Miniatura

Acadêmico
Mello Cançado
Número de Cadeira
06 Patrono: Bernardo de Vasconcelos
Data de Posse
18 de agosto de 1966
Posição na Cadeira
2° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Antônio Augusto de Mello Cançado foi uma figura cercada de muita admiração pelo seu exemplo humanista, de bondade e respeito ao semelhante. Nasceu em Pará de Minas em 1º de março de 1912, e faleceu em Belo Horizonte, em 22 de agosto de 1981.
Filho dos professores Augusto Lopes Cançado e Judite Ester de Mello Cançado, iniciou os estudos em sua terra natal e continuou em Miraí, também em Minas Gerais. Na cidade de Juiz de Fora cursou Humanidades na Academia do Comércio, de 1922 a 1928, com clérigos da Congregação Verbo Divino. Ele tinha a intenção de seguir a vida religiosa, na mesma congregação, contudo, as condições de saúde não lhe permitiram. Em 1928, casou-se com Maria da Glória Machado de Mello Cançado.
No ano seguinte, em 1929, tornou-se professor de Português e Latim no Ginásio São Geraldo, em Pará de Minas. Em Belo Horizonte, onde se fixou logo depois, trabalhou como cobrador, e, em seguida como linotipista, no jornal Estado de Minas e lecionou as mesmas disciplinas e também filosofia, no Instituto Padre Machado. Ainda na capital mineira, em 1941, formou-se em Direito pela Universidade de Minas Gerais, hoje UFMG.
A partir de 1944 atuou como jornalista profissional e fez parte do quadro de redatores de O Diário, matutino de inspiração católica editado na capital mineira. Colaborou em vários órgãos de imprensa do país, entre os quais: Folha de Minas, Estado de Minas, Correio Paulistano, Lar Católico, Minas Gerais, Jornal de Montes Claros - esse criado na de década de 1950 pelo jornalista e escritor Oswaldo Antunes, grande amigo de Mello Cançado desde o início de O Diário, que ficou conhecido como “o mais lido do norte de Minas”.
Em 1951, conquistou o grau de Doutor pela Faculdade de Direito da UFMG, com sua aprovação em concurso para a cátedra de Direito Romano, apresentando a tese Patrícios e plebeus. A partir desse momento, exerceu o magistério na Faculdade de Direito da UFMG e também lecionou no curso de doutorado.
Entrou para o serviço público estadual, na Secretaria da Educação, onde alcançou o cargo de Técnico de Educação e permaneceu em atividade cerca de 33 anos, tendo chefiado o Departamento de Ensino Primário, em 1950, e o Departamento de Educação entre 1961 e 1964. No ano seguinte, em 1965, desempenhou a função de Secretário de Estado, no período do governo de Magalhães Pinto.
De 1950 a 1970, lecionou Sociologia Aplicada nos cursos da Escola de Enfermagem Carlos Chagas, hoje integrante da UFMG. Em 1951, foi aprovado em concurso de Direito Romano na Faculdade de Direito da UMG, ali lecionou, desde 1953 até falecer. De 1955 a 1958, durante a gestão do Prefeito Celso Melo de Azevedo, dirigiu o departamento de Educação e Cultura da Prefeitura de Belo Horizonte.
Em 1961, foi nomeado Diretor-Geral do Departamento Nacional de Educação, mas não chegou a assumir o cargo, declinando da honra por motivos superiores. Tornou-se membro do Conselho Estadual de Educação desde a criação do órgão, em 1962, no qual integrou as Câmaras de Ensino Médio e Planejamento e Normas até à véspera de seu falecimento. Também foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais – IHGMG, do qual era orador oficial, da Academia Municipalista de Letras, dos Institutos Históricos de Campanha e Juiz de Fora. Pertenceu, ainda, à Sociedade Brasileira de Romancistas e à Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos. Foi eleito para a Academia Mineira de Letras na sucessão do historiador Salomão de Vasconcellos, em agosto de 1966.
Antônio Augusto de Mello Cançado deixou ampla e diversificada obra. Dirigiu a Revista da Faculdade de Direito da UCMG e publicou vários ensaios em revistas especializadas. Publicou os livros Patrícios e plebeus, tese de concurso em 1949; Temas e figuras, coletânea de estudos de sociologia, filosofia e religião, no mesmo ano; Presença de Vila Rica, publicado pela Movimento-Perspectiva no ano de 1965; Literatura infantil, em 1971; Moral, Direito, Profissão, Em louvor de Pitangui e O direito de ser feliz, também no mesmo ano. No ano seguinte, divulgou Manoel Thomaz de Carvalho Britto e O primeiro mestre. Em 1974 publicou 250 anos de música em Minas e em 1979, Rui, tribuno do povo. Varanda 36 e Pequeno ofício de esperança foram obras póstumas e deixou inédita a obra Breve história do Direito.
Prof. Mello Cançado, como era respeitosa e publicamente conhecido, foi professor-fundador e decano da Faculdade Mineira de Direito, hoje Universidade Católica de Minas Gerais, da qual foi diretor por dez anos consecutivos, até a sua consolidação na Praça da Liberdade, em edifício cuja construção Dom Antônio dos Santos Cabral, primeiro arcebispo metropolitano da capital, ajudou decisivamente. Por sua atuação na Faculdade de Direito, Mello Cançado recebeu das mãos de outro arcebispo, Dom João Resende Costa, o título de Sócio Benfeitor da Sociedade Mineira de Cultura, mantenedora da Universidade Católica, passando igualmente a integrar o seu corpo de diretores. Ainda na Universidade Católica, lecionou Sociologia, na Escola de Serviço Social, da qual foi co-fundador juntamente com o Padre Arnaldo Leal, na Faculdade de Filosofia e de Enfermagem da mesma universidade.
Intelectual da mais alta qualidade, professor, jornalista, historiador, escritor, poeta e orador, foi condecorado com a Medalha da Inconfidência, Medalha de Ouro Santos Dumont, Medalha Dom Cabral, entre outras. Recebeu, também, os títulos de Cidadão Honorário de Pitangui e de Laranjal, e de Cidadão Benemérito de Pará de Minas, em 19 de novembro de 1964, sendo o primeiro homenageado pelo município. O amor à terra natal permeou suas ações ao longo da vida, buscando e canalizando inúmeros benefícios que resultaram no progresso da cidade de Pará de Minas, com a criação de diversos grupos escolares e colégios, a Faculdade de Ciências Humanas, canalizou auxílios assistenciais às várias Instituições filantrópicas, Laboratório de ciências e à implantação da Biblioteca Pública, que posteriormente ao seu falecimento eternizou seu nome: Biblioteca Pública Prof. Antônio Augusto de Mello Cançado.



