Miniatura

Acadêmico
Tancredo Neves
Número de Cadeira
12 Patrono: Alvarenga Peixoto
Data de Posse
24 de fevereiro de 1983
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O advogado, empresário e político Tancredo de Almeida Neves, nasceu em São João Del-Rei, Minas Gerais, em 4 de março de 1910. Foi o quinto dos doze filhos do político e comerciante Francisco de Paula Neves e de Antonina de Almeida Neves. Sua família paterna, longamente radicada no município, tinha tradição firmada na vida política local. Casou-se com Risoleta Guimarães Tolentino Neves, com quem teve três filhos.
Entre 1917 a 1920, cursou o primário no Grupo Escolar João dos Santos, em sua terra natal; em seguida, Tancredo Neves iniciou o curso secundário no Ginásio Santo Antônio, dos padres franciscanos, que concluiu em 1927. No ano seguinte, prestou serviço militar e ingressou na Escola de Engenharia de Minas de Ouro Preto, mas desistiu após dois meses.
Prestou concurso para seguir carreira militar na Marinha, no Rio de Janeiro, mas não conseguiu. Com isso, tentou uma vaga na Faculdade de Medicina, em Belo Horizonte, mas também não foi aprovado; para não perder o ano, matriculou-se, em 1928, na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais.
Na capital mineira, foi morar em uma pensão e começou a trabalhar como escriturário, mais tarde foi aprovado em um concurso na Secretaria de Educação. Também trabalhou na redação do jornal Estado de Minas. Como estudante universitário, empolgou-se com o movimento da Aliança Liberal, e na eleição presidencial de 1930 apoiou Getúlio Vargas.
Em 1932, bacharelou-se em Direito, mas no seu último ano na faculdade foi preso por participar de manifestações da Revolução Constitucionalista. Depois de formado, retornou a São João Del-Rei e montou um escritório de advocacia. Lá foi nomeado Promotor de Justiça da Comarca local, cargo em que permaneceu apenas dois meses.
Em 1933, Tancredo Neves, que havia optado pela advocacia, iniciou sua carreira política no município pelas mãos do chefe local, Augusto das Chagas Viegas, que, em 1934, organizou em São João Del-Rei o Partido Progressista – PP. Como candidato do Partido Progressista, foi o vereador mais votado do município, o que lhe assegurou a Presidência da Câmara de 1934 a 1937.
Com o golpe do Estado Novo, foi afastado do cargo, e tornou-se advogado do Sindicato dos Ferroviários de sua cidade, e depois diretor-secretário da Fiação e Tecelagem Matozinhos Ltda, seu primeiro empreendimento. Na redemocratização do Brasil em 1945, Tancredo Neves aliou-se ao Partido Social Democrático – PSD, onde foi eleito deputado estadual mineiro, líder da bancada e um dos relatores da Constituição Estadual Mineira.
Em 1950, de última hora, candidatou-se a deputado federal pelo PSD, em substituição ao candidato Augusto Viegas, eleições essas que também elegeram Juscelino Kubitscheck como governador de Minas Gerais. Neste primeiro mandato, Tancredo Neves, integrou a Comissão de Justiça e a Comissão de Transportes.
Nessa ocasião, demonstrou ainda grande preocupação com a criação de condições melhores à modernização econômica de Minas. Propôs a instituição do Fundo Estadual de Eletrificação e a construção da Central Elétrica de Itutinga; defendeu a distribuição tributária equilibrada do poder entre o município, o Estado e a Federação.
Em 1953, foi indicado para substituir o Ministro da Justiça e Negócios Interiores Francisco Negrão de Lima, no governo de Getúlio Vargas. Em sua função ministerial, passou pela grave crise política que levou Vargas ao suicídio. Tancredo Neves foi um opositor ao governo de João Café Filho e um dos articuladores da candidatura de Juscelino Kubitscheck à Presidência da República.
Em 1955, foi nomeado presidente do Banco de Crédito Real de Minas Gerais, pelo governador Clóvis Salgado da Gama; em 1956, Juscelino Kubitscheck nomeou Tancredo diretor do Banco do Brasil, cargo que deixou em 1958, para assumir a Secretaria de Fazenda, do governo Bias Fortes. Permaneceu no cargo até 1960, para disputar o governo do estado de Minas Gerais, e foi derrotado por Magalhães Pinto.
