Miniatura

Acadêmico
Flávio Neves
Número de Cadeira
16 Patrono: Francisco de Paula Cândido
Data de Posse
17 de junho de 1982
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor, médico psiquiatra e professor Flávio Neves, nasceu em Caetité, município do estado da Bahia, no Alto Sertão, em 18 de abril de 1908, filho de Antônio Marcelino das Neves, professor na cidade natal, e de Dulcina Neves. De família tradicional caetiteense, seu avô, Marcelino José das Neves, assim como seu pai exerceram o magistério; seu pai, ainda, presidiu a “Lira Caetiteense”, o que contribuiu para a formação musical de Flávio.
Passou toda a infância na cidade natal, e recebeu as primeiras letras em casa de sua irmã mais velha, Celeste, formada pela primitiva Escola Normal e professora na Escola Americana. Em seguida, ingressou no Instituto São Luís Gonzaga, da Companhia de Jesus, já devidamente alfabetizado. Foi casado com Maria Auxiliadora Horta Neves.
Já adolescente, mudou-se para Minas Gerais, e foi estudar em São João Del-Rei, no Colégio de Santo Antônio, da Ordem Franciscana, onde realizou os exames preparatórios. Transferiu-se para Belo Horizonte para cursar medicina na Universidade de Minas Gerais, e em 1931, graduou-se médico. Como estudante, foi residente interno do Instituto Neuro Psiquiátrico Raul Soares.
Após formado, tornou-se médico contratado no serviço militar e mais tarde, após a Campanha Militar de 1932, por concurso, foi nomeado médico efetivo do Serviço de Saúde da Polícia Militar, em março de 1933. No exercício do cargo, cursou, no mesmo ano, por designação da Polícia Militar, um curso de Medicina Especializada em Educação Física, na Escola de Educação Física do Exército.
Em 1934, tornou-se chefe da Formação de Saúde do Departamento de Instrução da Polícia Militar, por 20 anos, e foi, também, professor no referido departamento. Foi professor e um dos fundadores do Colégio Marconi, a convite do então Cônsul Italiano Túlio Grazzioli. Lecionou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Maria, atual Universidade Católica de Minas Gerais, na cadeira de Psicologia, em 1942 e 1943, ingressando também no corpo docente da Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais, atual UFMG.
Em 1940, quando o psicólogo cubano-espanhol, o prof. Emílio Mira y Lopez, emigrado para o Brasil atuou no ensino da matéria, Flávio Neves frequentou, por três anos, os cursos de psicologia ministrados pelo professor. A partir de 1949, foi chefe da Clínica Psiquiátrica do Hospital da Polícia Militar, cargo que ocupou até 1962, tendo instalado, como iniciativa pioneira, e coordenado uma clínica psiquiátrica em hospital geral.
Foi Diretor do Hospital Militar e ingressou como Psiquiatra no corpo clínico do Instituto Raul Soares. Integrou, ainda, o corpo clínico da Casa de Saúde Santa Clara e foi, além disso, psiquiatra da Cooperativa dos Rodoviários. Lecionou ainda na Escola de Enfermagem Carlos Chagas.
Na área administrativa foi Subchefe de Saúde do Estado de Minas Gerais e aposentou-se em 1962. Foi o responsável pelo Serviço de Orientação e Seleção Profissional – SOSP, anexo ao Instituto de Educação de Belo Horizonte, onde, também, foi professor de Biologia, Higiene e Educação Física. Na ocasião, foi designado para a Comissão Revisora do Programa de Ensino Médio de Minas Gerais.
Flávio Neves foi membro, presidente e vice-presidente do Conselho da Fundação da Universidade Mineira de Artes; sócio da Associação Médica de Minas Gerais e da Associação Médica Brasileira; membro fundador e secretário da Academia Mineira de Medicina, na qual ocupou a Cadeira 25, cujo patrono é Mário Goulart Penna. Foi também um dos fundadores da Associação Mineira de Psiquiatria.
Flávio Neves pertenceu à Academia Mineira de Letras, em sucessão a Waldemar dos Anjos, na cadeira nº 16, patrocinada por Paulo Cândido. Foi colaborador assíduo na imprensa da capital mineira como articulista e membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.
Em um Congresso da referida Sociedade, foi relator oficial com o tema: O Médico brasileiro nas Letras e nas Artes. Flávio Neves foi profundo conhecedor de música clássica – influência maior de seu pai. Foi presidente da Cultura Artística de Minas Gerais; conselheiro da antiga Sociedade de Concertos Sinfônicos; membro do Conselho da Sociedade Coral e membro da Alliance Française.
Participou e colaborou na redação da Revista Kriterion, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, da qual foi Professor Emérito; colaborou com a Revista Síntese (edição Loyola); revista da Associação Médica de Minas Gerais e com o jornal da Associação Médica Brasileira.
Flávio Neves foi agraciado pela República Italiana com a Medalha Stella dela Solidarieta, em grau de Cavaleiro e com a Medalha de Honra da Inconfidência. Por convite da Câmara de Vereadores foi orador, na sessão solene de recepção do escritor Pedro Nava, como cidadão Honorário de Belo Horizonte. Flávio Neves faleceu no dia 11 de agosto de 1984, em Belo Horizonte.
Foi autor de algumas obras que despertaram grande interesse em seu tempo, entre elas estão: Médicos, Dentistas e Farmacêuticos da PM; Sistema Nervoso Autônomo e Reações Elementares na Vida Afetiva; Brentano e a Psicologia do ponto de vista empírico; Santo Inácio de Loyola, suas constituições e sua gente; O médico brasileiro nas letras e nas artes; Bach, Beethoven, Wagner, Belo Horizonte, Editora Faculdade de Filosofia, de 1975; Rescaldo de saudades, obra póstuma, Belo Horizonte, Academia Mineira de Medicina, de 1986.



