Miniatura

Acadêmico
Márcio Sampaio
Número de Cadeira
28 Patrono: Américo Lobo
Data de Posse
19 de março de 2015
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro atual
Contato
sampaiomarcio@yahoo.com.br
Descrição Biográfica
O poeta, artista plástico e professor Márcio Sampaio nasceu em Santa Maria de Itabira, Minas Gerais, em 1941, filho do professor Alberto Sampaio e Altina Procópio Sampaio. É o sexto dos 10 filhos do casal.
Desde cedo manifestou sua vocação para a arte e a literatura. Ao alfabetizar- se, estimulado pelos pais, dedicava grande parte do tempo à leitura de livros de ficção e poesia, que lhe são postos à disposição pela biblioteca da escola e em casa. Nessa época encontrou na coleção Tesouro da Juventude, em almanaques e revistas, os elementos que despertarão sua imaginação e fantasia. Desde então já escrevia e desenhava.
Entre 1948 e 1951 fez o curso primário no Grupo Escolar Trajano Procópio, em Santa Maria. Também nessa época teve sua primeira revelação do impacto da arte, ao ver uma reportagem sobre Tintoretto, no número especial de Natal da revista O Cruzeiro. Em 1953 transferiu-se para Itabira, onde fez o curso ginasial. Já então se Interessa por cinema, teatro, literatura. Paralelamente trabalhou na oficina de placas do primo Cássio Sampaio Guerra, que o presenteou com um estojo de tintas e pincéis. Teve, então, as primeiras lições de pintura com a professora Emília de Caux, com quem aprendeu também a fazer ampliações pelos métodos do quadriculado e das diagonais.
Em 1954 começou a fazer pinturas sobre discos 78rpm danificados, sobre azulejos e telas. Recebia também encomendas para pintar cortinas de sacrário para as igrejas da região. É desse período a pintura do estandarte de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para uma festa tradicional em homenagem à santa, numa fazenda, quando teve a revelação do poder da arte como instrumento de mobilização. Naquela ocasião recebeu dos festeiros, como forma de retribuição, queijo, bolos, doces e três galinhas brancas. Também nesse ano uma reportagem ilustrada sobre o acervo do Museu de Arte de São Paulo levou-o a buscar novos conhecimentos sobre arte: copiava quadros dos grandes mestres, dentre eles Rembrandt, Van Eick, Renoir, Manet, Van Gogh, Cézanne, Matisse, Picasso, Portinari e Di Cavalcanti.
Em 1957 concluiu o curso ginasial na Escola Normal Oficial de Itabira e em 1958 transferiu-se para Belo Horizonte, a fim de continuar os estudos. Logo se aproximou de escritores e artistas, participando da renovação artística e literária que então se processava na capital mineira. Aconteceu então a publicação dos primeiros contos, poemas e desenhos na imprensa da capital.
Em 1960 publicou crônicas e poemas no Jornal da Cidade, e iniciou atividades como ilustrador. Desde então trabalhou nessa área, ilustrando textos de ficção, poemas e outros gêneros para várias publicações mineiras, tais como: Estória, Revista Minas Gerais, O Minério, O Cometa Itabirano.
Em 1962 fez sua primeira exposição individual em Itabira. Começou também a publicar poemas e textos em jornais e revistas, especialmente no caderno cultural do Estado de Minas. Nesse tempo foi selecionado com desenhos para o XVII Salão Municipal de Arte da Prefeitura de Belo Horizonte – Museu de Arte de Belo Horizonte.
Em 1963 recebeu Prêmio de Pintura no concurso da Aliança Francesa, BH e o Prêmio de Poesia no concurso da UEE. Nessa mesma época aconteceu o contato com colegas do Colégio de Aplicação igualmente interessados em literatura e arte, o que levou à criação do Grupo Ptyx, do qual faziam parte João Paulo Gonçalves Costa, Madu (Maria do Carmo Vivacqua Martins), Myriam de Abreu Machado, Misabel de Abreu Machado, Dirceu Xavier e Paulo Alvarenga Junqueira. Aconteceu então o lançamento do primeiro número da revista Ptyx. Também nesse ano participou da exposição histórica da I Semana de Poesia de Vanguarda na nova sede da Reitoria da Universidade de Minas Gerais (UMG), atual UFMG sendo um dos signatários do Manifesto, ao lado de grandes nomes da poesia contemporânea brasileira, incluindo poetas, críticos e tradutores (Augusto e Haroldo de Campos, Benedito Nunes, Affonso Ávila, Décio Pignatari, Paulo Leminski, Luiz Costa Lima, Roberto Pontual, Laís Corrêa de Araújo, Frederico Morais, Wlademir Dias-Pino), além dos jovens poetas mineiros do Grupo Ptyx e do Grupo Vereda (Henry Corrêa de Araújo e Libério Neves). Publicou, ainda, poemas experimentais no caderno cultural do Estado de Minas, dirigido pelo poeta Affonso Ávila. Ainda em 1963 aconteceram o Prêmio Cidade de Belo Horizonte pelo livro O 13º Signo, a exposição individual de pinturas no Clube Atlético Itabirano e a participação na criação da AMAP – Associação Mineira de Artistas Plásticos - e integra a exposição coletiva inaugural da Galeria da entidade.