Em 1961, Tancredo Neves voltou à cena nacional como Primeiro-Ministro no período parlamentarista do governo João Goulart; no ano seguinte deixou o cargo e elegeu-se para o seu segundo mandato de deputado federal, líder da maioria na Câmara. Permaneceu no cargo até o golpe militar de 1964, quando em 1966, foi eleito novamente deputado federal, ocasião em que imputou duras críticas à influência dos Estados Unidos no golpe.
Em 1965, filiou-se ao oposicionista Movimento Democrático Brasileiro – MDB, e reelegeu-se deputado federal em 1966 e 1970. Em 1979, após anos de resistência à Ditadura Militar, Tancredo Neves foi eleito senador por Minas Gerais, em vitória simbólica que consolidou seu papel como líder da oposição.
Em seu mandato de senador, assumiu a liderança do MDB e lutou pela redemocratização do país; defendeu e aprovou a Lei de Anistia aos brasileiros forçados ao exílio pela ditadura; foi, inclusive, o principal articulador da campanha das Diretas Já e de uma nova Constituinte; lutou pela reforma agrária, pelos direitos humanos e a descentralização do poder.
Com a extinção do bipartidarismo, Tancredo Neves aproximou-se do seu antigo adversário na política, Magalhães Pinto, para compor um partido de centro, o Partido Popular – PP; em 1982, ocorreu a fusão das correntes oposicionistas: Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB e do PP. Em novembro, Tancredo elegeu-se governador de Minas Gerais, pelo PMDB, e em março de 1983 deixou o Senado.
Em 1983, foi eleito para a Academia Mineira de Letras em sucessão a Alberto Deodato na cadeira nº 12, patrocinada por Alvarenga Peixoto. Com a volta do pluripartidarismo, e em virtude da derrota da emenda Dante de Oliveira, que propunha a realização de eleições diretas para presidente da República em 1984, Tancredo Neves foi lançado candidato à presidência por uma coligação de partidos de oposição reunidos na Aliança Democrática, tendo como vice o senador José Sarney.
No final de janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral. Na véspera da posse, em 14 de março de 1985, foi internado em estado grave, e o vice-presidente José Sarney assumiu interinamente o cargo. Tancredo faleceu em São Paulo, no dia 21 de abril de 1985 e na manhã do dia 22 José Sarney foi confirmado na presidência.
No dia 23 o corpo de Tancredo Neves chegou ao aeroporto de Belo Horizonte, para receber as homenagens de cerca de 1,8 milhão de pessoas. Finalmente, no dia 24, na presença de 50 mil pessoas, foi enterrado no cemitério de São João Del Rei.
Além de reportagens que escreveu para o jornal Estado de Minas, O Correio e Diário de São João Del Rei, Tancredo Neves publicou O regime parlamentar e a realidade brasileira, na Revista Brasileira de Estudos Políticos, Belo Horizonte, UFMG, em 1962; O panorama mundial e a segurança nacional, Rio de Janeiro, ESG, em 1962; e numerosos discursos e pareceres publicados em jornais, revistas e anais parlamentares.
Deixou dois depoimentos que se tornaram livros: Tancredo Neves, A trajetória de um liberal, uma entrevista dada à sua sobrinha Lucília de Almeida Neves; Tancredo fala de Getúlio, onde dá seu depoimento sobre o antigo presidente e a sua atuação política ao lado de Getúlio. Em 2010, foi lançada a obra póstuma, O paciente, o caso Tancredo Neves, de Luís Mir, que reúne documentos obtidos no Hospital Base de Brasília e no Instituto do Coração, em São Paulo, onde Tancredo morreu.
Sobre a vida de Tancredo Neves foram produzidos o filme de longa-metragem A Céu Aberto, de João Batista de Andrade, e a biografia Tancredo Neves, A trajetória de um liberal, em 1985, escrita por sua sobrinha Lucília de Almeida Neves Delgado e Vera Alice Cardoso a partir de depoimento dado pelo tio. No mesmo ano, foi lançado o documentário Muda Brasil, de Oswaldo Caldeira; e, em 2011, Tancredo - A travessia, de Silvio Tendler; em 2018, foi lançado nos cinemas o filme O Paciente - O Caso Tancredo Neves, produzido pela Globo Filmes e baseado no livro de Luís Mir.



