Miniatura

Acadêmico
José Afrânio Duarte
Número de Cadeira
16 Patrono: Francisco de Paula Cândido
Data de Posse
21 de maio de 1988
Posição na Cadeira
5º Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O contista, ensaísta, poeta e crítico literário José Afrânio Moreira Duarte nasceu em Alvinópolis, Minas Gerais, em 8 de maio de 1931, filho de Antônio Duarte Júnior, farmacêutico, e de D. Petrina de Vasconcellos Moreira Duarte, professora.
Iniciou os estudos em sua terra natal, continuou-os em Juiz de Fora e terminou-os em Belo Horizonte. Colaborou desde menino em jornaizinhos do Grupo Escolar Bias Fortes de Alvinópolis, mas considera-se sua verdadeira estreia na literatura, quando, em 7 de setembro de 1947, com apenas dezesseis anos, publicou seu primeiro conto, Vingança de Caboclo, no suplemento literário do Diário Mercantil de Juiz de Fora.
Em 1955 radicou-se na capital mineira e iniciou o curso de Direito na Universidade Federal de Minas Gerais, bacharelando-se em 1964. Quando universitário, dirigiu a revista Plural, um suplemento jurídico e literário. Participou de diversas antologias, entre elas Brasil. Terra & Alma: Minas Gerais, organizada por Carlos Drummond de Andrade e Flor de Vidro, organizada por Wagner Torres, ambas de contos.
José Afrânio foi funcionário público federal e crítico literário ao mesmo tempo. Colaborou em quase uma centena de órgãos da imprensa em todas as regiões do Brasil, mas principalmente em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Juiz de Fora. No exterior, colaborou também na imprensa portuguesa, e seus contos e poemas foram traduzidos para o espanhol, italiano, francês, inglês e húngaro.
O seu nome figura em enciclopédias, dicionários e livros, como a Grande Enciclopédia Delta-Larousse, Dicionário literário brasileiro, de Raimundo Menezes, Dicionário prático de literatura brasileira e o Livro de ouro da literatura brasileira, de Assis Brasil, Literatura e Linguagem, de Nely Novaes Coelho, Novo Dicionário Aurélio, de Aurélio Buarque de Holanda etc.
No exterior, no A Dictionary of Contemporary Brazilian Authors, de Foster e Reis, publicado nos Estados Unidos pela Arizona State University. José Afrânio publicou ainda em jornais e revistas de mais de quinze países, na Europa e nas Américas; seus livros tiveram a melhor acolhida tanto no Brasil como também no exterior, em Portugal, Estados Unidos, Venezuela e Uruguai.
José Afrânio exerceu um importante e incessante trabalho de divulgação de obras de outros autores, desde grandes nomes nacionais até escritores novos, através de resenhas de livros, entrevistas, indicação para participação em concursos ou em obras especializadas. Em 1966, lançou seu primeiro livro de contos, O Menino do Parque, em seguida, dois anos depois, o contista publicou Fernando Pessoa e os caminhos da solidão, obra da maior importância para a cultura brasileira, uma crítica consciente e sentida, nos moldes da nova crítica.
Em 1971, publicou outro livro de contos, A muralha de vidro; outras obras que José Afrânio escreveu e publicou: Alvinópolis e a literatura, uma antologia, em 1973; Tempo de Narciso, livro de poesias, em 1975; De conversa em conversa, entrevistas, em 1981; Opinião literária, crítica, em 1981; Impressões críticas, crítica, em 1991; Henriqueta Lisboa: poesia plena, outra crítica, em 1996 e Azul: Estranhos caminhos, seu último livro de contos, em 2003.
Em 1978, a União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro conferiu-lhe um diploma de Honra ao Mérito, por seu incansável serviço em prol da cultura. José Afrânio recebeu ao todo trinta e dois prêmios literários, entre eles o Prêmio João Alphonsus e o Prêmio Pandiá Calógeras, ambos da Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais; o Prêmio Adelino Magalhães da Secretaria de Educação e Cultura de Minas Gerais; e o Prêmio Silvio Romero da Academia Brasileira de Letras.
Foi cidadão benemérito de Alvinópolis e duas vezes condecorado pelo governo do Estado de Minas Gerais, primeiro com a Medalha da Inconfidência, a mais importante de Minas, entregue em Ouro Preto em 21 de abril de 1995, depois, por ocasião do Centenário de Belo Horizonte, com a Medalha do Centenário, entregue no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro.
José Afrânio foi eleito para a Academia Mineira de Letras em sucessão a Wilson Castello Branco, na cadeira nº 16, patrocinada por Paulo Cândido. Pertenceu à União Brasileira de Escritores de São Paulo, ao Instituto dos Advogados de Minas Gerais, à Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, e à Casa do Escritor, entre outras agremiações.
A União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro conferiu-lhe as medalhas Henriqueta Lisboa e Centenário de Murilo Mendes. José Afrânio faleceu no dia 4 de junho de 2008, aos 77 anos, em sua residência, em Belo Horizonte.