Em 1964, já com a censura intalada, lançou seu primeiro livro de poesia – Rubro Apocalíptico, pela Irmãos Pongetti Editores, Rio de Janeiro. Saiu então o segundo número da revista Ptyx, na qual teve publicados poemas e o texto de sua peça “Máquina de Germinar Gardênia”, encenada uma única vez, em 1965.
Em 1965 ganhou o Prêmio Cidade de Belo Horizonte (poesia) e o Prêmio Cláudio Manuel da Costa da, Secretaria de Estado de Educação, com Rubro Apocalíptico. Aprovado no vestibular para a Escola de Belas Artes da UFMG, frequentou o curso até 1967.
Ainda em 1965 aconteceu a exposição individual de desenhos e objetos/poemas – “Pedra” –, no Clube Atlético Itabirano, em comemoração dos 35 anos da publicação de Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade e foi convidado para trabalhar na redação do DM2, caderno cultural do Diário de Minas e ali conviveu com alguns dos melhores jornalistas mineiros. Escreveu inicialmente reportagens didáticas sobre escritores e artistas, mas logo assumiu uma coluna diária de crítica, “Jornal de Artes”. Colaborava também com o suplemento feminino, sendo seu editor interino por duas vezes, e realizava trabalho eventual de copydesk e diagramador.
Também em 1965 amplia-se a visibilidade de sua obra: O Ciclo do Barro, poesia, foi publicado por José Guimarães Alves, pelas Edições MP – Movimento/ Perspectiva, da Imprensa Oficial em BH. Márcio Sampaio integrou, então, a Antologia Novíssima Poesia Brasileira, organizada por Walmir Ayala, Edição Cadernos Brasileiros, Rio de Janeiro. Realizou exposição individual na Galeria do ICBEU, em BH, apresentando uma série de desenhos inspirados no Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, e desenhos de paisagens.
Em 1966 aconteceu a Mostra na Galeria Grupiara, BH, série de desenhos e poemas que aludem à violência instituída. Nesse ano transferiu-se para Ouro Preto, onde criou a “Loja de Poesia”, destinada exclusivamente à venda de poemas-cartazes e objetos-poemas. Ao mesmo tempo, dirigiu a Galeria Pilão, na cidade. Também em 1966 recebeu novamente o Prêmio Cláudio Manuel da Costa por melhor livro de poesia publicado no ano anterior, com O Ciclo do Barro. Entretanto, ainda em 1966 retornou a Belo Horizonte a convite de Murilo Rubião, para integrar a equipe do Suplemento Literário do Minas Gerais, em cuja redação atuou como redator, revisor, ilustrador, sendo ainda responsável pela seção de artes plásticas. Trabalhou no Suplemento até 1972. Também em 1966 recebeu o 3º Prêmio de Desenho do XVI Salão Municipal de Belas-Artes. Museu de Arte de Belo Horizonte.
Em 1967, foi selecionado para a IX Bienal de São Paulo, apresentando desenhos viscerais de contundência crítica. No mesmo ano expôs poemas-objeto e desenhos no XII Salão Municipal de Belas-Artes, Museu da Pampulha, em BH e participou da primeira exposição do Movimento Arte/Poema Processo, no Pavilhão de Exposições, Rio de Janeiro, levada em seguida para apresentação em Salvador, Olinda e outras cidades brasileiras, e na Argentina.
