Miniatura

Acadêmico
Cristiano Martins
Número de Cadeira
05 Patrono: José Maria Teixeira de Azevedo Júnior
Data de Posse
15 de dezembro de 1945
Posição na Cadeira
2° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Cristiano Martins da Silva, foi escritor, acadêmico, tradutor, professor e jurista, com uma contribuição valorosa para a cena literária mineira, cujos dotes de ensaísta - por seus estudos sobre Camões, Rilke, Goethe e suas traduções de Dante Alighieri - eram bastante difundidos, tornando-o um dos mais expressivos intelectuais do Brasil à época. Filho do magistrado e político Olinto Martins da Silva e de Aurora de Sena Martins, nasceu em 11 de setembro de 1912, em Montes Claros, Minas Gerais. Viveu na cidade até os cinco anos, pois seu pai, que atuava como juiz naquela cidade, deixou o cargo para se dedicar à advocacia em sua terra natal, Jequitinhonha.
Com a transferência da família para o extremo nordeste do estado de Minas Gerais, Cristiano Martins cursou o primário no grupo escolar Nuno Melo. Em 1921, a família mudou-se para Belo Horizonte, uma vez que o pai, Dr. Olinto, deveria exercer o mandato de deputado no Congresso Mineiro. Com isso, o escritor concluiu seu curso primário no grupo escolar Barão do Rio Branco, depois fez o curso secundário (atual ensino médio) no Colégio Arnaldo e matriculou-se, a seguir, na Faculdade de Direito, onde se diplomou em 1936. Ainda universitário, publicou Brejo das Almas, em 1934.
Na faculdade, foi um dos fundadores da Revista Surto, que se alinhava ao movimento de renovação literária corrente, embora tenha publicado apenas seis números. Ao se formar pretendia retornar a Jequitinhonha para iniciar sua vida profissional. Contudo, nesse momento recebeu, através do amigo e poeta Emílio Moura, um convite para ser oficial de gabinete de José Maria Alkmim, que acabara de ser nomeado Secretário do Interior. Em seguida tornou-se também oficial de gabinete, na gestão seguinte, de Márcio Gonçalves de Matos. O desempenho desses cargos ocorreu de setembro de 1936 a julho de 1940.
Em 1939 publicou Elegia de Abril, edição da Imprensa Oficial, e assumiu o cargo de assessor de redação do gabinete do Governador Benedito Valadares, que o convidou pessoalmente. Nesta função de chefe redator permaneceu até 4 de novembro de 1945, quando se extinguiu esse governo. Ao final desse período exerceu, a pedido do governador Martins Soares, o cargo de diretor geral do Departamento Estadual de Informações. Foi nesse tempo eleito para a Academia Mineira de Letras, em 1944, na vaga de Zoroastro Viana Passos, e em dezembro de 1945 tomou posse na cadeira nº 5, patrocinada por José Maria Teixeira de Azevedo Júnior.
De 1945 a 1950 lecionou Direito Municipal em um curso mantido pelo Departamento de Assistência aos Municípios da Secretaria do Interior, órgão no qual se tornou consultor jurídico. Tornou-se, também, professor contratado de Direito Administrativo na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais. Nesse interstício publicou, em 1944, Camões, temas e motivos da Obra Lírica, pela Amérie Editora, do Rio de Janeiro; e Rilke, o poeta e A poesia, Goethe e a Elegia de Marienbad, ambas em 1949, pela editora Panorama, de Belo Horizonte.
Servindo-se da experiência nos setores jurídicos especializados em que atuou, Cristiano Martins escreveu e publicou um tratado de Direito público municipal e administração dos municípios (1952), pela editora Mantiqueira, em Belo Horizonte. Em seguida retornou às funções públicas, nomeado secretário particular de Juscelino Kubitschek, de janeiro de 1951 a março de 1955, no Estado, e de janeiro de 1956 a agosto de 1957, na República. Pediu exoneração do cargo de secretário para assumir o cargo de Procurador Geral do Tribunal de Contas da União, no qual permaneceu até aposentar-se no serviço público, em 1967, mas no ano anterior, no governo de Israel Pinheiro da Silva, dirigiu a Imprensa Oficial de Minas Gerais, de outubro a dezembro de 1966.
Em sua biografia poética aparecem traduções e notas de Inferno e de A Divina Comédia, de Dante Alighieri, pela editora Itatiaia de Belo Horizonte, em 1977. Em 10 de junho de 1981 faleceu na capital mineira, deixando um extenso e magnífico legado, pois segundo o autor, “a poesia é eterna, essencial, permanente, poesia é palavra mágica. E contra ela nada podem o pragmatismo e a tecnologia”.



