Miniatura

Acadêmico
Maria Esther Maciel
Número de Cadeira
15 Patrono: Bernardo Guimarães
Data de Posse
21 de maio de 2021
Posição na Cadeira
5º Sucessor
Status
Membro atual
Contato
memaciel@gmail.com
Descrição Biográfica
A poeta, romancista, ensaísta e professora Maria Esther Maciel nasceu em Patos de Minas, em 01 de fevereiro de 1963, filha de João Ricardo de Oliveira e Eumênia Bomfim Maciel de Oliveira.
Viveu em sua cidade natal até 1981, onde iniciou suas atividades literárias. Ainda na adolescência, começou a publicar poemas, contos, resenhas e crônicas nos jornais locais, além de criar, com dois colegas do Colégio Marista, o jornal Correio Estudantil, do qual foi editora-chefe por dois anos. Seu primeiro contato com a escrita foi por meio da poesia, em especial a partir da leitura de poemas de Cecília Meireles, Henriqueta Lisboa e Carlos Drummond de Andrade. Depois, descobriu romancistas que foram fundamentais para a sua trajetória, como Charles Dickens, George Elliot, Jane Austen, José de Alencar, José Lins do Rêgo, Fernando Pessoa e Lygia Fagundes Telles.
Ao completar seus estudos secundários, mudou-se para Belo Horizonte, onde ingressou no curso de Letras da UFMG. Nessa época, já havia descoberto vários escritores de diferentes tempos e nacionalidades, os quais se tornaram suas fontes de inspiração. Entre eles, Charles Baudelaire, Hilda Hilst, Dostoievski, Gustave Flaubert, Jorge Luis Borges, Octavio Paz, Haroldo de Campos, Sóror Juana Inés de la Cruz e Gabriela Mistral.
Na universidade, passou a se dedicar com paixão aos estudos de literatura, linguística e filosofia. Durante sua graduação, ficou em 1º. Lugar no concurso de poemas da Revista Literária da UFMG e recebeu menção honrosa na categoria conto. Em 1984, publicou seu primeiro livro de poemas, Dos haveres do corpo, pela editora Terra.
Ao se formar em Letras, iniciou seu Mestrado em Literatura Brasileira também na UFMG, para desenvolver a dissertação O cemitério de papel: sobre a atopia de Augusto dos Anjos, defendida em 1990, mesmo ano em que ingressou no Doutorado em Literatura Comparada, com o projeto A conjunção poesia-crítica na obra de Octavio Paz.
Em 1991, fez o concurso Público para Professor Assistente de Literatura Portuguesa da UFMG, obtendo o 1º lugar. Sua posse no cargo aconteceu no dia 30 de abril de 1991.
Em 1995, após dois meses na Cidade do México, onde conheceu Octavio Paz, defendeu sua tese de doutorado, publicada em livro no mesmo ano pela editora Experimento, de São Paulo.
Logo, tornou-se professora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Faculdade de Letras da UFMG e passou a atuar na graduação como professora de Teoria da Literatura. Desde então, não parou de publicar livros em diferentes gêneros, além de muitos artigos em revistas nacionais e estrangeiras. Realizou Pós-Doutorado em Cinema na Universidade de Londres (1999/2000) e em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (2012/2013). Foi também Professora Residente do IEAT – Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares da UFMG (2009/2010). Entre outras atividades acadêmicas, criou e coordenou, na FALE/UFMG, o Núcleo de Estudos LatinoAmericanos (NELAM) e o núcleo TRANSVERSO – Criação e Estudos Poéticos. No campo da pesquisa, tornou-se pesquisadora do CNPq, tendo desenvolvido, desde 2007, 6 projetos de pesquisa, com Bolsa de Produtividade em Pesquisa, entre eles, os dedicados à presença de animais na literatura.
Atuou, ainda, como professora/pesquisadora visitante nas seguintes universidades estrangeiras: University of London (Queen Mary College), Nottingham Trent University (Theory, Culture & Society Centre), École Normale Supérieure (Département de Philosophie) e New York University (Department of Spanish and Portuguese Languages and Literature). É professora colaboradora do curso de Maestría en Literaturas de América Latina de la Universidad Nacional de San Martin (Buenos Aires, Argentina).
