Miniatura

Acadêmico
Mário Matos
Número de Cadeira
16 Patrono: Francisco de Paula Cândido
Data de Posse
09 de junho de 1928
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O literato e jornalista Mário Gonçalves de Mattos, nasceu em 23 de setembro de 1891 em Santana do Rio São João Acima, atual Itaúna, Minas Gerais. Foi um dos seis filhos do coronel da Guarda Nacional Antônio Pereira de Mattos e de Maria Gonçalves de Souza Mattos. Passou sua infância em sua terra natal, mas concluiu os estudos primários e iniciou o curso secundário na cidade de Dores do Indaiá.
Posteriormente, transferiu-se para Belo Horizonte, onde cursou os preparatórios no Ginásio Mineiro e, mais tarde, estabeleceu residência em Juiz de Fora, onde dedicou-se à literatura, ao jornalismo e ao teatro. Ali, escreveu em periódicos como O Pharol e Diário Mercantil. Mário Mattos destacou-se também como um excelente estudante. Casou-se com Elisa de Moura Matos e, posteriormente, com Hermelinda de Almeida Matos. Seu genro Paulo Campos Guimarães foi deputado estadual em Minas Gerais.
Ainda nos tempos de estudante começou a atuar no campo do jornalismo e das artes. Transferiu-se para a então capital federal, matriculou-se na Faculdade Livre de Direito e, em 1912, escreveu seu primeiro texto teatral, A chegada do Presidente. Dois anos depois terminou a peça Seu Anastácio chegou de viagem.
Em 1915, começou a escrever para o jornal carioca Gazeta de Notícias e logo após para a Revista ABC, da qual tornou-se redator-chefe. Em 1920, formou-se em Direito, trabalhou na Imprensa Nacional e lecionou no Instituto Lafaiete, manteve sua produção artística e escreveu a peça Itaúna em fraldas de camisa, como também a famosa peça teatral As Cigarras do Sertão, em 1925.
Três anos após se formar, Mário Mattos iniciou sua vida política, retornou a Itaúna, onde foi vereador e vice-presidente da Câmara Municipal. Em 1923, foi eleito deputado estadual e exerceu o mandato na Assembleia Legislativa mineira até 1926. Exerceu também os cargos de vice-presidente da casa e membro da Comissão de Finanças.
Em 1927, foi eleito deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro e em maio tomou posse na Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro. Reeleito em março de 1930, teve o mandato interrompido em outubro seguinte em decorrência da vitória da revolução que levou Getúlio Vargas ao poder e extinguiu todos os órgãos legislativos do país. Desse modo, voltou então para Itaúna e passou a advogar.
Em fins de 1933, foi nomeado Diretor da Imprensa Oficial de Minas Gerais e, em 1935, Ministro do Tribunal de Contas Mineiro. Em julho de 1939, assumiu a Secretaria do Interior e de Justiça do Estado e em julho de 1940, foi nomeado Desembargador do Tribunal de Apelação, corte da qual posteriormente tornou-se vice-presidente.
Mário Mattos foi ainda Diretor da Escola Normal e do periódico Centro de Minas em Itaúna, professor do Instituto de Educação, Diretor do Diário de Minas e redator-chefe da Revista Alterosa, em Belo Horizonte.
Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, presidiu a Associação de Cultura Franco Brasileira e a Academia Mineira de Letras, quando eleito em agosto de 1927, para a vaga da cadeira nº 16, de Diogo de Vasconcellos. Foi também Diretor da Associação Mineira de Imprensa. Importa acrescentar que Mário Mattos presidiu por três distintas ocasiões esta Academia.
Ao longo de sua carreira jornalística, assumiu, ainda, as seguintes funções: dirigiu o Centro de Minas, foi redator-chefe do Minas Gerais, foi colaborador dos Diários Associados e de revistas que não renderam muitos números como Marília, Cigarra do Sertão e Acaiaca, além de ter atuado de distintas maneiras na revista Alterosa.
Na década de 1960, dirigiu o Diário de Minas, de Belo Horizonte, e colaborou no recém-criado Suplemento Literário do Minas Gerais pouco antes de falecer. O escritor recebeu muitos elogios de críticos renomados de seu tempo a respeito de sua obra. Recebeu, também, homenagens de figuras nacionalmente conhecidas, como Guimarães Rosa, que o presenteou com versos que estamparam páginas do periódico juiz-forano O Pharol, e Carlos Drummond de Andrade, em longa homenagem póstuma.
Além deste reconhecimento, foi considerado por muitos de seus contemporâneos como sendo um dos maiores biógrafos de Machado de Assis por sua obra Machado de Assis: o homem e a obra, de 1939. Apesar de ter contribuído em muitos periódicos, publicou poucas obras, apenas seis livros, dentre eles, o primeiro Discursos, de 1927, uma seleção de discursos, ensaios e conferências literárias, pela Tipografia Fênix, sob edição particular.
O seu segundo livro foi O Último Bandeirante, de 1935, livro de ensaio sobre Afonso Arinos e publicado pela Editora Amigos do Livro, de Belo Horizonte. Nesse mesmo ano Mário Mattos presidiu pela primeira vez a Academia Mineira de Letras. Seu terceiro foi Último canto da tarde, de 1938, livro de poemas assinado sob o pseudônimo de Alberto Olavo e impresso pela Imprensa Oficial de Minas Gerais, no mês de fevereiro, para a Sociedade Editora Amigos do Livro.
A obra Machado de Assis: o homem e a obra, foi publicada em 1939. Trata-se de um estudo crítico e biográfico a respeito do autor de Dom Casmurro. O penúltimo, O personagem persegue o autor, de 1945, foi um livro de ensaios publicado em janeiro pela Editora Gráfica O Cruzeiro S. A.
O último foi Casa das três meninas, de 1949, livro de contos que chegou a ser um dos livros mais vendidos em Belo Horizonte, à época. Foi impresso nas oficinas da Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais para o Movimento Editorial Panorama, em 20 de junho. Mário Mattos faleceu em Belo Horizonte, em 28 de dezembro de 1966.



