Miniatura

Acadêmico
Alaíde Lisboa
Número de Cadeira
06 Patrono: Bernardo de Vasconcelos
Data de Posse
05 de julho de 1995
Posição na Cadeira
4° Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
Dona de uma sensibilidade e generosidade que lhe imprimiram infinita grandeza e olhar brilhante, Alaíde Lisboa de Oliveira dedicou sua vida a pregar estrelas com pregos de ouro nas saias da lua. Nasceu em 22 de abril de 1904, na cidade de Lambari, sul de Minas Gerais. Filha do farmacêutico e político João de Almeida Lisboa e D. Maria Rita Vilhena Lisboa, cresceu rodeada de irmãos – eram 14 ao todo, mas alguns morreram ainda muito pequenos –, influenciada por sua irmã mais velha, a poeta Henriqueta Lisboa, e seu irmão, também mais velho e poeta, de quem é sucessora na cadeira 6, José Carlos Lisboa, dedicou a vida aos estudos e a ensinar.
Iniciou, em sua cidade natal, sua formação no primário do Grupo Escolar Dr. João Bráulio Júnior, lá se alfabetizou e aprendeu a gravar poemas na memória – os de Olavo Bilac eram seus preferidos: pelo ritmo, rimas e por acreditar na ideia de que a poesia poderia falar de coisas simples. Mudou-se para cidade de Campanha, Minas Gerais e ingressou no curso normal do Colégio Notre Dame de Sion, um colégio de freiras francesas que Alaíde admirava e que teve forte influência em sua formação de escritora.
Em 1924, mudou-se com sua família para o Rio de Janeiro, devido ao cargo político que seu pai ocupara na capital do país. Lá continuou seus estudos e ampliou seus horizontes em busca de investimento intelectual. Quando voltou para Lambari iniciou sua carreira educacional como professora primária.
Em 1933, mudou-se para Belo Horizonte e ingressou na Escola de Aperfeiçoamento Pedagógico da Secretaria de Educação e Saúde Pública de Minas Gerais, onde foi aluna das renomadas educadoras Helena Antipoff, Lúcia Casasanta e Alda Lodi. Nessa época, fez amizade com Antipoff, que veio ao Brasil a convite do professor José Lourenço de Oliveira.
Alaíde conheceu José Lourenço em seus primeiros dias na capital mineira. Ele era professor, advogado, escritor e amigo de sua família. Com o passar do tempo, as afinidades surgiram e o estreitamento dos laços resultou em um charmoso casamento, na Igreja de Lourdes, no dia 22 de agosto de 1936. O casal teve quatro filhos: Abigail, bacharela em Direito; José Carlos, engenheiro; Sílvio, médico, e Maria, pedagoga.
Em 1937, tornou-se professora de Português e Socialização no curso ginasial da antiga Escola Normal Modelo, hoje Instituto de Educação. Nesse período, foi convidada para ser presidente da Associação dos Professores Públicos de Minas Gerais (APPMG), da qual fazia parte desde que começou a exercer o magistério primário. No ano seguinte, como trabalho final para concluir um curso de Literatura Infantojuvenil e Psicologia, Alaíde escreveu O bonequinho doce. A bonequinha preta veio logo em seguida, no mesmo ano.
Em 1939, juntamente com Zilah Frota e Marieta Leite, lançou seu primeiro livro didático, A poesia no curso primário. Segundo ela, até os livros didáticos precisavam ser elaborados por pessoas com sensibilidade artística. Cabia aos demais livros, de geografia, história e ciências, informar. O de Português também podia fazê-lo, desde que sua prioridade fosse possibilitar a leitura literária.
A professora e escritora foi a primeira vereadora da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Eleita primeira suplente, assumiu o cargo em 1949, apenas 17 anos após a conquista do voto feminino no Brasil. Em seu mandato propôs a criação da Casa de Cultura, a fundação e a instalação do Colégio Municipal e a expansão da rede municipal de ensino. Além de lecionar e escrever, atuou como jornalista e trabalhou durante quinze anos no jornal O Diário, tendo sido membro do sindicato dos jornalistas de Minas Gerais. Dirigiu também um suplemento infanto-juvenil de 1948 a 1961, O Diário do Pequeno Polegar.
No início dos anos 1950, foi convidada para ser professora assistente da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Minas Gerais, onde lecionou Didática Geral e Especial. Em seguida, tornou-se professora na graduação e na pós-graduação das Faculdades de Filosofia, de Educação e de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Foi uma das fundadoras e dirigiu o Colégio de Aplicação e a Faculdade de Educação da UFMG por treze anos.
Em 1957, concluiu seu doutorado em Didática e, dois anos depois, passou em primeiro lugar em concurso público para a cátedra de Didática Geral e Didática Especial de Português e Literatura na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Foi representante de Minas Gerais na Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, a FNLIJ, e membro do Conselho Universitário da UFMG. Em 1971, organizou o mestrado em Educação da Faculdade de Educação, FAE/UFMG, e tornou-se a primeira coordenadora do curso.
Alaíde acumulou conquistas, cargos e títulos significativos: em 1976, recebeu o título de Cidadã Belo-Horizontina por sua atuação pública; dois anos depois, o de Professora Emérita da UFMG. Nesse mesmo ano, lançou o Nova Didática. Na esteira do tempo, recebeu outras homenagens e condecorações: a Placa do Amigo do Livro, da Câmara Mineira do Livro, em 1982; a Medalha do Mérito Educacional, da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, em 1984; no ano posterior, a Medalha Helena Antipoff, da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte; Medalha Santos Dummont, do Governo de Estado de Minas Gerais em 1986. Foi eleita membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, no mesmo ano, e da Academia Feminina Mineira de Letras – Cadeira 39 –, em 1988. Eleita para a Academia Mineira de Letras, tomou posse em 1995, na cadeira 6, antes ocupada por seu irmão José Carlos Lisboa. Em 1997 recebeu o Prêmio Crítica e Interpretação, da União Brasileira de Escritores, entre muitos outros.
No início dos anos 2000, lançou um livro de memórias, intitulado Se bem me lembro. Em 2004, a Academia Mineira de Letras comemorou seu centenário de nascimento e a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte registrou, em uma exposição, a preciosa trajetória intelectual de Alaíde Lisboa, com fotografias, livros e documentos. Em 22 de abril de 2006, quando Alaíde completava 102 anos, o clássico A bonequinha preta, de 1938, foi reimpresso para comemorar 68 anos de publicação; no dia 04 de novembro, do mesmo ano, a menina/mulher de olhos brilhantes faleceu, deixando brilhar para sempre seu amor pelas letras.



