Miniatura

Acadêmico
Carmen Schneider
Número de Cadeira
05 Patrono: José Maria Teixeira de Azevedo Júnior
Data de Posse
26 de abril de 2012
Posição na Cadeira
5º Sucessor
Status
Membro antecessor
Descrição Biográfica
A “menina da ilha”, nas palavras de Cely Vilhena, “que vivera sempre cercada de água por todos os lados, trocou a paisagem marinha pelos boiadeiros da terra e faiscadores dos rios mineiros”. A escritora e intelectual brasileira Carmen Schneider Guimarães sempre buscou a essência da palavra, na minuciosa sondagem e investigação desse grandioso instrumento de comunicação.
Carmem nasceu em 1926 em Vitória, Espírito Santo, e residiu em Belo Horizonte, Minas Gerais, desde 1947. Filha de Godofredo Schneider e Noêmia Serrano Schneider, casou-se com José Luiz Gonçalves Guimarães, de quem teve cinco filhos. Carmen foi contadora, professora, escritora, poeta, ensaísta e cursou alguns períodos do curso de Direito.
Seu percurso literário inicia-se pela poesia, quando, em 1942, aos 16 anos, venceu um concurso da Casa do Estudante capixaba com a publicação do poema A pérola, motivo de orgulho para seus pais e para a Academia de Comércio Espírito-Santense. Neste período, Carmen Schneider estudava no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, o conhecido Colégio do Carmo.
Alguns anos mais tarde, residindo em Minas Gerais, adentrou ao espaço jornalístico com produções de crônicas, reportagens, entrevistas e resenhas. Escrevia novelas para a rádio de Itaúna, onde viveu por alguns anos e ministrou aulas na Faculdade de Filosofia da Universidade de Itaúna. Em 1968, na capital mineira, foi convidada pelo Editor Geral do jornal Estado de Minas a escrever no caderno de Turismo e no caderno Pensar, quando integrou também a equipe de televisão da TV Alterosa, redigindo e apresentado o programa Turismo na Passarela, de Antero de Alencar. Depois de três anos transferiu-se para a “Segunda Secção” daquele jornal, indicada pelo Presidente Pedro Aguinaldo Fulgêncio. A escritora foi ainda correspondente dos jornais A Tribuna, de Vitória, levada pelo editor Djalma Juarez e O Jornal, do Rio de Janeiro, a convite de Marcelo Maranhão, editor do Caderno de Turismo daquele jornal. Assinou seção e integrou o corpo redatorial da revista Pesca, Campismo, Turismo e Caça, de Oswaldo Wenceslau e publicou na Revista de Ficção – Histórias para o prazer da Leitura, da Editora Ficção. Nessa época, fez seu registro na Delegacia Regional do Trabalho, como jornalista-colaboradora.
Em 1967 publicou, pela Edições Coletâneas, um livro infanto-juvenil: Lola, a prima de Timbolola, finalista no Concurso João de Barros. No concurso Peregrino Júnior, de âmbito nacional, da União Brasileira de Escritores, Carmen foi premiada com o livro Corpo Molhado. A obra foi publicada em 1978, pela Editora Comunicação, em convênio com a Universidade de Itaúna.
Carmen aventurou-se e aprofundou sua atuação na crítica literária, tornando o ensaio uma das principais características de sua escrita e incursionando pelos mais altos escalões da intelectualidade nacional e internacional. Prefaciou diversos livros de autores consagrados e produziu mais de 50 ensaios a respeito de escritores, poetas, artistas plásticos, bailarinos e músicos, entre outros.
Recebeu dezenas de condecorações, incluindo a Medalha de Honra da Inconfidência e a Medalha de Prata Santos Dumont, em 1995, e a Medalha de Ouro Santos Dumont, em 2018, ambas conferida pela Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais, além da Medalha Castro Alves, da Livraria e Editora São José, pelo seu livro Corpo Molhado; Medalha Clara Ramos, da União Brasileira de Escritores (UBE) do Rio de janeiro; Cidadania Honorária pela Câmara Municipal de Itaúna, Minas Gerais, em 2014; Placa de Prata, da Prefeitura de Vila Velha, por serviços de divulgação para imprensa, entre tantas outras.
Ministrou aulas na Universidade Livre da Academia Mineira de Letras e, eleita em 07 de novembro de 2011, tomou posse na cadeira nº 5 dessa instituição em 26 de abril de 2012.
Foi presidente emérita da Academia Feminina Mineira de Letras (Afemil), onde ocupou a cadeira 11, membro da Associação Amigas da Cultura, em Belo Horizonte, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, membro da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras e membro honorário da Academia de Ciências e Letras de Lafayette, Minas Gerais.
Tão rica foi a trajetória literária de representação cultural de Carmen Schneider Guimarães, refletindo sobre o lugar da escrita e a importância do posicionamento do escritor no mundo, que seu legado, de inegável importância, segue relevante no cenário cultural. Em 12 de julho de 2021 faleceu aos 95 anos.



