Miniatura

Acadêmico
João Etienne
Número de Cadeira
10 Patrono: Cláudio Manoel da Costa
Data de Posse
21 de janeiro de 1960
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor, jornalista e professor, João Etienne Arreguy Filho, natural do Vale do Rio Doce, nasceu em Caratinga, Minas Gerais, em 30 de março de 1918, filho de João Etienne Arreguy e de Maria da Glória D' Ávila Arreguy. Iniciou na terra natal os estudos primários.
Terminou o curso de Humanidades no Colégio Arnaldo, de Belo Horizonte, e bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Minas, em 1939. Em 1935, ainda estudante, ingressou na redação de O Diário, órgão de inspiração católica que surgiu na capital mineira, no qual desempenhou todas as funções jornalísticas até aposentar-se como redator-chefe.
Ainda na década de 40, foi cronista parlamentar, na antiga Capital Federal, do mesmo jornal. Lá colaborou no suplemento literário da Tribuna da Imprensa, e foi Diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e da Associação Mineira de Imprensa.
Em Belo Horizonte, entre 1941 a 1944, lecionou Português e História no Instituto Padre Machado e História Contemporânea e Estética na Faculdade de Filosofia, de 1944 a 1945. Ainda em 1945, integrou a delegação mineira no I Congresso Brasileiro de Escritores, em São Paulo.
Em 1947, integrou a Comissão Nacional para as comemorações do Quarto Centenário de Cervantes e participou do I Congresso Interamericano de Imprensa Católica, de Lima, República do Peru, nos períodos de 1959 a 1962. No Rio de Janeiro, foi professor de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia Santa Úrsula e na Faculdade Nacional de Filosofia da UB, como assistente de Alceu Amoroso Lima, de quem era secretário, em 1951.
Em 1953, foi professor de História Geral, História do Brasil e Português no Colégio Estadual Governador Milton Campos, de Belo Horizonte, hoje Estadual Central. Em 1958, ministrou aulas de Português na TV Itacolomi, da capital mineira, e no ano seguinte, a convite do Ministério da Educação, um curso de Didática especial de História para professores da disciplina.
Em 1959, foi professor de História do Teatro Português e Brasileiro no curso de Teatro da Universidade Federal de Minas Gerais. Etienne Filho manteve intensa colaboração em temas literários no jornal Estado de S. Paulo e na Folha da Manhã, da capital paulista; e em A Ordem, na Revista Brasileira, da Academia Brasileira de Letras; na Revista do Livro, do Instituto Nacional do Livro, e nos Cadernos da Hora Presente, todos do Rio de Janeiro.
Em Minas Gerais fundou e dirigiu a revista literária Mensagem em suas três fases e participou da fundação de Tentativa, outro periódico do gênero. Em 20 de agosto de 1959, foi eleito para cadeira nº 10 da Academia Mineira de Letras, como sucessor de Brant Horta, patrocinada por Cláudio Manuel da Costa. Foi empossado em 21 de janeiro de 1960.
Etienne Filho publicou as obras Dia e noite, livro de poesia, Rio de Janeiro, pela editora Agir, em 1947; As desesperanças, também poesia, Belo Horizonte, pela Itatiaia, em 1957; Euclides da Cunha, Rio de Janeiro, pela Agir, em 1960, na Coleção Nossos Clássicos; Saudação a Valdemar Versiani dos Anjos, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, em 1969; Discurso de posse lia Academia Mineira de Letras. Belo Horizonte, Gráfica Sion, em 1970; Sobre os Amadis de Gaula, Rio de Janeiro, em 1970.
Publicou também Separata de Português – Boletim Trimestral de Língua e Literatura, Rio de Janeiro, agosto de 1970; Ciro dos Anjos, Rio de Janeiro, 1970. Separata de Português – Boletim Trimestral de Língua e Literatura, Rio de Janeiro, outubro de 1970; Os tristes, livro de contos, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, em 1971; João Alphonsus, Rio de Janeiro, Agir, em 1971 (Coleção Nossos Clássicos); Oração de paraninfo, Belo Horizonte, Faculdade de Filosofia de Belo Horizonte, em 1975; Saudação a Edgar de Godói da Mata Machado, Belo Horizonte, também em 1975.
Etienne Filho traduziu Uma aventura nos trópicos, de Vick Baun, Rio de Janeiro, pela José Olympio, e Paul Claudel, de Louis Barjon, Belo Horizonte, Itatiaia (col. Mílton Amado). Como obras póstumas, em preparação, ficaram os livros Clima de montanha e outros climas, livro de ensaios, Diário I: O tempo é cruel, A esposa de prata, livro de contos e Eunice, um romance.
O autor faleceu em Belo Horizonte, aos 79 anos, em 1997. Ele escrevia sob os pseudônimos: Ed., Et., Jef, Ávila Júnior, Arrégui Filho, João Sem Medo e Brás Cubas. Foi eternizado no Palácio das Artes, em 2016, quando a Fundação Clóvis Salgado inaugurou o mineiramente sofisticado Centro de Convivência, Informação e Memória João Etienne Filho. Em 2018, quando completaria 100 anos, os alunos do mestre no curso clássico do Colégio Estadual Central, pregaram na parede da Cantina do Lucas, no edifício Maletta, a placa com o poema Isto é meu, de 1967.



