Miniatura

Acadêmico
Avelino Fóscolo
Número de Cadeira
07 Patrono: Luiz Cassiano
Data de Posse
25 de dezembro de 1909
Posição na Cadeira
Fundador
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
O anarquista sabarense, Antônio Avelino Fóscolo, autor do primeiro romance ambientado na então recente capital mineira, Belo Horizonte, nasceu em Sabará no dia 14 de novembro, de 1864, filho de José Caetano de Paula Rocha e de Maria Avelino da Silva Dinis, esta atuando como Mãe solo e costureira. Avelino ficou órfão, ainda criança, aos oito anos de idade, e foi entregue, junto à irmã mais velha, a um tutor.
Na condição de tutelado na casa de um professor, Avelino Fóscolo foi tratado como um intruso, não suportou os maus tratos e a humilhação e, pouco tempo depois, fugiu de casa indo parar na mina de Morro Velho, em Congonhas de Sabará, hoje Nova Lima. Trabalhou com pessoas escravizadas e ganhou o apelido de “branquinho”. O apelido marcou não apenas sua condição de homem livre, mas também de um branco entre negros, muito embora a miséria fosse comum a todos ali.
Um dia qualquer, sua vida ganhou outra perspectiva: o americano Luiz Keller passava pelos arredores de Nova Lima com sua trupe, a Companhia de Quadros vivos com seu espetáculo de representar no palco, com figuras vivas, as pinturas mais célebres dos museus. Avelino enxergou essa como uma nova oportunidade e seguiu junto da companhia. Percorreu o Brasil e algumas repúblicas do Sul, conviveu no grupo com pessoas de várias nacionalidades e aprendeu inglês e mais sete línguas. Fez-se depois ator ambulante.
Com a companhia pôde dedicar-se às leituras de que tanto gostava, mas que nunca pudera fazer na casa do tutor, onde lia escondido os livros de seus filhos. Gostava de ler a Bíblia, por forte influência e formação religiosa de sua mãe, e, anos depois, recordou com ironia que “ser santo foi uma veleidade que tivera em criança”. Lia também Alexandre Dumas Pai, Jules Verne e Victor Hugo.
Anos mais tarde, abandonou Keller e dedicou-se aos estudos em Ouro Preto e no Rio de Janeiro. Nesse período, sobreviveu com o que ganhava de seu trabalho no comércio. Não abandonou o teatro e logo depois integrou-se na Cia. de Antônio Fernal, um português que percorria as cidades mineiras com sucesso.
Em 1886, a companhia de Fernal encontrava-se em Oliveira, Minas Gerais, e Fóscolo escreveu sua primeira peça teatral, a opereta Os Estrangeiros Fernal fixou residência na cidade e Avelino retornou a Sabará, onde se reencontrou com os amigos de infância, dois dos quais lhe eram especialmente queridos e importantes: Luís Cassiano Martins Pereira Júnior e Artur Lobo.
O trio de amigos, embora tenham estudado na Escola de Minas, em Ouro Preto, tornaram-se autodidatas em diversas áreas e enveredaram em leituras de ciências, estudaram o francês e leram avidamente toda a literatura que lhes chegava às mãos. A preferência deles eram obras que tinham, sobretudo, um caráter contestatório e revolucionário: liam Guerra Junqueira, autor português odiado pela Igreja Católica; Eça de Queirós, que causava escândalo com O Primo Basílio e O crime do Padre Amaro; dos franceses liam os romances, mas também os escritos sobre literatura e política de Victor Hugo, Émile Zola, Flaubert e a obra de Auguste Comte e suas considerações sobre a evolução da humanidade.
A partir de 1887, essas discussões, que os três amigos nutriam, foram levadas a público através da participação deles na Folha Sabarense, jornal local dirigido pelo professor Antônio de Paula Pertence Júnior, fundado em 1884. Foi na Folha Sabarense que Avelino estreou na imprensa, embora o trabalho do teatro continuasse.
Paralelo ao teatro, Avelino passou a colaborar semanalmente no jornal sabarense, e foi pela pena e pela palavra que combateu a escravização e a precariedade dos brasileiros no século XIX. No mês de outubro de 1887, lançou o conto A suicida, cuja polêmica circulava em torno da causa abolicionista. Em janeiro, do ano seguinte, estreou no teatro o drama A vingança do escravo, que permaneceu em cartaz durante muito tempo, apesar do desagrado das companhias de mineração.
