Miniatura

Acadêmico
Martins de Oliveira
Número de Cadeira
23 Patrono:Joaquim Felício dos Santos
Data de Posse
05 de maio de 1934
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O poeta, biógrafo, magistrado, tradutor e contista Cândido Martins de Oliveira Júnior, nasceu em Furtado de Campos, Rio Novo, Minas Gerais, em 21 de junho de 1896, filho de Cândido Martins de Oliveira e de Elvira de Almeida Castro Martins de Oliveira. Casou-se com Dolores Gonçalves Martins de Oliveira.
Cursou o secundário no Ginásio São José de Ubá, Minas, depois em Leopoldina, e o curso preparatório no Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, a então capital federal. Em 1919, cursou Odontologia em Ouro Preto, Faculdade de Minas de Ouro Preto. Em 1925 bacharelou-se em Direito na Universidade do Rio de Janeiro.
Formado em Farmácia, exerceu a profissão por algum tempo em Ubá. Depois de concluir o curso de Direito, foi nomeado, pelo Presidente Fernando de Melo Viana, Promotor de Justiça de Rio Branco, hoje Visconde de Rio Branco, em Minas Gerais.
Ingressou na Magistratura estadual dois anos depois, e desempenhou o cargo de Juiz Municipal em Ubá. Em 1931, foi alçado a Juiz de Direito, serviu sucessivamente nas Comarcas mineiras de Patrocínio, Pomba, atual Rio Pomba, Viçosa, Varginha e São João Del-Rei. Em 1933, foi eleito para a Academia Mineira de Letras, como sucessor de Dom Joaquim Silvério de Sousa, para a cadeira nº 23, patrocinada por Joaquim Felício dos Santos.
Foi promovido pelo governador Juscelino Kubitschek de Oliveira a Desembargador do Tribunal de Justiça, cargo que exerceu até se aposentar em março de 1956. Paralelamente às atividades da Magistratura, desempenhou as funções de professor de Português, História e Física, em ginásios das cidades onde residiu, e participou de bancas examinadoras de curso secundário.
Em setembro de 1956, submeteu-se a concurso para a cátedra de Introdução à Ciência do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais. Martins de Oliveira classificou-se como livre docente e ministrou aulas de diversas disciplinas. Foi, também, catedrático da Faculdade de Direito da UCMG e professor contratado de Odontologia Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da Universidade de Minas Gerais, hoje UFMG.
De julho de 1958 a março de 1959, foi Secretário do Interior do governo de José Francisco Bias Fortes, procedeu à reforma da Organização Judiciária do Estado, caracterizada pela extinção do Juizado Municipal, à rotatividade obrigatória dos Desembargadores na Presidência do Tribunal de Justiça, com período de dois anos no posto, à revisão de atribuições em matéria de competência e à estipulação de vencimentos condignos para a Magistratura.
No governo seguinte, de José de Magalhães Pinto, foi consultor jurídico do Chefe do Poder Executivo, e nessa função elaborou a minuta do acordo que pôs termo à questão de limites entre os Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Martins de Oliveira sempre foi um jornalista militante desde a mocidade. Fundou, em Ubá, os periódicos O Alicate, O Cri-Cri e O Tiradentes. Colaborou também em vários órgãos de imprensa de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, escreveu sob o pseudônimo Martins de Oliveira.
Ocupou os cargos de 1º Secretário e Presidente em diversos biênios. Foi ainda membro do Conselho Estadual de Cultura, da Academia de História e Ciências de Buenos Aires, Argentina, e dos Institutos Históricos e Geográficos de Minas Gerais, de São Paulo, de Pernambuco e do Paraná.
Participou de numerosos certames sobre assuntos históricos, foi um dos organizadores e secretário-geral do 11º Congresso Nacional de História da Revolução de 1894, realizado em Belo Horizonte, em 1946. Além de escritos em jornais e revistas, publicou a novela O Viúvo Alegre, em 1927; as poesias Pátria morena, em 1928; Leque de sândalo, em 1930; Rubaiyát de Omar Khayyan, em 1935 e Nove Cartas à Academia Brasileira de Letras, em 1940.
Publicou, ainda, uma crítica literária Gavita, de 1930, que recebeu o Prêmio Coelho Netto, da Academia Brasileira de Letras, em 1931; Rosas de Jericó, uma obra filosófica de 1934; O banquete, de 1938; O Pó das Sandálias, em 1939; O mascarado de Vila Rica e Foguetes e lágrimas, contos com menção honrosa da Academia Brasileira de Letras, em 1939; A retirada da Laguna, um livro de poemas em 1941; A dama de véu, também poemas de 1957, vencedor do Prêmio Cidade de Belo Horizonte; As sete palavras, poemas de 1958; Boa Noite, Vila Rica de Albuquerque, crônicas publicadas em 1964; Elegia simbólica para Alphonsus de Guimaraens, um livro de poemas, de 1966; Sangue morto, traduzido para o holandês; teve ainda as biografias Evangelho de uma vida; Presidente Bernardes; História da literatura mineira, Belo Horizonte, Itatiaia, de 1958.
Martins de Oliveira deixou vários trabalhos inéditos, inclusive romances, poemas e estudos jurídicos. O escritor faleceu em Belo Horizonte, no dia 5 de fevereiro de 1975.



