Miniatura

Acadêmico
Eduardo Frieiro
Número de Cadeira
07 Patrono: Luiz Cassiano
Data de Posse
11 de dezembro de 1944
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Eduardo Frieiro, autodidata na plena acepção da palavra – não terminou nem o curso primário –, aposentou-se como catedrático da Faculdade de Filosofia da UFMG. Autor de uma vasta e diversificada obra, leitor incansável em várias línguas, nasceu no dia 05 de julho de 1892, em Matias Barbosa (distrito de Juiz de Fora), mas morou em Belo Horizonte toda sua vida. Filho de imigrantes espanhóis, “galegos sem letras” – o pai era pedreiro, e a mãe, doméstica – de origem proletária. Casou-se com Noêmia Pires Frieiro e não tiveram filhos.
Iniciado o curso primário, começou a trabalhar aos onze anos de idade como aprendiz de tipógrafo da Imprensa Oficial de Minas Gerais. De singular inteligência e extremo bom gosto, conquistou, por concurso, o posto de revisor do Minas Gerais, órgão oficial do Estado, e galgou sucessivamente os postos de chefe de revisão, redator e redator-secretário daquele órgão.
Como amante dos livros e polígrafo, realizou intensa produção crítico-literária e foi assistente técnico do diretor da Imprensa Oficial. Escreveu sobre Etnologia, Literatura, Filologia, Filosofia, História, etc. Além disso, manteve intenso contato epistolar com diversos intelectuais do Brasil e do exterior, (como Otto Maria-Carpeaux, Brito Broca, Cyro dos Anjos e Afrânio Coutinho).
No início da década de 1920, começou a escrever para diversos órgãos de imprensa do eixo sudeste, fundou a Sociedade Editora Amigos do Livro que teve entre seus 20 sócios nomes como Drummond, Aníbal Machado e Cyro dos Anjos, e editou os primeiros livros de Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura, Mário Casasanta, Aires da Mata Machado Filho e João Alphonsus de Guimaraens, entre outros membros da intelectualidade belo-horizontina do início do século XX.
Iniciou carreira literária em 1924, quando publicou em jornais, assinados sob o pseudônimo de Luís Taques, cinco artigos e o conto As Delícias do Football. No ano seguinte, como parte da obra Minas Gerais em 1925, organizada pelo jornalista Vítor Silveira, apareceu seu estudo As Artes do Desenho em Minas Gerais. Nesse ano também, produziu um jornalismo literário, designadamente o velho Diário de Minas e foi porta-voz do PRM.
Em 1927, juntamente com Arthur Versiani Velloso, fundou a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, onde lecionou por mais de trinta anos como catedrático de Línguas e Literaturas Românicas – notadamente, Língua Espanhola e Portuguesa –, e foi em seguida agraciado com o título de Professor Emérito da mesma Universidade. Também atuou como secretário da Revista Kriterion, órgão da mesma instituição. Ainda em 1927, passou a trabalhar em seu primeiro livro e publicou O clube dos grafômanos, um romance da vida literária, muito bem recebido pela crítica.
Alcançaram, também, um bom êxito da crítica, as obras: O mameluco Boaventura, romance histórico de 1929, situado na época do Conde de Assumar; Inquietude, melancolia, romance introspectivo, com certos resíduos autobiográficos, de 1930, e o ensaio O brasileiro não é triste, publicado pela Lume em 1931.
A convite do governador à época, Juscelino Kubitscheck, organizou e tornou-se o primeiro diretor, por dez anos, da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, e criou as Edições Pindorama, onde Drummond publicou Alguma poesia, em 1930. Em 1932, publicou A ilusão literária, ensaios sobre a arte de escrever e a vida do escritor. Quatro anos depois voltou ao romance, com O cabo das tormentas; em 1937, publicou Letras mineiras, uma crítica.
Em intensa atividade jornalística, escreveu de 1927 a 1939, ininterruptamente, para a imprensa de Belo Horizonte. De 1946 a 1954, escreveu artigos semanais, literários, para o Estado de Minas, tendo colaborado ainda, esporadicamente, na Folha da Manhã, no Diário de São Paulo e no Correio da Manhã.
Em 1944, foi eleito membro da Academia Mineira de Letras para a cadeira nº 7, patrocinada por Luís Cassiano Júnior. Em 1954, presidiu a comissão de planejamento da Biblioteca Pública de Minas Gerais e em 1960 recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Recebeu, por igual, do Governo de Minas Gerais a Medalha de Mérito da Inconfidência.
Nesse entretempo, publicou Os livros nossos amigos, em 1941, com reflexões de um amigo do livro pela Editora Paulo Bluhm; Como era Gonzaga?, de 1950, com considerações em torno da representação visual do poeta de “Marília de Dirceu”, publicações da Secretaria da Educação do Estado de Minas Gerais; Poesia afro-antilhana, em 1955; Páginas de crítica e outros escritos, em 1956; O Diabo na livraria do Cônego, em 1957, romance sobre a biblioteca do Inconfidente Cônego Luís Vieira da Silva e temas mineiros pela Livraria Cultura Brasileira.
Publicou, ainda, O alegre Arcipreste: e outros temas da literatura espanhola, em 1959, pela Livraria Oscar Nicolai; O romancista Avelino Fóscolo e Notas sobre João Ribeiro, em 1960, pela Secretaria de Educação de Minas Gerais; Feijão, angu e couve: um precioso ensaio sobre a comida dos mineiros, no mesmo ano, pelo Centro de Estudos Mineiros da UFMG; Torre de papel: motivos literários, em 1969, e o O elmo de Mambrino, em 1971, também pela Imprensa Oficial.
Solitário, um tanto arredio, no entanto de tratamento afável, se auto definia como um “Robinson solitário”. Preferia o seu canto e o sossego de sua biblioteca. Em 1982, no dia 23 de março, faleceu em Belo Horizonte. Em obras póstumas, foram publicadas Encontro com os escritores, em 1983; Novo diário, em 1986, e Poetas satíricos mineiros (s/d). Em 2012, o Governo de Minas Gerais, pela Lei nº 20.577, instituiu o dia 05 de julho como "Dia da Gastronomia Mineira" em homenagem ao nascimento de Eduardo Frieiro.



