Miniatura

Acadêmico
Gilberto de Alencar
Número de Cadeira
21 Patrono: Fernando de Alencar
Data de Posse
13 de maio de 1910
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor Gilberto Napoleão Augusto de Alencar nasceu na cidade de Palmira, em primeiro de dezembro de 1886, no arraial de João Gomes, atualmente, Santos Dumont. Filho do médico e escritor cearense, Dr. Fernando Napoleão Augusto de Alencar, um dos fundadores do Hospital de Misericórdia, primo e afilhado de José de Alencar.
Terminou o curso primário e mudou-se com a família para Barbacena, lá iniciou seus estudos no colégio Gonçalves, de Barbacena, primeiro como aluno externo e depois como interno. Após algum tempo, saiu para continuar, com seu progenitor, que residia por ocasião em Carandaí, o estudo de humanidades. O motivo foi acompanhar a família e seu pai, devido ao trabalho dele de médico que não permitiu permanecer em lugar fixo, e necessitou fazer mudanças pelo interior de Minas Gerais.
Gilberto de Alencar, desde muito jovem precisou trabalhar, devido à situação financeira da família. Seu primeiro emprego foi como tipógrafo nas oficinas do Autônomo, um semanário da cidade de Queluz, hoje conhecida como Conselheiro Lafaiete. Foi também em Queluz que casou-se com a professora pública, Sophia Áurea do Espírito Santo, com quem teve quatro filhos.
Em 1905, foi para cidade de Oliveira, Minas Gerais, onde iniciou sua atuação como jornalista, escrevendo para o periódico Democracia. Aprimorou-se como autodidata, leu e traduziu textos em língua francesa. Sua filha Cosette de Alencar, também escritora, na orelha do livro O escriba Julião de Azambuja, de 1962 (publicação póstuma), expressou o encantamento e admiração pela devoção do pai às letras, além de reconhecê-lo como intelectual.
Além de escritor, sua função mais duradoura foi no cargo de secretário da Escola Normal de Juiz de Fora nas décadas de 1920, 1930 e 1940, datadas nas colunas do jornal Diário Mercantil, nas publicações de editais que versavam sobre matrícula na Escola Normal de Juiz de Fora.
Ademais, Gilberto de Alencar foi Conselheiro da Coroa Italiana, exerceu as atividades de professor, Inspetor Escolar Estadual e secretário da Escola Normal de Juiz de Fora, além de Diretor do Serviço de Educação do município de Juiz de Fora, em 1940 e 1941, e professor do Ginásio Santa Cruz, nessa cidade.
Em 1942, ocupou o cargo do Serviço de Educação e Saúde, e em 1945 assumiu a chefia do Serviço de Educação do ensino público de Juiz de Fora. Atuou ainda como tradutor, para a Editora Itatiaia, das obras Adorável Marquesa, o romance de madame Pompadour, de 1958, de André Lambert; Maria Stuart, rainha e mulher, também de 1958, de Jean Plaidy; A Divina Cleópatra, a rainha dos reis, de 1960, de Michel Peyramau, recompondo a coleção As grandes mulheres da história; e Cenas da Vida Boêmia, de Henri Murger, além de textos traduzidos de Émile Zola e outro escritores franceses publicados em O Pharol, predominantemente na década de 1910.
Gilberto foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Ouro Preto e condecorado com homenagens pelo reconhecimento de seu trabalho: Comenda da Coroa da Itália, por meio do decreto de S. M. o Rei da Itália, de 21 de novembro de 1936; Título de Cidadão Honorário de Juiz de Fora, pela Câmara Municipal, em 17 de outubro de 1951; Medalha de Honra da Inconfidência, pelo governo Estadual de Minas Gerais, em 10 de março de 1955; Medalha de bronze da Academia Mineira de Letras, em 25 de dezembro de 1959; Membro Honorário do Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora, em 31 de maio de 1960; e Personalidade do Ano, pelo jornal Binômio, também de Juiz de Fora no mesmo ano.
Diretor e redator assíduo do jornal O Pharol, Gilberto foi cronista e articulista de outros jornais de Juiz de Fora, como A Pátria, Correio de Minas, Gazeta Comercial, A Batalha – fundado por ele, em 1920 –, Diário Mercantil e Diário da Tarde. Em Belo Horizonte, sua presença foi marcada por contribuições nos jornais Minas Gerais, Folha de Minas, A Tarde e na revista Alterosa. No Rio de Janeiro, colaborou com os periódicos A Noite e Diário de Notícias; também escreveu para o Jornal do Comércio em São João Del-Rei e na Gazeta de Paraopeba.
Gilberto também publicou quadrinhas satíricas no periódico Diário Mercantil, entre 1952 e 1960, sob o pseudônimo de Zangão, G., G. de Alencar, Germano D’Aguilar, João do Carmo, ou como G. de A. e Napoleão. O jornalista-literário, dentre as diversas obras escritas, destacou-se em Cidade do sonho e da melancolia, livro que traz crônicas sobre a cidade de Ouro Preto e se tornou uma referência para as primeiras ações de preservação do patrimônio histórico nacional. Lançou, igualmente, Tal dia é o batizado: o romance de Tiradentes, narrativa romanceada do martírio do grande herói da Inconfidência Mineira.
Publicou seu primeiro livro em 1908, Imprensa Mineira, ligeira notícia sobre o estado atual do jornalismo de Minas Gerais; em 1909, publicou Candidatura Militar, no ano seguinte lançou Prosa Rude, um livro de contos; em 1914, Névoas ao Vento, um livro de crônicas; em 1926, Cidade do Sonho e da Melancolia; em 1935, Itália Intrépida; em 1946, Memórias sem Malícia de Gudesteu Rodovalho; em 1953, Misael e Maria Rita; em 1959, Tal Dia é o Batizado: o romance de Tiradentes; em 1961, Reconquista, todas publicações de romances e em 1962, O Escriba Julião de Azambuja, um outro romance em publicação póstuma.
Gilberto de Alencar faleceu em Juiz de Fora, no dia 04 de fevereiro de 1961.



