Miniatura

Acadêmico
Milton Reis
Número de Cadeira
08 Patrono: Batista Martins
Data de Posse
30 de maio de 1995
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O escritor, poeta, político e advogado Milton Vitta Reis, nasceu em Congonhal, no sul de Minas, hoje Pouso Alegre, em 1º de Maio de 1929, filho do dentista Sebastião Mariano dos Reis e da professora Ismênia Vita Reis. Casou-se com Marina Guimarães Mascarenhas Reis, com quem teve dois filhos.
Estudou todo o curso ginasial no Colégio São José, de Pouso Alegre, Minas Gerais, e o concluiu em 1943. Cursou o 1º ano de curso clássico no Colégio Municipal de Alfenas e o 2º e 3º anos do curso clássico no Instituto de Ciências e Letras de São Paulo. Iniciou o curso de Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade São Paulo, onde colou grau, em 1952.
Quando acadêmico, em 5 de novembro de 1949, conquistou o Prêmio Nacional de Oratória em concurso realizado na Bahia, no qual representou os acadêmicos de Direito do Largo de São Francisco, no centenário de nascimento de Rui Barbosa. Como jornalista, trabalhou na Gazeta, de São Paulo de 1946 a 1950, e colaborou no suplemento literário do Estado de Minas, na revista Acaiaca e na revista O Malho, do Rio de Janeiro, no limiar dos anos 50.
Advogou em Pouso Alegre no início da carreira, e posteriormente em São Paulo, nos escritórios do Senador Moura Andrade e do Deputado Emílio Carlos, e, no Rio de Janeiro, na década de 1970. No início de sua carreira política, elegeu-se suplente de deputado estadual por Minas Gerais na segunda legislatura, entre 1951 e 1955, pela coligação do Partido Trabalhista Brasileiro e do Partido Trabalhista Nacional, no qual assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa, em 1952.
Milton Reis ocupou a 2ª Vice-Presidência, em 1955; integrou as Comissões de Constituição, Legislação e Justiça, em 1956, e a 2ª Secretaria da Comissão Executiva, em 1957; foi líder da bancada na Câmara dos deputados entre 1957 e 1958; líder na Assembleia Legislativa e de Serviço Público, em 1958.
Em 1959, foi eleito deputado federal por Minas Gerais, pelo PTB, e reeleito em 1962, permanecendo até 27 de outubro de 1965, quando o partido foi extinto pelo AI-2. Ainda como deputado federal sob a legenda do PTB, cuja bancada liderou, foi vice-líder da oposição de 1964 a 1966.
Em 1963, na Câmara dos Deputados, Milton Reis integrou a Comissão de Orçamento e Fiscalização Financeira, foi vice-líder da maioria, de 1962 a 1963, foi, ainda, membro das CPI’s sobre a situação das populações atingidas pelo represamento de Furnas, de 1963 a 1967 e sobre a ligação da Estrada de Ferro Central do Brasil com a Rede Mineira de Viação, de 1964 a 1965, entre outras comissões parlamentares de inquérito.
No PTB, galgou as mais importantes posições partidárias, inclusive as de Secretário-Geral da Comissão Executiva Nacional e de Presidente da Comissão Executiva. Em agosto de 1965, foi escolhido e lançado pelo PTB de Minas Gerais, candidato ao Governo do Estado. Em setembro do mesmo ano, entretanto, renunciou para apoiar Israel Pinheiro da Silva como candidato das oposições ao governo de Minas pela coligação PSD-PTB.
Realizou numerosas viagens ao exterior como representante do Brasil e integrou a delegação brasileira à União Soviética, em 1963, à Alemanha Ocidental, em 1965 e ao Irã, em 1966. Com a instituição do bipartidarismo, foi um dos fundadores do MDB, em 30 de março de 1966, candidatou-se em um mandato pelo Movimento Democrático Brasileiro e tornou-se vice-líder da nova bancada.
Em 1967, compôs parte da mesa da Câmara como 2º Secretário, e foi reconduzido em 1968. Eleito para a 6ª Legislatura de 1967 a 1971, sob a legenda do MDB, teve o seu mandato de Deputado Federal cassado e os seus direitos políticos suspensos por força do AI-5, em 16 de janeiro de 1969. Participou do Congresso Latino-Americano Pró-Anistia, realizado na Argentina, em 1968.
Depois da anistia de 1979, voltou à militância política e elegeu-se deputado federal para o período de 1983 a 1987. Em 1986, elegeu-se deputado federal para o quadriênio de 1987 a 1991. Com a transformação do MDB em PMDB, foi eleito, em março de 1983, 3º vice-Presidente Nacional do Partido e, em março de 1986, Secretário-Geral do PMDB Nacional, cargo que exerceu até abril de 1989.
Nesse período, como Deputado Federal, foi titular das Comissões de Relações Exteriores, em 1983, de Esporte e Turismo entre 1983 e 1986, de Economia entre 1986 e 1987 e de Sistematização, de 1987 a 1988. Foi, ainda, suplente das Comissões de Constituição e Justiça, de 1983 a 1987, de Organização dos Poderes e Sistema de Governo, da Subcomissão do Poder Executivo e Vice-Presidente da Comissão de Esporte e Turismo, em 1987.
Milton Reis deixou o PMDB após rompimento com o governador de Minas, Newton Cardoso, retomando ao seu antigo partido, o PTB. Foi um dos delegados do Parlamento brasileiro junto à ONU, em 1987. Foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de Brasília.
Foi eleito para Academia Mineira de Letras, em sucessão a Edison Moreira na cadeira nº 8, patrocinada por Baptista Martins; foi também membro da Academia de Letras da Faculdade de Direito da USP, cadeira nº 11, e professor Honoris Causa da Faculdade de Direito do Sul de Minas. Em 18 de março de 1991, tomou posse como Secretário de Estado de Assuntos Metropolitanos no Governo Hélio Carvalho Garcia, filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro, cargo que ocupou até 1993.
Milton Reis foi ainda Diretor Geral do DETEL de 1995 a 1996, vice-presidente da COPASA, entre 1997 e 1998 e, depois, assessor especial do Gabinete do governador do estado de Minas Gerais. O poeta, de serenidade resplandecente e educação desconcertante, faleceu aos 86 anos, em 18 de fevereiro de 2016, no Rio de Janeiro.
Publicou as obras poéticas Perfume Antigo, poesias, Ed. Saraiva, de 1953; Estudos de Direito Romano, de 1954; No tempo dos turunas (s/d); Brumas do Passado, de 1954; Ritmos de Primavera, poesias, Ed. Pongetti, de 1955; O crime preter-intencional, de 1959; Vozes da Minha Fonte, também poesias, Ed. Pongetti, de 1973; A Trajetória do Poder: de Cesário Alvim a Aécio Neves, política, Ed. Armazém de Ideias, de 2008.



