Miniatura

Acadêmico
Francisco de Assis Magalhães Gomes
Número de Cadeira
05 Patrono: José Maria Teixeira de Azevedo Júnior
Data de Posse
24 de novembro de 1983
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Francisco de Assis Magalhães Gomes foi pioneiro na física nuclear no Brasil, o que lhe trouxe o apelido um tanto peculiar de “Chiquinho Bomba Atômica”, que incomodava tanto a ele quanto a seus amigos, visto que Magalhães, na verdade, era abertamente declarado contra a bomba atômica. Nascido em Ouro Preto, em 16 de janeiro de 1906, filho de Francisco de Paula Magalhães Gomes e Amália Brandão de Magalhães Gomes, teve no pai a influência decisiva em sua formação humanista e em seu interesse pela ciência. Seu pai foi médico, mas um médico dos pobres, botânico, químico e participou da fundação da Escola de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Transferiu-se muito cedo para Belo Horizonte com a família, e aqui cursou o primário no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e o secundário no Ginásio Mineiro, hoje Colégio Estadual. Magalhães decidiu voltar à sua terra natal para estudar na Escola de Minas; em 1928 formou-se engenheiro civil e de minas na referida Escola Nacional de Minas e Metalurgia de Ouro Preto, tendo ganhado uma viagem à Europa como prêmio de aluno laureado da turma.
No período de 1933 a 1938, trabalhou como engenheiro na Prefeitura de Belo Horizonte e, a partir de 1933, tornou-se professor de física do Curso Anexo da Faculdade de Medicina, pois desde estudante e por incentivo do pai dedicara-se ao ensino e à pesquisa da física. Em 1935, casou-se com Maria Clara Morgan Birchal, cujo nome passou a ser Maria Clara Birchal Magalhães Gomes, com quem teve treze filhos, cinco homens e oito mulheres.
Em 1938, assumiu, simultaneamente, as cátedras – por concurso público – de física da Escola de Minas de Ouro Preto e da Escola de Engenharia da UFMG. Em 1939, junto com outros professores e intelectuais, fundou a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, inicialmente como uma instituição privada, mas depois integrada à UFMG, em 1947, na qual Magalhães Gomes organizou o Departamento de Física. O físico teve um papel importante no processo de federalização da Universidade de Minas Gerais em 1949, quando atuou também como engenheiro fiscal das obras da Cidade Universitária da UFMG. No ano seguinte, em virtude da Lei Federal de acumulações, abandonou as cadeiras de Física das Faculdades de Engenharia de Belo Horizonte e de Ouro Preto, optando, assim, pela cátedra de Física Superior e Física Teórica, da Faculdade de Filosofia da UFMG.
Responsável por uma grande atualização e modernização do ensino e da pesquisa em física em Minas Gerais, promoveu o intercâmbio com instituições nacionais e internacionais, incentivando alunos e colaboradores a se especializarem no exterior. Em 1952, diante das pacíficas perspectivas de desenvolvimento e aplicações da energia nuclear, Francisco Magalhães liderou a organização do Instituto de Pesquisas Radioativas (IPR), da Escola de Engenharia da UFMG, atual Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, uma instituição pioneira no Brasil em pesquisas nucleares. Em 1953, foi o primeiro diretor do IPR, e nessa função deliberou sobre a instalação do reator Triga Mark I, até hoje em funcionamento, possibilitando a formação de várias gerações de pesquisadores na área nuclear.
De 1955 a 1957, integrou o Conselho Deliberativo do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), nomeado pelo presidente Café Filho e, a partir de 1962, foi membro efetivo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), nomeado pelo presidente João Goulart. Em 1965, Magalhães Gomes pediu demissão da CNEN por discordar dos rumos da política nuclear e em protesto à perseguição política contra cientistas pelo novo regime militar instaurado pelo golpe militar de 1964.
Francisco Magalhães foi também um dos organizadores e o primeiro diretor do Instituto de Ciências Exatas da UFMG (Icex), inaugurado em 1967 como resultado do movimento pela reforma universitária. Na década de 70, organizou e assumiu a direção do Observatório Astronômico da Serra da Piedade, órgão filiado ao Departamento de Física do Icex. Fez parte, como fundador e membro titular, da Academia Brasileira de Ciências e, já no final de sua vida, foi eleito, em novembro de 1982, para Academia Mineira de Letras, em virtude de sua formação humanista e de sua paixão pela literatura.
Durante muitos anos, em Belo Horizonte, atuou como colaborador do jornal O Diário, onde escreveu sobre assuntos políticos, sociais e culturais. No princípio da década de 80, foi convidado pelo Papa João Paulo II para integrar a Comissão Pontifícia constituída para rever o processo que, no século XVII, a Igreja Católica moveu contra o sábio italiano Galileu.
Seus trabalhos ultrapassam o campo acadêmico e transcendem ao desenvolvimento do país. Publicou História da Siderurgia no Brasil (1983) e A Eletrificação no Brasil (1986); foi agraciado, em 1973, com a “Medalha Carneiro Felipe”, concedida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e em junho de 1986, recebeu do governo da França a “Ordre des Palmes Académiques”.
Faleceu em Belo Horizonte em 17 de julho de 1990, aos 84 anos. Algum tempo depois, sua filha doou, para a UFMG, parte dos livros de sua biblioteca com temas específicos sobre o Brasil e de Literatura.