Em 1888, conheceu Maria Gonçalves Ribeiro, uma jovem estudante interna no Colégio Normal de Sabará. Os dois se apaixonaram e Fóscolo passou a escrever-lhe poemas de amor publicados na Folha Sabarense, sob o pseudônimo “Magafe”. No mesmo ano, Maria retornou à sua cidade natal, Taboleiro Grande, hoje Paraopeba, e Avelino decidiu acompanhá-la. Ao chegar, por intermédio da futura sogra, conseguiu convencer o pai de Maria, Manoel Pinto Ribeiro, a aceitá-lo como genro, apesar de sua precária condição econômica. Tornou-se empregado do sogro, farmacêutico do povoado e, em maio, formalizou o noivado e o casamento realizou-se antes do fim do ano.
Em agosto de 1889, seu amigo Artur Lobo empreendeu a fundação do jornal O contemporâneo, cujo nome homenageava o mineiro Augusto de Lima e no qual, orgulhosamente, Avelino passou a publicar diversos artigos. Combatentes assíduos da monarquia e incomodados com certos aspectos da “nova república”, em 1891, Avelino e Luís Cassiano candidataram-se a vereadores e tiveram ambos uma esmagadora derrota.
Em atitude pioneira, em fins de 1892, Avelino fundou, na pacata Tabuleiro Grande, um periódico que divulgava informações e artigos. Logo no início de 1893, no dia 6 de janeiro, ele realizou um velho sonho: fundou seu primeiro jornal, A Vida, definindo-se como “órgão literário”. O jornal durou apenas três anos, pois em 1896 Avelino realizou algumas mudanças no jornal e alterou seu nome para O Industrial, que basicamente apresentou-se como um jornal de denúncia aos ideais das propagandas republicanas.
Em meio ao espírito revolucionário, Avelino e Luís Cassiano escreveram juntos o romance A Mulher, que foi publicado em 1890 por uma editora do Rio de Janeiro. Em 12 de dezembro de 1897, lançou, sozinho, seu primeiro romance A capital. Empreendeu também a construção de um teatro e uma biblioteca aberta ao público, no mesmo prédio. O teatro foi construído em 1902 e ali eram representadas várias peças de cunho libertário, denominado Clube ? Dramático e Literário.
Embora farmacêutico, já casado e com dez filhos, Avelino continuou a escrever e publicou, em 1902, pela Imprensa Oficial O Caboclo. Em 1903, publicou O Mestiço, lançado pela editora Joviani&Comp, que relata a triste realidade dos cativos em uma fazenda nas proximidades de Sabará. Em 1906, Avelino fundou um jornal de edição irregular, impresso em cores vermelho e negro, A Nova Era, cujo primeiro número publicou em julho daquele ano.
Nesse ínterim, escreveu dois romances, No Circo e O Jubileu, este a continuação do primeiro. Entretanto, ao que se sabe, O Jubileu teve alguns capítulos publicados em 1907 na “Nova Era”, e foi publicado integralmente no jornal A Lanterna, em 1909 e 1910; No Circo, foi publicado em apenas alguns folhetins n’A Lanterna, em 1913 e 1914.
Em 1910, Avelino foi eleito fundador da cadeira sete da Academia Mineira de Letras, sob a condição de poder indicar o velho amigo companheiro Luís Cassiano como patrono da cadeira. Em 1912, Avelino candidatou-se novamente para vereador e venceu com facilidade, assumiu o cargo em março, mas em setembro do mesmo ano renunciou. Em 1915, a história da candidatura repetiu o mesmo rumo e o escritor decidiu mudar-se para Belo Horizonte.
Foi na capital mineira que Avelino escreveu Vulcões, romance publicado na cidade do Porto pelas Casa Editora de Carlos Ventura e Companhia Ltda. Em 1921, inscreveu O Demônio Moderno e O Semeador numa lista de peças que seriam representadas no Teatro Municipal de Belo Horizonte, sendo o primeiro escolhido.
Em 1944, no dia 29 de agosto, faleceu deixando os originais de Morro Velho, romance escrito, no início da década de 40, no balcão de sua farmácia, em pequenos pedaços de papel e margens de jornais. O manuscrito póstumo datilografado provavelmente por seu filho Hugo Fóscolo, em 1944, foi publicado somente em 1999 pela UFMG.



