Miniatura

Acadêmico
Luís Giffoni
Número de Cadeira
33 Patrono: Edgard Matta
Data de Posse
25 de maio de 2017
Posição na Cadeira
4° Sucessor
Status
Membro atual
Contato
giffonis@terra.com.br
Descrição Biográfica
O escritor Luís Ângelo da Silva Giffoni nasceu em Baependi, no Sul de Minas Gerais, filho de Alice da Silva Giffoni e Cícero Giffoni. É o quarto de cinco filhos. Por sua vez, tem três filhos e seis netos.
Cursou as quatro primeiras séries do ensino básico em Baependi, nas escolas Santo Inácio e Montserrat. Aos dez anos, mudou-se para Belo Horizonte, onde permaneceu desde então. Fez o resto do ensino básico e o médio no Instituto Padre Machado e Colégio Santo Antônio, após um intercâmbio no Preparatório Chaminade, em Los Angeles, Estados Unidos. Em seguida, se formou em Engenharia Civil, pela Universidade Federal de Minas Gerais, 1972, aos 23 anos.
Cursou, durante seis semestres, Literatura Norte-Americana no ICBEU, Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos. Após a graduação, estudou Astronomia e Geração de Energia Nuclear na UFMG, além de outros cursos.
Luís Giffoni dedica-se integralmente à literatura. Busca em seus contos, crônicas e romances as pegadas de nosso tempo, as marcas que deixaremos para o futuro. Acredita que a ficção é o melhor retrato da realidade. Para fixar nosso momento com maior detalhe, pesquisa o entorno de suas histórias e personagens. E também sua locação, no Brasil ou no exterior, que visita antes de escrever, daí a importância que reserva às viagens, reveladoras de novas realidades e comportamentos. Tenta explorar as possibilidades de cada gênero, mesmo que isso signifique projetar nosso tempo à frente ou no passado.
Citando algumas dessas viagens, para preparar o romance O ovo de Ádax visitou a Bélgica e a Tailândia. Da mesma forma, para situar Linha de Neve, que publica em 2025, percorreu a Cordilheira dos Andes, da Colômbia até a Patagônia e aproveitou a escalada ao Pico de Huayna Potosí, na Bolívia, com mais de 6.000 metros de altitude, para incluí-lo na história. Segundo o acadêmico, o percurso mais difícil foi para O Pastor das Sombras, romance sobre o primeiro bispo de Minas Gerais, que viajou de São Luís, no Maranhão, até Mariana. Giffoni refez seu périplo através do Nordeste, viajando em lombo de jegue, em bicicleta, ônibus, mototáxi, barco , carro e a pé. Como aconteceu ao bispo, pegou uma forte tempestade no rio São Francisco à noite, e o barco que o transportava quase afundou. No mesmo trajeto, ficou perdido no meio da caatinga, sem água e arranhado por espinhos, com o carro atolado na poeira do sertão, segundo ele “pior do que barro”. Dessa forma descobriu alguns dos locais mais áridos do Brasil.
Para escrever A Árvore dos Ossos, cruzou a Mantiqueira e sofreu desidratação profunda. Foi salvo por escaladores que lhe cederam um pouco de água e pelo soro no hospital. Já Adágio para o Silêncio exigiu conviver com e em cidades do Sul de Minas e participar de reveladoras cavalgadas. A Verdade tem Olhos Verdes o levou aos Estados Unidos. Já Infinito em Pó nunca pôde transformar-se em viagem, pois aborda a primeira incursão interestelar, até a estrela mais próxima do Sol, Próxima Centauri. E relata que chegou até lá, “com a frustração de nunca ter ido”.
Suas obras publicadas incluem os seguintes livros: A Jaula Inquieta, livro de contos, Ed. Scipione (1988); Os pássaros são eternos, literatura para jovens, Belo Horizonte, Editora Lê (1989); Sonho cigano: literatura para jovens, Belo Horizonte, Ed. Formato (1990); O Ovo de Ádax: romance, Ed. José Olympio (1991); Boirangos azuis: literatura para jovens, Belo Horizonte, Ed. Formato (1993); Encontros: literatura para jovens, Belo Horizonte, AMG Editora Gráfica LTDA (1996); O caçador de yéti: literatura para jovens, São Paulo, Ed. Moderna (1996); Tinta de sangue: romance, Belo Horizonte, Ed. Pulsar (1998); A árvore dos ossos: romance, Belo Horizonte, Ed. Pulsar (1999); Adágio para o silêncio: romance, Belo Horizonte, Ed. Pulsar (2000); A verdade tem olhos verdes: romance, Belo Horizonte, Ed. Pulsar (2001); Riscos da eternidade: crônicas. Belo Horizonte, ed. Pulsar (2002); Os chinelos de raposa polar: contos. Belo Horizonte, ed. Pulsar (2002); O poeta e o quasar: crônicas. Belo Horizonte, ed. Pulsar (2003); Infinito em pó: romance de ficção científica, Belo Horizonte, ed. Pulsar (2004); Retalhos do mundo: crônicas de viagem. Belo Horizonte, ed. Pulsar (2005); O reino dos puxões de orelha e outras viagens: crônicas de viagem, Belo Horizonte, ed. Pulsar (2006); China – O Despertar do Dragão: Ensaio, Ed. Leitura (2007); Dom Frei Manoel da Cruz: pesquisa biográfica, Belo Horizonte, ed. Pulsar (2008); O pastor das sombras: romance. Belo Horizonte, ed. Pulsar (2009); O fascínio do nada: crônicas e ensaios, Belo Horizonte, ed. Pulsar (2010); Serra do curral: Coleção BH de cada um, Belo Horizonte, ed. Conceito (2012); O acaso abre portas: crônicas, Belo Horizonte, ed. Abacatte (2014); Narciso, Um Coelho Indeciso: literatura para jovens, Belo Horizonte, ed. Dimensão (2015); O hacker do tempo: novela juvenil, Belo Horizonte, MG, ed. Miguilim (2018); com a colaboração de Rogério Faria Tavares: A vida, a morte e outros penduricalhos: contos, São Paulo, ed. Patuá (2024). Tem dois livros no prelo, para publicação em 2025: Linha de neve, (romance) e Caminhos de Buda (crônicas de viagens à Cochinchina).
Giffoni escreveu ainda as peças: In Memorian. Belo Horizonte: Grupo Galpão, (2004), Os Pássaros são eternos. Guadalajara: La Coperacha, (2020) e o artigo Têtes de coq aux fines herbes de Provence, publicado na Revista da Academia Mineira de Letras, Belo Horizonte, nº 31, (dez. 2003).
Além dessas publicações, Luís Giffoni escreveu crônicas para os jornais O Tempo, Estado de Minas, Metro, Trem Itabirano, e para as revistas VejaBH, Rubem e Canguru. Também manteve, durante oito anos, programas de literatura na Bandnews e CBN.
Entre as premiações recebidas estão Bienal Nestlé 1988; Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte); Prêmio Minas de Cultura- Prêmio Henriqueta Lisboa do Estado de Minas Gerais; Prêmio Nacional de Romance da Prefeitura de Belo Horizonte; Prêmio Nacional de Contos da Prefeitura de Belo Horizonte; Prêmio Jabuti de romance; Prêmio Nacional de Contos do Paraná; Prêmio de Literatura Juvenil da Bahia; Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - melhor livro juvenil; Indicações para o IBBY - International Board on Books for the Youth e Feira de Bolonha.
Luís Giffoni ocupa a cadeira 33 da Academia Mineira de Letras, para a qual foi eleito em 29 de setembro de 2016 e tomou posse em 25 de maio de 2017.