Esse foi um momento de grande efervescência criativa, discussões e propostas indicando novos rumos para experimentação. Participou, então, de várias inciativas, em contato com os principais atores do movimento: Wlademir Dias-Pino, Moacy Cirne, Dailor Varela, Álvaro de Sá, e os mineiros José Arimathéa, Sebastião Nunes, dentre outros, com os quais mantinha ampla correspondência. Também em 1967 seus poemas integraram a Antologia dos Poetas Brasileiros – Fase Moderna, organizada por Manuel Bandeira e Walmir Ayala, Ediouro, Rio de Janeiro e Márcio Sampaio iniciou importante interlocução com o crítico Roberto Pontual, do Rio de Janeiro, com quem desenvolveu reflexão crítica projetada em vários trabalhos comuns. Também colaborou com informações sobre artistas mineiros para o Dicionário das Artes Plásticas no Brasil.
Em 1968 casou-se com a artista Eliana Rangel, com quem teve os filhos Alberto Sampaio Neto (1970) e Gustavo de Moura Rangel Sampaio (1974). No mesmo ano organizou e montou, em Ouro Preto, a “II Exposição Nacional de Poesia de Vanguarda”, na programação do II Festival de Inverno da UFMG, promoveu palestras e debates com os coordenadores do movimento Arte/Poema/ Processo, suscitando muita polêmica. Várias obras em exposição foram danificadas. Além de poetas de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Brasília, Santa Catarina, Mato Grosso e Rio de Janeiro, integrantes do Poema/Processo participaram também da mostra: Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos, integrantes do grupo paulista de Poesia Concreta; Affonso Ávila, Afonso Romano e Laís Corrêa de Araújo, integrantes do grupo Tendência, além dos poetas dos grupos Ptyx e Vereda, e Adão Ventura.
Ainda em 1968, em exposição coletiva – “Dez Desenhistas Mineiros” – na Galeria do IBEU, no Rio de Janeiro, mostrou uma série de desenhos nos quais fazia reflexão crítica sobre a paisagem física e cultural de Minas. Esse trabalho provocou um movimento de desenho mineiro que teve a paisagem de Minas dissecada e analisada sob várias formas. Convidado pelo diretor Renato Falci, assumiu a função de curador do Museu de Arte da Pampulha, onde promoveu exposições e manifestações de vanguarda. Durante quase um ano atuou como diretor interino do MAP. O Salão de Arte realizado pelo Museu, já sinalizando sua revitalização e atualização, teve várias obras confiscadas pela censura. Em protesto, decidiu encerrar a exposição. Promoveu, então, a reformulação e a atualização do Salão, que passou a denominar-se Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte. Elaborou o regulamento que possibilitava a participação de artistas com trabalhos não convencionais e incorporação de novas linguagens, como o audiovisual. Apesar de dificuldades com a censura e com parte da imprensa, o Salão foi aberto com grande impacto para o público.
Participou, como convidado, da coletiva “Três Aspectos del Dibujo Brasileño Contemporaneo”, apresentada na Universidade de Mayaguez, México, e em outras cidades latino-americanas.
Em 1969 aconteceu nova mostra em exposição individual, patrocinada pela Sociedade Amigas da Cultura, os desenhos da série “O Círculo Monstrual”, na Galeria Guignard, em BH. Durante seis meses trabalhou como copydesk do jornal Estado de Minas, do qual foi colaborador eventual até a década de 90, publicando artigos sobre artes plásticas. Iniciou a elaboração do conceito de “Materiais da Vida e a Poética do Cotidiano”. Com os artistas Eliana Rangel, Madu e Luiz Fonseca, de Minas, o crítico Roberto Pontual e os artistas Paulo Roberto Leal e Osmar Dillon, do Rio, desenvolveu o projeto interdisciplinar MG/GB, realizando vários trabalhos conceituais. Na mesma época começou a participar de júris de salões de arte em âmbito nacional e a integrar comissões curatoriais de instituições e museus. Realizou ainda o trabalho conceitual “Arte A/Condicionada”, apropriando-se de embalagens de obras de artistas iugoslavos em exposição no Museu de Arte da Pampulha.
