Miniatura

Acadêmico
Carmo Gama
Número de Cadeira
13 Patrono: Xavier da Veiga
Data de Posse
10 de maio de 1910
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escrivão, professor, contista e jornalista José Joaquim do Carmo Gama nasceu, em 16 de junho de 1860, na cidade de Baependi, Minas Gerais. Menino pobre, era filho de um comerciante que, após a falência dos negócios, transferiu-se com a família para Carmo da Cachoeira. O tio e padrinho, cônego Domingos, internou Carmo Gama no Seminário de Mariana.
Ao concluir os estudos preparatórios, em 1882, o jovem matriculou-se na Faculdade de Medicina, no Rio de Janeiro. No entanto, sem meios de subsistência na grande cidade, desistiu do curso. Mudou-se para Rio Novo, na Zona da Mata Mineira, onde começou a lecionar. Em 1890, foi nomeado, por concurso, pelo presidente do Estado, Dr. Bias Fortes, para o cargo de 1º tabelião e oficial de Registros Gerais.
Em agosto de 1894, Carmo Gama deixou a família em Rio Novo e seguiu viagem com destino a Poços de Caldas, onde tratou de bronquite e do reumatismo, “agravados pela natureza de um trabalho profissional, causas de muitos sofrimentos que alcançam ao pobre funcionário público, ligado à baca do trabalho”.
Nos registros de sua obra, Poços de Caldas: impressões de viagem, datada de 1894, Carmo Gama, que não escrevia como profissional, relatou que realizou a viagem com o auxílio de um mapa da estrada de ferro e o Almanaque da Gazeta. Ele consultava o mapa em todas as estações de embarque e desembarque da locomotiva.
Narrou que ao sair de Rio Novo passou pela estação de Cruzeiro, chegando à Estação da Luz em São Paulo. No dia seguinte, tomou o trem para Campinas e dali para Poços de Caldas, onde se hospedou no Hotel do Globo. No dia seguinte fez uma consulta com o médico Pedro Sanches de Lemos que o encaminhou para os banhos.
Essa obra cujo texto ocupava páginas inteiras da coluna “Colaboração”, do jornal Minas Gerais, foi publicada em forma de folhetim, em espaço reservado para contribuição dos leitores, todavia, sem consagrar uma única linha ao autor.
Ao que consta, as referências sobre Carmo Gama no jornal Minas Gerais são apenas duas: uma nota em “despachos oficiais” da comarca de Rio Novo/MG, cujo nome consta como escrivão do 1º Cartório de Ofícios, outra na secção “Arquivo Público Mineiro”, como correspondente e por doação de livros para o arquivo. Casou-se com Maria José Bretas, com que teve sete filhos. Em 1898, publicou Bucólicas: miscelânea de viagem.
Escreveu em abril de 1900, em Rio Novo, o conto Quilombolas – lenda mineira inédita, que foi publicado na Revista do Archivo Público Mineiro, em 1904. Publicou, em 1915, Contos Mineiros... Rio Novo. Foi membro sócio fundador da Academia Mineira de Letras, tendo escolhido a cadeira treze titulada pelo patrono José Pedro Xavier da Veiga – falecido em 8 de agosto de 1900 – primeiro diretor do APM. Informações sobre Carmo Gama, posterior ao seu tratamento em Poços de Caldas e das “impressões de viagem”, continuaram esparsas.
Ficou viúvo em 1918. Viveu até os 77 anos, atravessando o século, e faleceu em 13 de novembro de 1937, em Juiz de Fora.