Três anos depois de fazer, com êxito, concurso para Professora Titular de Teoria da Literatura e Literatura Comparada (2015), aposentou-se na UFMG, tornando-se Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Teoria e História Literária da Unicamp.
Publicou nos gêneros ficção e poesia: Essa coisa viva. São Paulo: Todavia, 2024; Pequena enciclopédia de seres comuns. São Paulo: Todavia, 2021; Longe, aqui. Poesia incompleta 1998-2019. Belo Horizonte: Quixote+Do / Tlön Edições, 2020; O livro dos nomes. São Paulo: Companhia das Letras, 2008; O livro de Zenóbia. Rio de Janeiro: Lamparina, 2004; Triz. Belo Horizonte: Orobó, 1998. 2a. edição 1999; Dos haveres do corpo. Belo Horizonte: Terra, 1984.
Na crônica publicou A vida ao redor. Belo Horizonte: Scriptum, 2015 e como organizadora e coorganizadora publicou Pensar/escrever o animal – ensaios de zoopoética e biopolítica. Florianópolis: EdUFSC, 2011; Textos à flor da tela – literatura e cinema (org. com Sabrina Sedlmayer). Belo Horizonte: FALE/UFMG, 2005; O cinema enciclopédico de Peter Greenaway. São Paulo: Unimarco, 2004; Sementes de Sol, de Altino Caixeta de Castro. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2004; Laís Corrêa de Araujo - Coleção Encontro com Escritores Mineiros. Belo Horizonte: Centro de Estudos Literários/Pós-Lit/UFMG, 2002; A palavra inquieta: homenagem a Octavio Paz. Belo Horizonte: Autêntica, 1999; Borges em dez textos (org. com Reinaldo Marques). Rio de Janeiro: 7 Letras, 1997.
Tem também o Memorial literário/acadêmico publicado: M de memória. Belo Horizonte: Tlön Edições, 2018 e 2ª. ed. em 2020.
Ao lado dessas obras, há trabalhos de teoria e crítica literária: Animalidades: zooliteratura e os limites do humano. São Paulo: Instante, 2023; Zoopoéticas contemporâneas. Lisboa: Oca Editorial, 2020. (Col. Ultramares); Literatura e animalidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016; As ironias da ordem – coleções, inventários e enciclopédias ficcionais. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2010; O animal escrito - um olhar sobre a zooliteratura contemporânea. São Paulo: Lumme, 2008 (Coleção Mobile); A memória das coisas – ensaios de literatura, cinema e artes plásticas. Rio de Janeiro: Lamparina, 2004; Voo transverso: ensaios sobre poesia e modernidade. Rio de Janeiro, Belo Horizonte: 7 Letras, 1999; Lição do fogo: amor e erotismo em Octavio Paz. São Paulo: Memorial da América Latina, 1998; As vertigens da lucidez: poesia e crítica em Octavio Paz. São Paulo: Experimento, 1995.
Foi finalista de vários prêmios literários: Prêmio Jabuti, Prêmio São Paulo de Literatura, Prêmio Portugal Telecom de Literatura e Prêmio Oceanos. Recebeu, com O livro dos nomes (Companhia das Letras, 2008), menção especial no Prêmio Casa de las Américas, 2009. Foi colunista do caderno de Cultura do Jornal Estado de Minas (2011-2014) e, de 2012 até 2022, foi colaboradora do caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo.
É idealizadora e diretora editorial da revista Olympio – Literatura e Arte, além de coordenar, com seu filho Ricardo Maciel dos Anjos – também escritor e doutor em Literatura Comparada – a Tlön Serviços Literários, criada em 2019 e voltada para trabalhos de edição, consultoria literária, revisão e tradução.
Maria Esther Maciel ocupa a cadeira nº 15 da Academia Mineira de Letras, para a qual foi eleita em 06 de abril de 2021 e tomou posse em 21 de maio de 2021.