Em 1970 organizou a primeira mostra/instalação “Materiais da Vida” – objetos, intervenções, happenings – nos diversos espaços da Escola de Minas, na Praça Tiradentes e em ruas de Ouro Preto, dentro da programação do Festival de Inverno da UFMG. Essa mostra, decorrente de suas pesquisas sobre a poética do cotidiano, foi montada junto com outra – “Materiais Transfigurados” –, concebida por Roberto Pontual. Na ocasião, fez “nevar” algodão na Praça Tiradentes, como uma das ações do trabalho “Neve/Never/Rêve”. Ainda nesse ano, a convite da direção da Aliança Francesa, de Belo Horizonte, concebeu, produziu e coordenou, com a colaboração de Eliana Rangel e Madu, o projeto “Brasil: a Festa, a Construção” - exposição/ instalação multidisciplinar, mostrando os dois polos da arte brasileira. O coquetel de abertura, com a presença do embaixador da França, transcorreu sob grande tensão política, como um happening de feições tropicalistas. Em seguida coordenou a exposição de 500 desenhos de Tarsila, no Museu da Pampulha, com curadoria de Aracy Amaral. Sobre a mostra escreveu no Suplemento Literário do Minas Gerais longo texto crítico-poético. Foi ainda curador do II Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte, mais uma vez envolvido por polêmicas e desenvolveu o trabalho “Indicações”, de intervenção na malha urbana, tendo como suportes páginas do Suplemento Literário e como eixo conceitual um poema de Carlos Drummond de Andrade.
Em 1971 iniciou a série de pinturas “Galeria Antropofágica”, com base em conceito da Antropofagia, de Oswald de Andrade, articulado com ideias expressas por Marcel Duchamp. Essa série se desenvolveu até os anos 80 com diversos desdobramentos, tais como as apropriações e falsificações táticas, tendo como fundo uma leitura crítica da arte brasileira e dos elementos que constituem o sistema da arte. Desenvolveu também atividades de pesquisa e análise do acervo do Museu Histórico “Abílio Barreto”, propondo sua reformulação e atualização, visando a uma melhor comunicação com o público e sugeriu a criação, ali, de um departamento de atividades educativas para atender às escolas. Ao lado disso, prestou assessoria ao Governo do Estado para organização e montagem da Pinacoteca do Estado, nas salas do Palácio da Liberdade, em BH. Essa exposição tornou-se o núcleo do atual Museu Mineiro. Também nesse ano Recebeu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte para livro infantojuvenil, com Dr. Clorofila contra Rei Poluidor, publicado no ano seguinte e adotado por diversas escolas do país.
Em 1972 foi membro do júri de seleção e premiação do “Panorama da Arte Atual Brasileira / Escultura”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo À época, desligou-se da redação do Suplemento Literário e do Museu de Arte da Pampulha para, a convite do presidente José Guimarães Alves, trabalhar na Fundação Palácio das Artes. Aí desenvolveu intenso trabalho de promoção e divulgação da arte, apoiando especialmente os artistas jovens. Organizou exposições de caráter antológico, histórico e de vanguarda, criando nova concepção curatorial e expográfica. Manteve a Grande Galeria como um espaço aberto às manifestações da atualidade e ao debate, como forma de resistência à censura. Trabalhou na Fundação até 1985. Ainda em 1972 ilustrou Sofotulafai, livro de poemas de Abgar Renault, editado pela Imprensa da Universidade de Minas Gerais.
Em 1973 recebeu o Prêmio de aquisição no I Salão Global de Inverno, em Belo Horizonte e em 1974, a convite da Fundação Bienal de São Paulo, por indicação da Associação Brasileira de Críticos de Arte, viajou por todo o País a fim de selecionar artistas para a Bienal Nacional. Nesse período foi convidado com frequência para integrar comissões de seleção e premiação dos principais salões de arte do País e de vários concursos de literatura. Recebeu, também em 1974, o Prêmio Cidade de Belo Horizonte em concurso nacional de literatura, com o livro O Tempo em Minas, poesia, editado em 1975. Finalmente, foi membro da “Comissão de Estudos para Elaboração do Diagnóstico da Cultura Mineira”, do qual resultou a criação da Coordenadoria de Cultura, hoje Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais.
Em 1975, com um conjunto de pequenas pinturas da série “Galeria Antropofágica”, recebeu o Grande Prêmio Governo do Estado de Minas Gerais, no III Salão Global de Inverno. Paralelamente atuou como redator/colaborador da sucursal do Jornal do Brasil, em Belo Horizonte. No mesmo ano participou da coletiva “Giramundo” (Márcio Sampaio, Álvaro Apocalypse, Terezinha Veloso, Madu, Fernando Velloso), na Galeria Guignard, em BH, e da exposição “Poesia/ Pintura” (poetas e artistas brasileiros), no Museu de Arte da Pampulha. Ampliando o alcance de sua atuação, foi membro do júri de seleção e premiação do Salão de Verão, Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro; do Panorama da Arte Atual Brasileira/Desenho, Museu de Arte Moderna de São Paulo, do II Salão de Arte Global de Pernambuco, Casa de Cultura, Recife e do IX Salão de Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea de Campinas.
