Miniatura

Acadêmico
João Dornas
Número de Cadeira
12 Patrono: Alvarenga Peixoto
Data de Posse
31 de maio de 1952
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor, historiador e biógrafo João Dornas dos Santos Filho, nasceu no arraial de Santana do Rio São João Acima, hoje Itaúna, Minas Gerais, no dia 7 de agosto de 1902. Filho do fazendeiro João Dornas dos Santos, um republicano defensor da emancipação da cidade, e de Maria Eugênia de Mello Vianna, teve onze irmãos. Casou-se com Maria Eugênia Dornas e não teve filhos.
João Dornas, conhecido pelo apelido de Záu, foi um indivíduo autodidata e com profunda paixão pela literatura e pelo conhecimento. Frequentou apenas a escola primária do Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves, mas conseguiu cultivar uma cultura vasta e refinada através do seu próprio esforço. Cursou em Belo Horizonte o Ginásio Mineiro.
Considerado por muitos uma excentricidade intelectual, João Dornas apaixonou-se pela palavra escrita nos primeiros anos em que trabalhou como tipógrafo, e sua escrita se enraizou. Em 1920, mudou-se para Belo Horizonte a trabalho e iniciou sua colaboração para os jornais locais, entre eles o Zum Zum. Na capital mineira, ficou amigo de intelectuais e artistas de projeção nacional e internacional, como o pintor Di Cavalcante, que desenhou em pastel a sua caricatura, hoje uma preciosa relíquia guardada com zelo pela Prefeitura Municipal de Itaúna.
Em 1925, integrou o grupo de A Revista. Em 1928, foi um dos membros ativos do movimento de reforma das artes e letras mineiras e, com Guilhermino César e Aquiles Vivacqua, editou a revista Leite Crioulo, de significativa circulação, que impulsionou o movimento modernista de Belo Horizonte e repercutiu não só em Minas Gerais, como também em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Figura proeminente na história literária de Itaúna e de Minas Gerais, em 1945, foi eleito para a para a cadeira nº 12 da Academia Mineira de Letras, patrocinada por Alvarenga Peixoto. De acordo com Miguel Augusto Gonçalves de Souza, João Dornas tentou reformar o estatuto da Academia Mineira de Letras para permitir a entrada de mulheres nas atividades acadêmicas, mas não conseguiu a adesão de seus pares.
João Dornas foi um estudioso diligente e curioso, receptivo a todas as formas de expressão artística e ressonância emocional. Ele defendeu destemidamente suas crenças, e se envolveu em debates controversos quando necessário. Um modelo de responsabilidade e integridade intelectual inabalável.
Considerado um dos mais expressivos filhos de Itaúna, por ter retratado os valores culturais da cidade natal sempre com palavras de admiração e carinho, João Dornas Filho faleceu em Belo Horizonte, em 11 de dezembro de 1962.
No que se relaciona à poesia, foi um dos primeiros a escrever poemas sob o impacto do Modernismo de 22, pois pertenceu à primeira fase dele. Como autor, escreveu 28 obras. Sua primeira obra publicada foi Itaúna: contribuição para a história do município, de 1936, que critica os antigos costumes, como a escravidão e o preconceito religioso.
Também são de sua autoria: Silva Jardim, em 1936; Os Andradas na história do Brasil, de 1937; A escravidão no Brasil, de 1939; Bagana apagada, de 1940; A influência social do negro brasileiro, de 1943; Eça e Camilo, 1945; Júlio Ribeiro, 1945; Antônio Torres, de 1948; Figuras da província, de1949; Os ciganos em Minas Gerais, de 1949 e Efemérides itaunenses, de 1951.



