Miniatura

Acadêmico
Conceição Evaristo
Número de Cadeira
40 Patrono: Visconde de Caeté
Data de Posse
08 de março de 2024
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro atual
Contato
contatoconceicaoevaristo@gmail.com
Descrição Biográfica
Maria da Conceição Evaristo de Brito é mineira de Belo Horizonte, onde nasceu em 29 de novembro de 1946 na Favela do Pindura Saia. Filha da lavadeira Joana Josefina Evaristo e do pedreiro Aníbal Vitorino, compartilhou a infância com as irmãs Maria Inês Evaristo, Maria Angélica Evaristo e Maria de Lourdes Evaristo e com os irmãos Aldair Evaristo Vitorino, Ademir Evaristo Vitorino (falecido), Altair Evaristo Vitorino, Altamir Evaristo Vitorino e Almir Evaristo Vitorino. É mãe de Ainá Evaristo de Brito, uma especial menina de 42 anos, filha de seu falecido esposo, Oswaldo Santos de Brito. Conceição Evaristo iniciou os estudos, no Jardim de Infância Bueno Brandão, e em seguida foi matriculada por sua mãe na Escola Estadual Barão do Rio Branco. Fez o curso normal no Instituto de Educação na capital mineira. Ganhou seu primeiro prêmio literário no primário, em 1958, com a redação intitulada ""Por que me orgulho de ser brasileira"".
No início da década de 1970, mudou-se para o Rio de Janeiro, uma vez que na capital mineira ainda não havia concurso para o ingresso no magistério público. E, em 1973, começou a lecionar na rede pública de ensino fluminense. Em 1976 passou no vestibular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, graduando-se em Português-Literatura. Em 1996 conquista o título de Mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio com a dissertação ""Literatura Negra: uma poética de nossa afro-brasilidade"". Em 2011, defendeu o título de Doutora em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense (UFF) com tese ""Poemas Malungos, cânticos irmãos"".
Ficcionista e ensaísta, a escritora teve sua primeira publicação em 1990 na série Cadernos Negros, antologia coordenada pelo grupo Quilombhoje, coletivo de escritores afro-brasileiros de São Paulo. Suas primeiras obras individuais, Ponciá Vicêncio (2003) e Becos da Memória (2006) foram publicadas pela Mazza Edições; sendo seguidas por Poemas da Recordação e outros movimentos (2008) e Insubmissas lágrimas de mulheres (2011), ambos pela Editora Nandyala; as duas, editoras mineiras sediadas em BH.
As obras anteriores foram reeditadas, além disso, Conceição Evaristo, participou também de antologias nacionais e estrangeiras e tem as seguintes obras publicadas: Ponciá Vicêncio (Pallas, 2017); Becos da Memória (Pallas, 2017); Poemas da Recordação e Outros movimentos (Malê; 2008); Insubmissas Lágrimas de Mulheres: contos (Malê, 2011); Olhos d'água (Pallas, 2014); História de Leves Enganos e Parecenças (Malê, 2016); Canção para Ninar Menino Grande (Pallas, 2022) e Macabéa: flor de Mulungu (Oficina Raquel, 2011/2023). Todas as obras ganharam novas edições.
Conceição Evaristo participa das antologias Cadernos Negros (Quilombhoje, 1990); Schwarze prosa e Schwarze poesie, (Alemanha, 1993); Moving beyond boundaries: international dimension of black women's writing (1995); Women righting - Afrobrazilian Women's Short Fiction, (Inglaterra, 2005); Finally Us: contemporary black brazilian women writers (1995); Fourteen female voices from Brazil, (Estados Unidos, 2002); Chimurenga People (África do Sul, 2007), Callaloo, vols 18 e 30 (1995, 2008), entre outras.
Sua produção é constituída de poemas, contos, romances e ensaios, em grande parte está traduzida para o inglês, francês, árabe, espanhol, eslovaco e italiano. Em 2014, recebeu ampla cobertura da imprensa no Salão do Livro em Paris, quando integrou a comitiva de escritores brasileiros.
Em 2015, recebeu o Prêmio Jabuti na categoria contos e crônicas pelo livro Olhos D'água. Em 2017 recebeu o Prêmio Cláudia na categoria Cultura; já em 2018, o Prêmio Revista Bravo na categoria Destaque, o Prêmio do Governo de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra, o Prêmio Nicolás Guillén de Literatura pela Caribbean Philosophical Association e o Prêmio Mestre das Periferias pelo Instituto Maria e João Aleixo. Em 2019, foi a grande homenageada do 61° Prêmio Jabuti como personalidade literária. Em 2023, foi agraciada com Prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano e laureada com o prêmio Elo no Festival Internacional das Artes de Língua Portuguesa. Em 2025 recebeu da UFMG o título de Doutora Honoris Causa, sendo a primeira mulher negra a receber esse reconhecimento.
A escritora tem livros aprovados do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e já foi homenageada pelo Itaú Cultural, com a Ocupação Conceição Evaristo (2017); Olímpiada da Língua Portuguesa, pelo Itaú Social (2019).
É Titular da Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência, em 2022/2023, e participou de vários eventos internacionais como convidada, proferindo palestras em diversas Universidades de países como Estados Unidos, México, Costa Rica, Cuba, Moçambique, São Tomé e Príncipe, França, Inglaterra, Bélgica, Senegal e Austria.
A produção de Conceição Evaristo é ampla, inscreve-se no campo da poesia, da prosa e, ainda, no ensaio literário. Sua obra literária e ensaística tem sido pesquisada por estudiosos de vários campos de conhecimento. A autora cunhou o conceito de ""escrevivência"".
Dentre os vários estudos sobre a literatura desenvolvida por Conceição Evaristo vale ressaltar as seguintes obras: Escrevivências: identidade, gênero e violência na obra de Conceição Evaristo (Malê, 2016), de Constância Lima Duarte, Cristiane Côrtes, Maria do Rosário Alves Pereira; e Escrevivência: a escrita de nós - Reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo (Itaú Social, 2020).
A obra da escritora também foi objeto de pesquisa em universidades de todo o Brasil, dezenas de pesquisas tomam como objeto a obra literária e ensaística de autoria de Conceição Evaristo. Roberta Barbosa Tibúrcio (UEPB), por exemplo, considera a Escrevivência, proposta por Conceição Evaristo, como um lugar simbólico onde explode a potência dos pobres na literatura brasileira contemporânea.
Estudar Escrevivência como aporte teórico-metodológico, também tem sido o foco de alguns pesquisadores, como Marcelo de Jesus investiga, nas seguintes pesquisas: Entre e para além da literatura: um estudo da noção escrevivência, de Conceição Evaristo (UFRGS), de Marcelo de Jesus Oliveira, Juliano Casimiro de Camargo Sampaio e Olívia Aparecida Silva; e Considerações Teórico-conceituais inerentes à escrevivência evaristiana em Becos da Memória (UFT), de Marcelo de Jesus Oliveira.
Conceição Evaristo ocupa a cadeira 40 da Academia Mineira de Letras, para a qual foi eleita em 15 de fevereiro de 2024 e tomou posse em 08 de março de 2024.



