dois trabalhos médicos, O ritmo respiratório e sua variação nos estados patológicos e Questões clínicas de atualidade.
Transferiu-se para Belo Horizonte, onde foi nomeado assistente do professor Oswaldo de Melo Campos, catedrático de Clínica Propedêutica da Faculdade de Medicina de Minas Gerais e passou a clinicar na equipe de tisiologia de Pedro Nava.
Influenciado pelos tios Djalma e Carlos Pinheiro Chagas, desenvolveu atividade política na Aliança Liberal, de modo que quando ocorreu a Revolução de 30, deixou Belo Horizonte e se dirigiu, em companhia de dois colegas, ao Sul de Minas e depois a Campos do Jordão, em São Paulo, e participou do corpo médico mineiro na Revolução. Em seguida, retornou a Paraisópolis para se unir a uma tropa de cerca de 200 homens da Força Pública de Minas.
Os três participariam, como soldados rasos, de um assalto a um destacamento de Três Corações e seguiriam para o túnel entre Passa Quatro e Cruzeiro. Nesse momento, Paulo Chagas abandonou a carreira médica, decidiu dedicar-se à política e vinculou-se ao Partido Republicano Mineiro (PRM), chefiado por Arthur Bernardes. Participou também do movimento contra o governo de Olegário Maciel e da Revolução Constitucionalista de 1932, quando ficou preso durante um mês, acusado de atividades subversivas.
Com a derrota dos rebeldes paulistas em outubro, os principais líderes do PRM foram exilados e tiveram seus direitos políticos cassados. Em consequência, o grupo jovem assumiu a direção e Paulo Chagas foi eleito presidente do diretório central do partido, em Belo Horizonte. Em maio de 1933, elegeu-se suplente de deputado à Assembleia Nacional Constituinte e ainda se matriculou na Faculdade de Direito de Minas Gerais, onde diplomou-se em 1937.
No ano seguinte, fundou e dirigiu o jornal O Debate e, em 1935, elegeu-se deputado na Segunda Assembleia Constituinte de Minas Gerais, depois transformada em Assembleia Legislativa, de cuja Comissão de Representação participou. Paulo Chagas foi considerado um dos grandes oradores de sua época.
Dissolvidas as casas legislativas pelo golpe de 10 de novembro de 1937, retornou ao Rio de Janeiro e, durante o Estado Novo, combateu a ditadura de Getúlio Vargas. Em 1943, publicou Teófilo Ottoni, Ministro do Povo e no final do mesmo ano assinou o famoso Manifesto dos Mineiros.
Em 1945, foi um dos fundadores da União Democrática Nacional (UDN), e escreveu O Brigadeiro da Libertação. De 1949 a 1951 dirigiu o Diário Carioca do Rio de Janeiro. Em 1951 elegeu-se para a Câmara Federal, cargo no qual permaneceu por cinco legislaturas até 1970. Reeleito em 1954, apoiou o movimento político-militar de 11 de novembro de 1955 – que, liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário, visava, segundo seus articuladores, assegurar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek – e votou a favor do impedimento do presidente da República licenciado, João Café Filho.
De 1956 a 1958, foi secretário de Segurança Pública no governo de José Francisco Bias Fortes, em Minas Gerais, período em que, além da segunda edição de Teófilo Ottoni, Ministro do Povo, publicou Democracia & Parlamento, Arca de Noé e Do Alto desta Tribuna.
Em 1959, foi eleito para a Academia Mineira de Letras, como sucessor de João Massena, para a cadeira nº 24, patrocinada por Augusto Franco. Presidiu a seção mineira da Associação Brasileira de Escritores e o Círculo Cultural Hispano-Brasileiro.
Paulo Pinheiro Chagas interrompeu seu mandato na Câmara. No exercício de suas novas funções, promoveu uma reestruturação da polícia mineira e, durante as comemorações do 35º aniversário da Associação Mineira de Imprensa, ocasião em que o presidente Kubitschek cogitava em remeter uma nova Lei de Imprensa ao Congresso, proferiu um discurso sobre a liberdade de imprensa.
Em 1961, foi escolhido líder da bancada federal do PSD; em 1963, foi nomeado ministro da Saúde e no mesmo ano eleito vice-presidente da Reunião dos Ministros de Saúde dos Países Americanos em Washington. Chefiou a delegação do Brasil na reunião dos Ministros da Saúde em Genebra, na Suíça, e, como chefe da delegação brasileira, da Sessão Anual da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Em janeiro de 1971, integrou as comissões de Educação e Cultura e de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Foi Diretor da Fundação João Pinheiro – cuja revista dirigiu – a partir de 1973. Exerceu, paralelamente à vida política, atividades comerciais e industriais em diversas empresas, tais como, corretor de seguros na empresa A Equitativa dos Estados Unidos do Brasil, inspetor da Companhia Adriática de Seguros, ambas em Belo Horizonte; diretor da Fábrica de Papel Cruzeiro, também na capital mineira; superintendente da Companhia Mineira de Estradas e Construções e diretor da Companhia Santa Fé de Exportação e Importação, ambas no Rio de Janeiro; diretor da Companhia Santa Clara de Indústria e Comércio (Rio de Janeiro-Belo Horizonte) e sócio fundador e superintendente da Comjak – Representações, Exportação e Importação (Rio de Janeiro-Belo Horizonte).
Como jornalista, foi redator e colaborador em diversos periódicos. Como escritor, foi representante da seção mineira da Associação Brasileira de Escritores e do Círculo Cultural Hispano-Brasileiro, além de vice-presidente da Academia Mineira de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
Paulo Pinheiro Chagas faleceu em Belo Horizonte, no dia 12 de abril de 1983. Publicou ainda: O brigadeiro da libertação (vida de Eduardo Gomes, 1945), Apenas uma nuvem passageira (1950), A resposta de Juscelino (ensaio sobre a formação do povo brasileiro, 1953), Tradição e atualidade do 5 de julho (1955), Os dois lados do homem e da lição Vargas (1955), Pela liberdade de imprensa (1956), A arca de Noé (ensaio, crítica e tribuna, 1956), Do alto da tribuna (1956), Democracia e parlamento (1956), Uma política a serviço da liberdade (1957), Luzias e tenentes na formação democrática do Brasil (1957), Atualidade de Teófilo Otoni (1957), Albores de primavera (romance, 1957), Elogio de Pedro Aleixo (1974), Bernardes visto de perto (1975), Esse velho vento da aventura (memórias, 1977), Lágrimas na penumbra, Manhã de sol, Como foi isso e O mais belo rabi da Galícia.



