Miniatura

Acadêmico
José Carlos Lisboa
Número de Cadeira
06 Patrono: Bernardo de Vasconcelos
Data de Posse
15 de abril de 1982
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Responsável por uma extensa obra como professor, escritor, acadêmico, radialista, tradutor, literato e um dos pioneiros na consolidação do ensino superior no Brasil, José Carlos Lisboa nasceu em Lambari, Sul de Minas, no dia 4 de novembro de 1902. Filho do ex-deputado federal e conselheiro João de Almeida Lisboa e de Maria Rita de Vilhena Lisboa, irmão da poeta Henriqueta Lisboa e da pedagoga Alaíde Lisboa de Oliveira, iniciadora da Didática Nova, era tio de Maria Lisboa, Secretária Municipal de Educação de Belo Horizonte. Fez o primário no Grupo Escolar Dr. João Bráulio Júnior e o secundário no Ginásio São Joaquim, em Lorena, São Paulo.
Formou-se em Farmácia, em 1922, em Pouso Alegre, Minas Gerais, bacharelou-se em Direito, em 1935, pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil e, posteriormente, doutorou-se em direito pela mesma universidade. Em meados de 1932, trabalhou na antiga Pharmácia da Empreza – Águas Virtuosas, pertencente à família Lisboa, mas depois seguiu carreira de professor universitário, escritor e crítico literário na capital mineira e no Rio de Janeiro.
No final da década de 1930, participou da fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Minas Gerais (UMG), hoje UFMG, em Belo Horizonte, onde deu aulas de Língua e Literatura Espanhola a partir da década de 1940, e também do curso de Jornalismo da Faculdade de Filosofia da UFMG. De destacada atuação cultural, na década de 30 foi chefe de gabinete do prefeito de Belo Horizonte, José Oswaldo de Araújo, e apresentou três programas na Rádio Inconfidência: A vida e a obra dos grandes mestres, Rádio-Teatro e Cortina da Semana.
Sua jornada na academia e na administração ressoou com uma intensidade vibrante e um dinamismo inspirador Em 1960, tornou-se catedrático de Língua e Literatura Espanhola da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, hoje UFRJ. Em 1967, participou da criação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da qual foi o primeiro diretor, função que exerceu até 1971. Lecionou nos cursos de pós-graduação da Faculdade de Letras da UFRJ e recebeu o título de Professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.
Foi um grande incentivador da cultura espanhola, tendo fundado e dirigido o Ateneu Garcia Lorca; o Instituto Brasileiro de Cultura Hispânica, do qual foi Conselheiro; fundador e ex-presidente do Centro de Estudos Hispânicos da Universidade do Brasil, que também idealizou e organizou. Criou, ainda, o Seminário Menéndez Pidal, da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Exerceu o cargo de diretor de Publicações e Divulgação da Biblioteca Nacional e foi membro do Conselho Nacional de Cultura.
Hispanista, filólogo, escritor rigorosíssimo em suas pesquisas, tornou-se membro da Academia Brasileira de Filologia e, em abril de 1982, foi eleito para a Academia Mineira de Letras. Consagrou sua vida ao magistério universitário e à literatura espanhola. Foi, igualmente, professor fundador e catedrático de Língua e Literatura Espanhola da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais.
Amigo pessoal de Carlos Drummond de Andrade e de outros escritores contemporâneos, possuía um rico acervo bibliográfico de mais de oito mil volumes, deixado de herança a seu único filho, José Carlos Lisboa Júnior. Entre eles, as obras completas de Cervantes e Federico Garcia Lorca, além de algumas raridades literárias, como o manuscrito do célebre poema A mesa, de Carlos Drummond de Andrade. Fazendo de cada aluno um amigo e de cada amigo um admirador, sua biblioteca sempre esteve disponível generosamente aos alunos que o procuravam.
Lisboa mergulhou na literatura, publicou cerca de 14 livros, entre romances, poesias, ensaios e peças de teatro, como: Ao correr do tempo I e II, uma coletânea de textos; A província e O rei do câmbio, teatros; O teatro de Cervantes, ensaio e Da vida à vivência outro ensaio de 1951; Espírito Mediterrâneo, coletânea de ensaios; Conceitos de linguística fabular, publicado em 1984; Poesia e Henriqueta, ensaio de 1984; Xavier e o Caraça, um depoimento literário, de 1987; A casa do bode, uma peça folclórica, O homem e a gente, Filhos partidos, novela em três pessoas, Rainha das onças, romance e teatro popular, entre outros. Sua tese de cátedra, publicada pela Editora Sedegra, foi Lorca e bodas de sangre. Pela livraria José Olympio editou sua última obra, em 1985, o romance Vicente e o outro.
Em 4 de junho de 1994, contando seus 92 anos de idade, faleceu em Belo Horizonte, deixando saudades em uma legião de amigos e ex-alunos.



