Miniatura

Acadêmico
Belmiro Braga
Número de Cadeira
08 Patrono: Batista Martins
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O poeta Belmiro Belarmino de Barros Braga nasceu em 7 de janeiro de 1872, na Fazenda da Reserva, em Vargem Grande, distrito de Juiz de Fora, filho de José Ferreira Braga, comerciante português, e de D. Francisca de Paula Braga, brasileira. Herdou, possivelmente, a veia poética do avô materno, Francisco Lourenço de Barros..
Aos 11 anos, em março de 1883, ingressou no ensino primário no colégio Atheneu Mineiro, em Juiz de Fora, mas abandonou os estudos, em outubro do mesmo ano, após o falecimento de sua mãe, e trocou a escola pelo balcão da venda para auxiliar seu pai nos negócios.
Belmiro Braga foi descoberto como poeta por Antônio Fernandes Figueira, médico, precursor da pediatria brasileira, de quem se tornou amigo. Fernandes Figueira, colaborava em revistas da capital do país, com o pseudônimo de Alcides Flávio, e partiu dele a iniciativa de que os primeiros versos de Belmiro Braga fossem publicados no Rio de Janeiro e, de certa forma, a orientação e a formação intelectual também.
Mas a descoberta não parou por aí. Um tempo depois, o poeta cearense Antônio Salles, de passagem pela região, conheceu os versos de Belmiro e os espalhou com alegria, em um artigo na imprensa carioca, como “João de Deus Mineiro”.
O tempo passou e a vida abriu para Belmiro outros caminhos: residiu em Muriaé, depois Tombos, e foi em Carangola, no ano de 1891, no dia 7 de fevereiro, que se casou com Otília Portilho, filha de um advogado local, com quem teve três filhos, dois mortos ainda na infância e um terceiro, José Epitácio, que herdou a verve satírica do pai, mas não deixou nada publicado.
Em 1895, Belmiro Braga retornou a Juiz de Fora e em dezembro começou a publicar no jornal O Pharol e no Correio de Minas sob o pseudônimo de Sá Cristão. Nesse período, trabalhou no cartório da família como Tabelião e no ofício diário do cartório versava, algumas vezes, em contratos de compra e venda.
Em 1901 foi comerciante na Estação de Cotegipe, onde reencontrou o poeta cearense Antonio Salles que o incentivou a publicar seu primeiro livro, Montezinas, que foi impresso no Porto, em Portugal, em 1902, e prefaciado por Batista Martins, um amigo de Carangola.
Com a divulgação de seus trabalhos, Belmiro Braga conquistou, em pouco tempo, razoável popularidade como poeta e alcançou sucesso, chegando a ter poesias publicadas em castelhano. Publicou depois Cantos e Contos, em 1906; Rosas, em 1911; Contas do Meu Rosário, em 1918 e vários outros sem data conhecida: Coisas do povo, Zás-Trás, Todo Marido, Amigo verdadeiro, Que trindade! , Os candidatos na cidade, Coisas da vida, Porto Madureira, Colares, Um Juiz de Paz em Juiz de Fora, O avental. Publicou também A moda, em 1918; Tarde Florida, em 1923 e, finalmente, Redondilhas, em 1934. Posteriormente, viajou para a Europa, onde escreveu seu livro de memórias, Dias idos e vividos, publicado em 1936.
Belmiro Braga foi colaborador em jornais e revistas, nos quais deixou numerosa produção esparsa. Sua obra revelou uma vertente parnasiana, e parte de seus poemas enaltece a comida e os costumes de sua terra natal, apesar da fama. Nunca perdeu a identidade de “Trovador de Vargem Grande” e “Rouxinol Mineiro”. Além desses, também publicou poemas satíricos e epígrafes com uma fina ironia, destinadas principalmente a criticar os políticos, escreveu crônicas e peças de teatro.
Uma das curiosidades sobre a vida do escritor foi o fato de comprar livros e desmanchá-los para que fizessem menos volume e os capítulos pudessem ser levados ao ambiente de trabalho, sem chamar a atenção do patrão. Foi o fundador da cadeira 8 da Academia Mineira de Letras. Belmiro Braga faleceu em Vargem Grande, no dia 31 de março de 1937.



