Miniatura

Acadêmico
Maria José de Queiroz
Número de Cadeira
40 Patrono: Visconde de Caeté
Data de Posse
26 de setembro de 1968
Posição na Cadeira
2° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
A artesã da palavra, poeta, escritora, romancista-historiadora e professora Maria José de Queiroz, nasceu em Belo Horizonte, em 29 de maio de 1936. Filha do funcionário estadual João de Queiroz e de Honória Camargo de Queiroz.
Maria José de Queiroz realizou o curso secundário no Colégio Sacré-Couer de Marie e o curso superior na Faculdade de Filosofia da Universidade Minas Gerais, hoje UFMG, graduando-se em Letras Neolatinas, em 1955.
Em 1953, começou a colaborar ativamente em revistas, suplementos e periódicos literários do Brasil e da Europa, como o Suplemento Literário de Minas Gerais e o Le Monde, francês. A sua crítica literária iniciou-se depois, em 1961, quando publicou seu primeiro ensaio, A poesia de Juana de Ibarbourou, pela Imprensa da UFMG.
De 1956 a 1962, passou a lecionar português, de 1956 a 1982, lecionou francês, ambas as disciplinas no Colégio Estadual. No mesmo período, ministrou português no Instituto de Educação de Minas Gerais; de 1957 a 1962, lecionou português e francês no Colégio Aplicação da Universidade Minas Gerais.
Em 1957, Maria José de Queiroz foi professora de Língua e Literatura Espanhola na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Minas Gerais, cargo que ocupou até 1962. Entre 1958 e 1961, foi professora de Literatura Hispano-Americana na mesma faculdade. Em 1960, doutorou-se e defendeu a tese para a livre-docência de Literatura Hispano-Americana na Faculdade de Filosofia da Universidade Minas Gerais, hoje Faculdade de Letras da UFMG.
Em 1962, tornou-se professora catedrática de Literatura Hispano-Americana, Brasileira e Comparada, por concurso de títulos, provas e defesa de tese. Maria José, na sucessão do professor Eduardo Frieiro, foi a mais jovem professora catedrática do país.
Em 1965 foi convidada pela Indiana University, EUA, para lecionar como professora visitante e ali iniciou sua experiência no magistério universitário fora do Brasil por dois anos. Lá ministrou cursos de Literatura, Cultura e Civilização Latino-Americana.
Maria José de Queiroz foi professora visitante em outras universidades, como na Université de Paris, na França, Sorbonne, Bordeaux, na Deutsch-Brasilianische, em Bonn, Alemanha, visitou, também, Wisconsin, North Carolina e Harvard, onde realizou conferências e participou de encontros, congressos e colóquios.
Em 1968, foi eleita para a Academia Mineira de Letras em sucessão a Affonso Augusto Moreira Penna Júnior na cadeira nº 40, patrocinada por José Teixeira da Fonseca Vasconcelos, Visconde de Caeté. Nesse período, Maria José de Queiroz permaneceu, até 1971, como professora associada, em Sorbonne.
Ainda em 1971 estreou como ficcionista com o livro de poesia Exercício de levitação pela Editora Atlântida, depois, seguiram-se os livros Exercício de gravitação, em 1972; Como me contaram: fábulas historiais, em 1973 pela Imprensa/Publicações e Exercício de fiandeira, em 1974, novamente pela Editora Atlântida.
Nessa época, recebeu da Fundação Gulbenkian, de Portugal, bolsa de pesquisa em Lisboa e Coimbra para estudar, durante as férias, a obra do poeta Eugênio de Castro. De volta ao Brasil, lecionou nos cursos de pós-graduação em Letras da UFMG. Em 1973, foi nomeada diretora do Departamento de Cultura de Belo Horizonte, cargo que ocupou por oito meses.
Enquanto Diretora Cultural, Maria José planejou e realizou a Nova Feira do Livro, com diversas manifestações culturais. No ano seguinte, foi convidada por universidades europeias para cumprir, durante dez meses, um extenso programa de conferências, que concluiu na Biblioteca Nacional de Paris.
Dedicou-se também à música, que estudou no Brasil, nos EUA e na França. Como ensaísta, colaborou intensamente em revistas especializadas e em jornais no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Em suas obras, ela concilia literatura com informações de história, política, ciências, linguística e psicologia.
Maria José de Queiroz tratou, em suas obras, principalmente os aspectos da condição humana com irreparável erudição. Seu potencial literário a levou a conquistar inúmeros prêmios e condecorações, como o Prêmio Sílvio Romero e Assis Chateaubriand, da Academia Brasileira de Letras; o Prêmio Othon Lynch Bezerra de Melo de Ensaios, da Academia Mineira de Letras; o Prêmio Pandiá Calógeras de Erudição, da Secretaria do Estado de Minas Gerais; o Prêmio Luísa Cláudio de Souza de Romance, do PEN Clube do Brasil; o Prêmio Jabuti de Ensaio, da Câmara Brasileira do Livro; o Troféu Eunice e Dulce Fernandes de Educação e Cultura, da Academia Mineira de Letras, entre outros.
Foi secretária da Revista Mural, da Faculdade de Filosofia; foi membro do Conselho de Redação da Revista Kriterion; do Conselho de Redação da Revista Phasis, membro do Conselho de Reforma do Ensino de Francês, na Secretaria de Educação; redatora do anteprojeto dos cursos de Pós-Graduação. Pertenceu também à Academie du Monde Latin.
Em 2019, a Academia Mineira de Letras prestou homenagem aos 50 anos de Maria José de Queiroz como acadêmica, sendo a primeira mulher empossada na instituição. Maria José faleceu em 15 de novembro de 2023, aos 87 anos, deixando um imenso legado.
Publicou ainda Do Indianismo ao indigenismo nas letras hispano-americanas. Belo Horizonte: Imprensa da UFMG, 1962; Presença da literatura americana. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1971; César Vallejo: ser e existência. Coimbra: Atlântida Editora, 1971; Exercício de fiandeira (versos). Coimbra: Coimbra Editora, 1974; Ano novo, vida nova (romance). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978; Invenção a duas vozes (romance). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978; Resgate do real: amor e morte. Coimbra: Coimbra Editora, 1978; Homem de sete partidas (romance). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980; A literatura encarcerada. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980; Para que serve um arco-íris? Belo Horizonte: Imprensa da UFMG, 1982; Operação Strangelov. Belo Horizonte: Ed. Vigília, 1984; Joaquina, filha do Tiradentes. São Paulo: Marco Zero, 1987; A comida e a cozinha: iniciação à arte de comer. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1988; A literatura alucinada. Rio de Janeiro: Atheneu Cultura, 1990; Sobre os rios que vão. Rio de Janeiro: Atheneu Cultura, 1991; A América: a nossa e as outras. Rio de Janeiro: Agir, 1992; O chapeu encantado. Belo Horizonte: Lê, 1992; A literatura e o gozo impuro da comida. Rio de Janeiro: Topbooks, 1994; Refrações no tempo. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996; Amor cruel, amor vingador. Rio de Janeiro: Record, 1996; A América sem nome. São Paulo: Agir, 1997; Os males da ausência ou a literatura do exílio. Rio de Janeiro: Topbooks, 1998; Vladslav Ostrov: príncipe do Jurema. Rio de Janeiro: Record, 1999; Em nome da pobreza. Rio de Janeiro: Topbooks, 2006; O livro de minha mãe. Rio de Janeiro: Topbooks, 2014; Desde longe. Rio de Janeiro: Gramma, 2016; e sua última obra Terra incógnita. Belo Horizonte: Caravana, 2019.



