Miniatura

Acadêmico
Estevam de Oliveira
Número de Cadeira
18 Patrono: Silva Alvarenga
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Estevam José Cardoso de Oliveira, nasceu em 28 de janeiro de 1853 na freguesia de São José do Turvo, município de Piraí, província do Rio de Janeiro. De origem modesta, era filho do professor Cesário José Cardoso de Oliveira e de Joaquina Maria de Oliveira.
Ficou órfão de mãe aos 9 anos de idade e de pai aos 12. Foi, por isso, criado por seus avós maternos. Casou-se, em 1882, e teve seis filhos. Morou em Cataguazes, Campo Limpo, Minas Gerais, e estabeleceu-se em Juiz de Fora no ano de 1893, onde permaneceu até a sua morte.
Iniciou tardiamente sua formação escolar, aos 21 de anos. Completou seu curso primário, sabendo apenas ler e escrever, numa escola particular em Cataguazes. Matriculou-se, logo em seguida, no Colégio Luiz do Lago, em Volta Grande, município de Além Paraíba, como aluno de preparatórios, onde estudou por dois anos. Paralelo a essa educação escolar, Estevam dedicou-se a estudar sozinho pedagogia, inglês e literatura latina.
Profissionalmente, atuou como professor de ensino primário e secundário, foi inspetor de ensino, jornalista, literato e tradutor dos clássicos latinos. Em 1879, iniciou na carreira de professor público de primeiras letras, na pequena localidade mineira de Empoçado. Em 1884, foi transferido para Campo Limpo.
No fim da década de 1890, tornou-se inspetor do primeiro distrito de Imigração e inspetor extraordinário de ensino. Em 1902, foi encarregado pelo governo do Estado de estudar a organização do ensino primário em São Paulo e no Rio de Janeiro, e dessa viagem resultou a publicação do relatório Reforma do ensino primário e Normal em Minas.
Depois disso, exerceu a função de inspetor técnico de ensino até 1909, cargo ao qual retornou alguns anos depois e permaneceu até falecer. Foi também professor de latim em colégios de Juiz de Fora, fiscal geral dos exames parcelados do Estado, membro fundador da Academia Mineira de Letras, criada em 1909 – renunciando à “imortalidade” pouco antes de falecer – e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
Sua atuação no jornalismo iniciou-se em 1885, quando ainda morava em Cataguazes, onde fundou seu primeiro jornal, intitulado O Povo (1885-1889). Fundou e dirigiu, também, os jornais O Popular (Cataguazes, 1889-1893), Minas Livre (Juiz de Fora, 1893) e Correio de Minas (Juiz de Fora, 1894-1914), e colaborou em jornais cariocas e mineiros.
Defensor da República, da abolição da escravatura e da educação, Estevam trabalhou cerca de trinta anos no jornalismo e conquistou muitos discípulos nesse meio, além de um grupo privilegiado de interlocutores e amigos. Sua produção literária e técnico-pedagógica foi significativa. Uma de suas primeiras publicações foi um trabalho sobre instrução pública, em 1884, cuja edição, segundo seus biógrafos, teria se esgotado rapidamente.
Publicou também Pela República, de 1896, livro de crônicas políticas; Reforma de ensino público primário e Normal em Minas Gerais, de 1902, relatório sobre a organização do ensino em São Paulo e Rio de Janeiro e plano de reforma da instrução pública em Minas; Crônicas e traduções, de 1908, coletânea de crônicas escritas para o jornal Correio de Minas, sob o pseudônimo de Neophito e tradução de algumas odes de Horácio Flacco; Rudimentos de história pátria, de 1909, compêndio para uso nas escolas primárias mineiras; Notas e epístolas, de 1911, coletânea de cartas políticas por ocasião da Campanha Civilista.
Traduziu ainda o segundo livro da Eneida e obras de Cícero, Virgílio, Horácio e Tito Lívio, em Traduções avulsas, de 1924. No desempenho de diferentes papéis, jornalista, professor e inspetor técnico de ensino, Estevam registrou a debilidade da instrução pública primária em território mineiro. Nos primeiros anos do período republicano, suas denúncias sobre a precariedade das escolas, a ausência de mobília adequada, de materiais didáticos e de métodos de ensino, a falta de preparo do professorado, os baixos salários, o desinteresse de pais e alunos eram frequentes. Resultado do descaso do governo, ou de políticas públicas equivocadas, o ensino em Minas Gerais possuía, segundo ele, uma face “tradicionalmente atrasada e rotineira”.
Estevam de Oliveira faleceu em Juiz de Fora, no dia 12 de agosto de 1926.



