Miniatura

Acadêmico
Alphonsus de Guimaraens Filho
Número de Cadeira
04 Patrono: Frei Velloso
Data de Posse
25 de março de 1946
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Affonso Henriques de Guimarães Filho nasceu em 3 de junho de 1918, em Mariana (MG), e faleceu em 28 de agosto de 2008, no Rio de Janeiro (RJ). Filho de Alphonsus de Guimaraens e Zenaide Sylvina Guimarães.
Em Belo Horizonte, para onde se transferiu com a família nos idos de 1923, estudou no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, de 1926 a 1929, e no Ginásio Mineiro, de 1930 a 1934. Já nessa altura, com apenas 16 anos de idade, começou a trabalhar como repórter no Diário da Tarde, curiosamente, cobrindo ocorrências policiais. Em 1940, bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais (atual UFMG).
No decorrer do curso superior, tornou-se empregado da Rádio Inconfidência, na qual permaneceu de 1937 a 1951. Nesse período, conviveu com intelectuais da grandeza de Aires da Mata Machado Filho, João Dornas dos Santos Filho, José Carlos Lisboa e Karl Weissman, entre outros nomes de peso que faziam parte do quadro de funcionários e colaboradores do serviço de radiodifusão estadual. Teve participação direta na preparação das pautas e na organização geral dos programas Caleidoscópio, Motivos e Temas da Literatura e Nos Domínios da Música, de cunho educativo-cultural. Além disso, foi diretor auxiliar, diretor interino e secretário da emissora em questão.
Posteriormente, assessorou Juscelino Kubitschek na esfera estadual, de 1951 a 1955, na condição de oficial de gabinete do governador. Ato contínuo, transferiu-se para o Rio de Janeiro, acompanhando JK na esfera federal, de 1956 a 1958, na qualidade de oficial de gabinete do presidente. Daí em diante, atuou como procurador adjunto do Tribunal de Contas da União até se aposentar, em 1972, na cidade de Brasília. Voltou, então, para o Rio de Janeiro, estabelecendo-se em definitivo, agora com a possibilidade de se dedicar exclusivamente à literatura.
Nesse contexto, passou a frequentar as tertúlias realizadas habitualmente aos sábados na casa de Plínio Doyle, em Ipanema – motivo pelo qual ficaram conhecidas como “sabadoyles”. Foi um dos participantes mais assíduos da confraria nas décadas de 1970, 1980 e 1990, sendo requisitado diversas vezes para redigir as atas das reuniões. Marcaram presença em tais eventos, por exemplo, Carlos Drummond de Andrade, Cyro dos Anjos, Gilberto Mendonça Teles, Homero Homem, Maximiano de Carvalho e Silva, Pedro Nava e Raul Bopp, entre muitos outros.
Colaborou em grande quantidade de jornais e revistas, dentre os quais: Acaiaca, Alterosa, Estado de Minas, O Diário e Suplemento Literário de Minas Gerais, de Belo Horizonte; O Sol, de Santos Dumont; O Repórter, de Uberlândia; Correio Braziliense, de Brasília; A Cigarra e O Estado de S. Paulo, de São Paulo; A Manhã, A Noite, Annuario Brasileiro de Literatura, Jornal de Letras, Jornal do Brasil, O Jornal, Poesia Sempre, Revista Brasileira, Revista Brasileira de Cultura e Revista do Livro, do Rio de Janeiro. Escreveu sob o pseudônimo de “Gui/Guy d’Alvim Filho” na coluna Vida e Literatura, do periódico fluminense A Noite.
Eleito para a Academia Mineira de Letras em março de 1946, optou por não tomar posse solenemente. Na entidade, desempenhou as seguintes funções: secretário, de 1947 a 1948; tesoureiro, de 1949 a 1950; membro da comissão da revista institucional, de 1951 a 1952; e vice-presidente, de 1955 a 1956. Em fins dos anos 1950, participou do projeto cinematográfico “Joias do Brasil”, que resultou na produção de curtas-metragens sobre as cidades mineiras de Belo Horizonte, Mariana, Ouro Preto e Sabará. Nos anos 1960, tomou parte na fundação de duas instituições: a Academia Marianense de Letras, Ciências e Artes, em cujo sodalício figura como patrono da cadeira 9; e a Associação Nacional de Escritores, em Brasília, onde ocupou a vice-presidência, de 1963 a 1967.
Publicou os seguintes livros: Lume de Estrelas (1940), premiado pela Fundação Graça Aranha e pela Academia Brasileira de Letras, em 1941; Poesias - Sonetos da Ausência e Nostalgia dos Anjos (1946); A Cidade do Sul (1948); O Irmão (1950), que conquistou o prêmio Manuel Bandeira, do Jornal de Letras do Rio de Janeiro, em 1951; O Mito e o Criador (1954), laureado com o prêmio literário Cidade de Belo Horizonte, concedido pela prefeitura da capital mineira, em 1953, antes do lançamento oficial; Sonetos com Dedicatória (1956); A Sobrinha de Dom Quixote (1959); Poemas Reunidos - 1935 a 1960 (1960); Antologia Poética (1963); Novos Poemas (1968); Poemas da Ante-Hora (1971); Absurda Fábula (1973), ganhador do prêmio Luiza Cláudio de Souza, do PEN Clube do Brasil, em 1974; Água do Tempo (1976), premiado pelo Instituto Nacional do Livro, em 1976; Discurso no Deserto (1982); Nó (1984), vencedor do prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1985; Luz de Agora (1991); Alphonsus de Guimaraens no seu Ambiente (1995); Todos os Sonetos (1996); O Tecelão do Assombro (2000); Só a Noite é que Amanhece: poemas escolhidos e versos esparsos (2003).
Foi responsável pela organização e/ou reedição de várias obras, dentre as quais: Antologia da Poesia Mineira: fase modernista (1946); Poesias Completas de Bernardo Guimarães (1959); Obra Completa de Alphonsus de Guimaraens (1960); Ainda uma Vez - Adeus!: poemas escolhidos de Gonçalves Dias (1974); Coração Liberto: poemas escolhidos de Antero de Quental (1974); Todos os Poemas de Mário de Sá-Carneiro (1974); Eu Te Direi as Grandes Palavras: poemas escolhidos e versos inéditos de Augusto Frederico Schmidt (1975); Permanência do Azul e Outros Poemas de Heli Menegale (1979); e Poesia Completa de Alphonsus de Guimaraens (2001), com a colaboração de Afonso Henriques Neto e Alexei Bueno. Providenciou, também, a publicação de Coroa de Espinhos (1955), do seu tio Archangelus de Guimaraens.
As correspondências que recebeu de Manuel Bandeira e Mário de Andrade – 84 cartas, no total, com datas-limite que vão de 1940 a 1967 – foram reunidas em Itinerários (1974).