Em 1976 atuou na curadoria da representação mineira, participação da seleção final e premiação do “Arte/ Agora I”, Jornal do Brasil/Light, no Museu de Arte Moderna, RJ e em 1977, a partir de longa pesquisa e levantamentos em bibliotecas e acervos, publicou o livro/ catálogo A Paisagem Mineira, que acompanhou a exposição sobre o tema, da qual foi curador. A mostra foi apresentada no Palácio das Artes, em BH, e no Festival de Inverno da UFMG, em Diamantina. Também em 1977 participou, como convidado, da grande mostra “Arte/Agora II: Visão da Terra”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, ao lado de Antônio Henrique Amaral, Antônio Maia, Emanuel Araújo, Francisco Brennand, Franz Krajcberg, Gilvan Samico, Glauco Rodrigues, Humberto Espíndola, Ione Saldanha, Millor Fernandes e Rubem Valentim, com curadoria de Roberto Pontual. Nessa mostra apresentou novas obras da “Galeria Antropofágica” e montou, pela primeira vez, a instalação “Labirinto Antropófago”, com imagens, objetos e textos, a partir do manifesto de Oswald de Andrade, e de relatos de Hans Staden. Duas obras da série desapareceram no incêndio que dizimou o acervo do MAM. No ano seguinte, 1978, lecionou no Departamento de Desenho da Escola de Belas Artes, lecionou as disciplinas Desenho, Pintura e História da Arte Brasileira. Também na Escola de Belas Artes desempenhou função de coordenador do Centro de Extensão, chefe do Departamento de Desenho, participou da congregação da Escola, de colegiados, comissões e bancas de concursos.
Ainda em 1978 participou da coletiva “Raízes e Atualidade: Artistas Brasileiros na Coleção Gilberto Chateaubriand”, Grande Galeria do Palácio das Artes, Belo Horizonte e realizou Exposição individual de pinturas e objetos na Sala Corpo, Belo Horizonte, apresentada em seguida no Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal do Mato Grosso, Cuiabá. Em seguida coordenou a programação de artes plásticas do XII Festival de Inverno de Ouro Preto, organizou a exposição “Antropofagia”, comemorativa dos 50 anos do lançamento do “Manifesto Antropófago” de Oswald Andrade, com participação dos artistas Glauco Rodrigues, Humberto Espíndola e Anna Bella Geiger e criou o Salão do Futebol – evento multidisciplinar, realizado paralelamente à Copa do Mundo, com a participação de artistas brasileiros. No mesmo ano, a convite da Funarte, realizou a curadoria da exposição Artistas de Minas Gerais, apresentada na Galeria Rodrigo M. F. de Andrade, no Rio de Janeiro.
Em 1979 participou como artista convidado do VI Salão Global de Inverno, no Palácio das Artes, em BH e foi artista convidado da exposição “Figuração Referencial”, do XII Salão Nacional de Arte – Museu de Arte da Pampulha. Organizou ainda a Mostra “Expoética” (poesia de vanguarda no Brasil). Grande Galeria do Palácio das Artes, em BH.
Em 1980 integrou a Comissão de Críticos Latino-Americanos/ Reunião de Consulta para redefinição da Bienal Latino-Americana, na Fundação Bienal de São Paulo e participou do Encontro Brasileiro de Críticos de Arte, Fundação Cultural de Curitiba. Realizou exposição individual de pinturas, na Galeria Ipanema, RJ e em 1981 realizou outra exposição individual “Pinturas e Objetos”, na Sala Miguel Bakun, em Curitiba, e Sala de Exposições da Universidade Federal de Uberlândia. Nesse mesmo ano atuou como curador e museógrafo de uma grande exposição sobre o Barroco Mineiro, levada pelo Governo de Minas a Nova York e posteriormente apresentada no MASP de São Paulo, na Fundação Cultural de Brasília e no Palácio das Artes, Belo Horizonte. Paralelamente concebeu e fez a curadoria da mostra “Resíduos Barrocos na Arte Mineira Contemporânea”, que acompanhava a exposição maior. No mesmo ano participou, como artista convidado, da mostra “Minas/Arte/Atual” do VIII Salão Global de In- verno, para a qual escreveu o texto “Aspectos das artes plásticas em Minas”, de 1940 a 1980, realizada no Palácio das Artes, Belo Horizonte, e no MASP, em São Paulo.
