Miniatura

Acadêmico
Lacyr Schettino
Número de Cadeira
26 Patrono: Evaristo da Veiga
Data de Posse
29 de outubro de 1986
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
A poeta, psicóloga, pintora e ensaísta Lacyr Annunziata Schettino nasceu em Mar de Espanha, Minas Gerais, em 25 de março de 1914, filha de Nunziato Schettino, chefe político e ex-agente administrativo do município, e de Maria Rosa Schettino. Morou em sua terra natal até a adolescência, quando mudou-se com sua família para Barra Mansa, no Rio de Janeiro.
Em 1924, aos dez anos de idade, compôs seu primeiro poema em memória do avô materno e desde então não parou mais de escrever. Publicou os primeiros textos em publicações semanais de sua terra natal e em periódicos, como o Correio da Manhã e O Jornal. As artes, bem como a música, o estudo de línguas e a literatura faziam parte de sua vida e de seus principais ensejos.
Em 1940, iniciou sua obra literária com o livro Quando as sombras se espalham. Intelectual ativa, em 1950 foi diretora-fundadora do Grupo Literário Esperanto, em Barra Mansa. No ano seguinte, em 1951, com uma rica trajetória literária, em um gesto sublime de lembranças de suas origens, presenteou sua terra natal, em seu centenário, com uma bela poesia, cujos versos se eternizaram no Hino de Mar de Espanha, musicada pelo maestro Joaquim Gouveia.
Em 1952, diplomou-se em Canto, História da Música, Teoria Musical e Solfejo no Conservatório de Música, do Rio de Janeiro, e em Canto Coral e Harmonia no Conservatório Barra-mansense de Música, fundado por sua irmã Elisa Schettino.
Em 1953, concorreu no I Concurso Feminino de Poesia em A Gazeta, de São Paulo, com O espelho da morta. A comissão julgadora era composta por Jorge de Lima, Menotti Del Picchia e Osmar Pimentel. Lacyr Schettino ganhou o primeiro lugar. Em 1956, ingressou como secretária na Academia Municipalista de Letras, onde ocupou a cadeira nº 97.
Em 1960, mudou-se para Belo Horizonte, onde viveu até o seu falecimento. Na capital mineira formou-se em Letras pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Minas Gerais, hoje PUC Minas. Especializou-se, aos 62 anos, em Literaturas Estrangeiras. Exerceu o magistério secundário e o superior, e lecionou Teoria e História da Música no Conservatório de Barra Mansa, no Rio de Janeiro e no de Sete Lagoas, em Minas Gerais.
Lacyr Schettino publicou ainda livros infantis e sua produção nesse gênero sempre teve excelente recepção crítica, sendo recomendada e adotada nos colégios da cidade, despertando a sensibilidade do público infantil. Foi uma escritora reconhecida pela delicadeza com a qual aborda os temas infantis. Escreveu também a letra do cântico a Nossa Senhora do Carmo Flor do monte, musicada pelo frei Martinho Cortez, da Ordem do Carmo.
A mineira de Mar de Espanha foi eleita para Academia Mineira de Letras, sucessora de Henriqueta Lisboa, na cadeira nº 26, patrocinada por Evaristo da Veiga, pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, e à Academia Feminina Mineira de Letras e à Academia Municipalista de Letras.
Lacyr Schettino recebeu diversas condecorações e honrarias, como o Prêmio de Poesia Olavo Bilac, da Prefeitura do Distrito Federal, em 1956, com o livro Santa Teresa de Jesus, considerado um dos pontos luminosos da poesia mística brasileira; Cidadã Honorária de Barra Mansa, em 1962; Medalha de Tiradentes do governo de Minas Gerais e da Prefeitura de Tiradentes, em 1967; Personalidade Literária do Ano; Patrona da Cadeira nº 4 da Academia de Letras Infantil do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, de Belo Horizonte, em 1968; Presidente do XIV Congresso Brasileiro de Esperanto, em Belo Horizonte, em 1972; Patrona do Centro Cívico do Colégio Washington Luiz de Barra Mansa, em 1975; a Intelectual Sul Fluminense do Ano, em 1981.
Em 1986, em um concurso de frases organizado pelo Jornal do Brasil, Lacyr Schettino obteve o primeiro lugar com a seguinte frase: “Da manjedoura à cruz, um trajeto de amor”. Como ensaísta, Lacyr publicou A poesia de Sofia de Mello Breiner, em 1971; Panorama da literatura infantil, em 1973; Em torno do episódio de Inês de Castro, em 1980; Lendas da cidade de Tiradentes, em 1981; Descobrindo o Brasil em Os lusíadas, em 1983; Vá à Terra Santa, em 1986; entre outros. Como tradutora, publicou Uma exploração da Guiana Brasileira, de Hamilton Rice; Poesia para meditação, obra poética completa de San Juan de La Cruz; e Dia a dia, de Salvatore Quasimodo, obra inédita.
A mística Lacyr Schettino faleceu em Belo Horizonte, em 26 de abril de 2004.
Lacyr Schettino publicou também: Nariz em pé (s/d); Essa dor tem outro nome (poesia, s/d); Rumor de asas, poesias, em 1951; Santa Tereza de Jesus, em 1958, Festa no jardim, em 1960, ilustrado por Clécio Penedo; Nasce uma cidade, em 1963, edição esgotada, no plano da pesquisa histórica; Verdamazônia, em 1974; As sete meninas, em 1979, inspirado nas suas seis irmãs – Ermelinda, Maria do Carmo, Elisa, Jacy, Maria José e Maria Adelaide – e nela; Lendas da cidade de Tiradentes, em 1981; Parábola do semeador, de 1974; América Latina, em 1986; A gatinha Bonifácia, em 1988, com segunda edição em 1991; Alvorada do Rio das Mortes, em 1989 e Versos de ontem e de hoje, em 1994.



