Miniatura

Acadêmico
Cyro dos Anjos
Número de Cadeira
01 Patrono: Visconde de Araxá
Data de Posse
22 de novembo de 1943
Posição na Cadeira
1° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Cyro Versiani dos Anjos, filho de Antônio Pereira dos Anjos e Carlota Versiani dos Anjos, nasceu em 5 de outubro de 1906, em Montes Claros (MG), e faleceu em 4 de agosto de 1994, no Rio de Janeiro (RJ).
Começou a produzir jornais quando criança, manifestando sua “compulsão genética” relacionada à escrita, nos seus próprios dizeres. No decorrer de sua carreira jornalística, construída nas décadas de 1920 e 1930, trabalhou nos seguintes periódicos: A Tribuna, Diário da Manhã, Diário da Tarde, Diário de Minas, Diário do Comércio e Estado de Minas.
Bacharelou-se em Direito pela Universidade de Minas Gerais (atual UFMG), em 1932. Pouco antes de se formar, tornou-se oficial de gabinete do secretário estadual de Finanças, cargo que ocupou por cinco anos, de 1931 a 1935; em seguida, ocupou o cargo de oficial de gabinete do governador Benedito Valadares, entre 1935 e 1938. Nos anos seguintes, foi diretor da Imprensa Oficial de Minas Gerais, de 1938 a 1940; integrou o Conselho Administrativo do Estado de Minas Gerais, entre 1940 e 1942, passando a presidi-lo de 1942 a 1945.
Tornou-se membro da Academia Mineira de Letras em 4 de outubro de 1943. Tomou posse no ano seguinte, aos 5 de agosto de 1944, em solenidade ocorrida no Conservatório Mineiro de Música, em Belo Horizonte. Na ocasião, foi recebido pelo acadêmico Moacyr Assis Andrade.
Em 1946, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi servidor público no âmbito federal, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra: inicialmente, como assessor do ministro da Justiça e, posteriormente, como diretor do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE), de 1946 a 1951. Viveu no exterior entre 1952 e 1956, a convite do Itamaraty, com a missão de conduzir um curso mantido pelo Ministério das Relações Exteriores. Após essa fase, estando novamente no Brasil, foi nomeado para o cargo de subchefe do gabinete civil da Presidência da República, no governo de Juscelino Kubitschek, onde ficou de 1957 a 1960. Subsequentemente, tornou-se ministro do Tribunal de Contas do Distrito Federal, elegendo-se presidente da corte em 26 de setembro de 1960, durante a primeira sessão plenária do órgão.
Mais tarde, em 1963, participou da fundação da Associação Nacional de Escritores, sediada em Brasília, da qual foi o primeiro presidente. Em 1969, entrou para a Academia Brasileira de Letras, sucedendo a Manuel Bandeira na cadeira 24. Foi, também, presidente do conselho deliberativo da Aliança Francesa de Brasília – entidade que integra uma rede internacional voltada para ações de promoção da língua e da cultura francesas. Em 1992, foi escolhido como patrono da cadeira 13 da Arcádia de Minas Gerais – associação civil fundada e sediada em Belo Horizonte, com o objetivo precípuo de promover a cultura em todas as suas manifestações, notadamente as de raízes mineiras.
Prestou, ainda, grande contribuição ao campo da educação. Nesse sentido, foi um dos membros fundadores da Faculdade de Filosofia de Minas Gerais, onde ministrou aulas de literatura portuguesa entre 1940 e 1946. Na década seguinte, assumiu a cadeira de Estudos Brasileiros na Universidade do México, de 1952 até 1954, e na Universidade de Lisboa, de 1954 até 195[6]. De volta ao Brasil, atuou junto à comissão responsável pelo planejamento da Universidade de Brasília, no início dos anos 1960. Na sequência, encarregou-se da coordenação do Instituto de Letras da referida instituição. Posteriormente, integrou o corpo docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde regeu o curso de oficina literária, originariamente implementado na Universidade de Brasília.
Suas publicações são as seguintes: O Amanuense Belmiro (1937), desdobramento de uma série de crônicas publicadas sob o pseudônimo de “Belmiro Borba”; Abdias (1945), premiado pela Academia Brasileira de Letras; A Criação Literária (1954); Montanha (1956); Explorações no Tempo (1963), agraciado com o prêmio PEN Clube do Brasil; Poemas Coronários (1964); e A Menina do Sobrado (1979), que recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro.
Por fim, vale mencionar a obra Cyro & Drummond (2012), organizada por Wander Melo Miranda e Roberto Said, que reúne dezenas de correspondências trocadas pelos amigos Cyro Versiani dos Anjos e Carlos Drummond de Andrade, por anos a fio, incluindo bilhetes, cartas, cartões-postais, radiogramas e telegramas.



