Miniatura

Acadêmico
Diogo de Vasconcelos
Número de Cadeira
16 Patrono: Francisco de Paula Cândido
Data de Posse
1910
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O afamado político e jornalista Diogo Luís de Almeida Pereira de Vasconcellos, nasceu em 8 de maio de 1843, na cidade de Mariana. Membro da tradicional e importante família Vasconcellos, filho do Major Diogo Antônio de Vasconcellos e D. Luísa de Almeida. Residiu na Chácara da Água Limpa – imóvel restaurado pela Prefeitura de Ouro Preto.
A sua formação inicial se deu em sua própria cidade natal, onde viveu até os 12 anos de idade. O seu forte traço católico provém dessa formação. Diogo estudou no Seminário Menor de Nossa Senhora da Boa Morte, sendo posteriormente elogiado pelo cônego Raimundo Trindade como um dos mais ilustres estudantes da instituição.
Seus estudos tiveram continuação no Mosteiro de São Bento, na cidade do Rio de Janeiro. Antes disso, Vasconcellos ainda foi estudar em Congonhas do Campo, depois no seminário de Nossa Senhora da Boa Morte em Mariana. Logo após, frequentou a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, onde bacharelou-se em 1867.
Considerado conservador, foi um monarquista convicto, e mesmo no período da República, fazia parte do Partido Conservador Mineiro. Defendeu ativamente a Igreja, recebendo do Papa o título de Visconde. Na Faculdade de Direito de São Paulo, centro intelectual fortemente influenciado pelo modelo político liberal, Diogo de Vasconcelos era famoso por suas atitudes reacionárias.
Como advogado, foi abolicionista e recusava defender causas em favor de senhores de escravos. Extremamente culto, como orador, era considerado imbatível e temido por seus adversários, que mal ousavam se contrapor a ele, na tribuna.
Como político, participou ativamente da história mineira, foi secretário de dois presidentes da província entre 1868 e 1870, e pouco depois foi deputado na Assembleia Geral por seis anos. Nesse período, participou de debates sobre a questão religiosa, sempre favorável aos bispos, e, por fim, foi deputado na Assembleia Provincial de 1878 a 1885.
Em Ouro Preto, Diogo de Vasconcelos ocupou a presidência da Câmara, em 1892, onde atuou como agente executivo, com participação efetiva em vários processos que envolviam o progresso e o ordenamento da cidade, e que contribuíram concretamente para avanços na região. Ademais, realizou vários feitos no distrito de Amarantina, revivendo a quase extinta cavalhada, tradição marcante do distrito até os dias atuais. Ressalta-se que os moradores de Amarantina, durante o último quartel do século XIX, endereçaram uma carta comovente de agradecimento a Diogo de Vasconcelos.
Combateu fortemente o regime republicano antes da sua proclamação, e após o seu estabelecimento. Acusava tal regime de laicizante, e na tentativa de defender a religião, propôs a criação de um Partido Católico que, para sua decepção, não logrou êxito. Outra atitude de profunda aversão ao novo regime, foi o boicote que ele, juntamente com outros monarquistas mineiros, promoveu durante o Congresso Republicano em Ouro Preto. Estes se reuniram para atrapalhar o evento, chegaram a conseguir a adesão dos hoteleiros ouropretanos, no sentido de não hospedarem os participantes do Congresso.
Diogo de Vasconcelos também foi membro fundador da Academia Mineira de Letras. Foi considerado um dos precursores na construção da memória histórica mineira, pois atuou na criação de instituições significativas como o Arquivo Público Mineiro (APM) e o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG) e do Instituto Histórico de Ouro Preto. Acreditava que o passado colonial e imperial, de herança ibérica e católica, tinha definido traços da regionalidade mineira e do nacionalismo brasileiro.
Como escritor, mesmo não sendo historiador de formação, ofício desconhecido inclusive para os estudantes, Diogo de Vasconcelos publicou várias obras sobre a história de Minas. Por suas pesquisas sobre o barroco e o rococó mineiro, foi considerado o primeiro historiador da arte no Brasil.
Suas publicações foram: História Antiga das Minas Gerais, de 1904; O diário de Vera Cruz, de 1908; Administração Colonial. Como se exercia. O Vice-rei, os generais, os governadores, os capitães-mores de Capitanias e os capitães-mores de Vilas e Cidades, de 1914; História Média das Minas Gerais, de 1918; Ainda como publicação póstuma: A arte em Ouro Preto, de 1934; e História da Civilização Mineira: Bispado de Mariana, de 1935.
Diogo de Vasconcellos faleceu em 18 de junho de 1927, em Belo Horizonte.