Aconteceu em 1982 a mostra de pinturas recentes no Salão Nacional de Artes Plásticas/Funarte, Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro. Márcio Sampaio participou, então, como convidado, da “Arte Latina” – mostra internacional de artistas de países latinos. Palácio Rio Capiberibe, Recife. Nessa exposição, seus três quadros foram danificados por um artista. No mesmo ano teve início a série de desenhos e pinturas “Dossiê da Estupidez” – intervenções em páginas de jornais com notícias e imagens de violência. Com os embates políticos dos anos 80, a Galeria Antropofágica ganhou novas formas temáticas e técnicas. O Museu Mineiro propôs, então, a montagem de uma grande exposição inventariando sua produção nas diversas frentes de atuação, tendo como curadores Paulo Rossi e Cristina Ávila. A mostra com o título “A ironia possível face à crise” transformou as salas, a fachada e os jardins do Museu em um espaço dinâmico, no qual circulavam ideias, proposições conceituais, poemas, pinturas e desenhos.
Em 1984 Márcio Sampaio criou, para Brasília, a mostra de outdoors “Arte na Rua – 2”. Promoção USP e curadoria de Aracy Amaral. Ao lado disso, participou da coletiva “Tradição e Ruptura” – mostra panorâmica da Arte Brasileira. Fundação Bienal de São Paulo, fez a Curadoria da mostra “Reflexos de Dada na Arte Mineira”, apresentada no Palácio das Artes, paralelamente à exposição sobre o dadaísmo, organizada pelo Goethe-Institut. Publicou “Um Lance de Dada em Minas”, e manteve atividades de curador de exposições e de elaboração de textos para revistas e catálogos, trabalhando eventualmente como ilustrador, designer gráfico e cenógrafo.
Aconteceu em 1985 “Apontamentos para uma Nova República” – exposição individual programada como evento cultural comemorativo da instalação da “Nova República”: pinturas, desenhos, objetos- poema e instalação, na Galeria da Fundação Cultural do Distrito Federal, Brasília. Foi também quando desligou-se da Fundação Clóvis Salgado para dedicar-se em tempo integral às atividades na Escola de Belas Artes da UFMG.
Ao lado da atividade de professor, foram de 1986 “A Foz do Brasil” – exposição individual com seleção de poemas visuais, objetos/poema e intervenções poéticas na paisagem, na Sala Manuel da Costa Athaíde, no Museu da Inconfidência, Ouro Preto; a Mostra “A Litografia em Minas Gerais” em Tiradentes: Casa Litográfica; e a escrita do ensaio “A litografia em Minas Gerais” por ocasião da exposição 25 anos de litografia de arte em Minas Gerais, 1961-1986, na Casa de Gravura Largo do Ó, em Tiradentes.
Márcio Sampaio recebeu, em 1987, o Prêmio Emílio Moura no Concurso Nacional de Literatura da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, com Risco de Vida, poesia. Márcio Sampaio foi então convidado pela Fundação Bienal para visitar e escrever sobre a 19ª Bienal Internacional de São Paulo. Em 1988 coordenou o Núcleo de Reflexão no XX Festival de Inverno, e organizou a mostra “Escultura e Objeto em Minas Gerais”, apresentada no Centro Cultural de Poços de Caldas e Palácio das Artes, em BH; “Le Déjeuner sur l’Art” – mostra comemorativa do centenário da passagem de Claude Monet pelo Rio de Janeiro, na Escola de Artes Visuais, Parque Lage, Rio de Janeiro; curadoria de Frederico Morais
Em 1989 prestou assessoria à Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte para a elaboração do projeto conceitual do novo Museu de Arte de Belo Horizonte, subsidiando também a elaboração do edital do concurso para anteprojeto arquitetônico do Museu. No final dos anos 1980 e na década seguinte, continuou suas investigações de linguagem, amparadas ainda em conceitos abertos por Duchamp e Allain-Feinnes. Foi o momento de reconstituir muitas de suas obras antigas e organizar projetos que foram mais tarde apresentados em manifestações coletivas ou exposições individuais, em Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Recife. Manteve a produção literária e ensaística (cerca de 800 textos) publicada em livros, catálogos, jornais e revistas.
Em 1991, com Submissão de Narciso, poesia, recebeu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte e uma Bolsa da Fundação Vitae (SP), para desenvolvimento de pesquisa sobre as Artes Plásticas em Minas Gerais. Com a escalada do conflito no Golfo Pérsico, intensificou a produção da série “Dossiê da Estupidez”, com intervenções em páginas de jornais. No mesmo ano, a revista Imprensa, no Rio de Janeiro, publicou pinturas da série “Memória da Guerra”, ilustrando matéria sobre a cobertura jornalística da Guerra do Golfo. Márcio Sampaio Integrou então, a comissão de seleção nacional e fez a curadoria da seção mineira da exposição itinerante “BR 80 – Pintura Brasil Década 80”, realização do Instituto Cultural Itaú, SP.
Em 1992 foi Coordenador de Artes Plásticas do XXIV Festival de Inverno da UFMG, BH; fez a concepção e curadoria de exposições para o Festival de Inverno apresentadas no Palácio das Artes, BH: “Arqueologia do Futuro”, “Natureza e Construção” e “Grande Círculo das Pequenas Coisas”, esta apresentada também em Itabira e Florianópolis. No mesmo ano organizou a Mostra “Viva Ianomamis Vivos”, integrante da programação nacional da Eco 92 na Fundação Cultural do DF, Brasília, apresentada posteriormente no Museu de Arte da Bahia, Salvador, e na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, Itabira
Foram de 1993 a mostra comemorativa – “30 anos da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda 1963/93” e a palestra/debate: “Poesia em Minas nos anos 60”, no Centro Cultural da UFMG. No mesmo ano veio o convite para dirigir a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), em Itabira, levando-o de volta às origens. De 1993 a 1996, realizou na cidade um trabalho intenso, provocativo e estimulante, envolvendo a classe artística e a comunidade em todos os seus segmentos. Em 1994 participou dos fascículos A experiência Visual e 50 poemas: anos 60, mostra poética de Belo Horizonte, organizada em 10 fascículos, coordenada pelo poeta Marcelo Dolabela.
Em 1997, concluído seu período de gestão, desligou-se da FCCDA, retornou a Belo Horizonte e continuou suas atividades como crítico, curador e professor. No livro Neovanguardas: Belo Horizonte, anos 60 (Ed. C/Arte), Marília Andrés Ribeiro dedica capítulo sobre sua atividade crítica: “A crítica militante de Márcio Sampaio nos anos 60”
Em 1998 publicou Aquarelas de Mário Bhering, BH, Edições Nouveau e em 1999 aposentou-se na EBA/UFMG, mas continuou sua atividade artística, de produção de textos críticos e literários e de realização de pesquisas, cursos, palestras e workshops para escolas de arte e instituições culturais, passando a dedicar-se mais intensamente à literatura.
Foi em 2000 a publicação de Submissão de Narciso / Risco de Vida, poesia, edição da Secretaria Municipal de Cultura, BH. No mesmo ano foi professor convidado no curso de pós-graduação do Instituto de Educação Continuada, PUC Minas. Em 2001 publicou a biografia crítica Vida e Arte: uma poética em construção, que integra a obra Amilcar de Castro (Takano), editada em comemoração aos 80 anos do escultor mineiro e em 2002 integrou a antologia O Melhor da Poesia Brasileira / Minas Gerais, organizada por Sérgio Alves Peixoto (Sucesso Pocket).
Data de 2003 a criação e implantação do Centro de Referência das Artes Plásticas em Minas Gerais (Crap- MG), em continuidade aos trabalhos iniciados com recursos da bolsa da Fundação Vitae e Usiminas.
Em 2005, com o nome de “Márcio Sampaio: declaração de bens” – aconteceu a exposição retrospectiva na Grande Galeria do Palácio das Artes, BH, com curadoria de Marconi Drummond Lage. Neste mesmo ano, a mostra foi apresentada no Centro de Convenções da UFOP, Ouro Preto, no contexto do “Fórum das Letras”. No mesmo ano concluiu o primeiro volume de crítica, O Lugar da Arte, com textos sobre 40 artistas mineiros
Em 2006 realizou a concepção e curadoria da exposição: “Ptyx: poesia além do verso”. Semana Drummond, Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, em Itabira.
Em 2007, também em parceria com o curador Marconi Drummond, atuou como co-curador da exposição “Neovanguardas”, em comemoração dos 50 anos do Museu de Arte da Pampulha, BH. No ano seguinte aconteceu a publicação do artigo Bibliografia das Artes Plásticas em Minas Gerais. In: Olhares sobre Minas: sugestões de leitura. Organização de Maria Augusta de Nóbrega Cesarino. Edição da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais. Em 2009, No livro Entre Salões – Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte: 1969-2000, editado pelo Museu de Arte da Pampulha, Márcio Sampaio publicou o extenso ensaio Salão Salões: um estudo sobre o Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte. Em 2010 realizou, na Galeria de Arte Cemig, Belo Horizonte, exposição individual retrospectiva da sua obra de poesia experimental (cartaz, objeto, instalações), e no Espaço Energisa, João Pessoa. A Cemig editou o livro catálogo Poesia além do verso. No mesmo ano publicou o ensaio Jorge dos Anjos: Risco, Recorte, Percurso, Editora C/Arte, sobre o pintor e escultor mineiro.
Em 2011 coordenou o projeto de restauração das obras bibliográficas doadas por Drummond à Biblioteca Pública de Itabira, produzindo catálogo e exposição, apresentada na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e publicou Álvaro Apocalypse – edição da V&M. Foi em 2012 a publicação dos dois primeiros volumes da Coleção Cadernos da Arte Mineira, com os ensaios de sua autoria - Eliana Rangel: construções afetivas, e Nello Nuno: a poética do cotidiano.
Em 2014 foi eleito para a Academia Mineira de Letras, ocupando a cadeira 28. Por ocasião de sua posse, em 2015, apresentou a exposição retrospectiva de sua produção em poesia visual, acrescida de novos trabalhos experimentais. No mesmo ano produziu para o Itaúcultural texto histórico e roteiro de vídeo sobre o Giramundo, Teatro de Bonecos, veiculado na internet e recebeu homenagem da Associação Nacional de Críticos de Arte.
Em 2016 produziu nova versão de “Constelação” – objeto/ poema manipulável – original de 1967. Em 2017 participou da exposição comemorativa dos 50 anos do Movimento de Poema/Processo com a obra “Constelação” – Galeria Superfície, São Paulo. Curadoria Gustavo Nóbrega. Em 2018 transferiu para o Museu Mineiro, como doação, todo o acervo do CRAP-MG (Centro de Referência das Artes Plásticas em Minas Gerais) para formar o Centro de Estudos e Documentação da Arte Mineira (CEDAM). No mesmo ano Integrou a mostra “A poesia e as artes visuais” – Galeria Superfície, SP, Curadoria Gustavo Nóbrega e participou da exposição “Cartografia Imaginária: a cidade e suas escritas” – Sesc Paladium, Belo Horizonte. Curadoria Marconi Drummond e Maurício Meirelles.
No período de reclusão devido à pandemia da Covid-19, dedicou-se à escrita de textos poéticos e à criação de pequenas peças com objetos do cotidiano doméstico e em 2021 concluiu a elaboração do texto crítico Entre Margens – a obra de Ana Amélia Diniz Camargos; Neste ano, a obra “Constelação” foi adquirida pelo Museu Reina Sofia – Madrid, Espanha, apresentada em exposição, passando a integrar o acervo permanente do Museu.
Em 2022 Participou das exposições: “Cartografia Imaginária: Rua da Bahia”, Academia Mineira de Letras, BH e “Órbita: Marconi e Marcelo Drummond”, Galeria Genesco Murta, Palácio das Artes, ambas com curadoria de Marconi Drummond e Maurício Meirelles. Nesse período dedicou-se também à literatura, concluindo as obras: O Labirinto da Rosa de Viena (O bárbaro que sustentas atrelado) – romance progressivo; Invenções do Vento e O Círculo Vermelho – novelas para crianças e jovens; além de O fim do mundo não é o fim de tudo e ALZ – poesia. Em 2024 publicou, pela Editora Literíssima, a novela para jovens O Círculo Vermelho e o romance para crianças Invenções do vento, este pela Editora Uirapuru.
Márcio Sampaio ocupa a cadeira 28 da Academia Mineira de Letras, para a qual foi eleito em 21 de agosto de 2014 e tomou posse em 19 de março de 2015.



