Miniatura

Acadêmico
Benito Barreto
Número de Cadeira
02 Patrono: Arthur França
Data de Posse
11/12/2014
Posição na Cadeira
3° Sucessor
Status
Membro antecessor
Contato
benitobarreto17@gmail.com ou lauravfbarreto@gmail.com
Descrição Biográfica
Benito Barreto nasceu em 17 de abril de 1929, no então distrito de Dores de Guanhães, nordeste de Minas Gerais, na Fazenda da Guarda, de sua família, filho de Ciro Barreto e Virgínia Siman Barreto, aí iniciando seus primeiros estudos.
Em 1941, ingressou no Ginásio São Francisco, de Conceição do Mato Dentro, onde começou a escrever poesias.
Perdida a mãe no ano de 1943 e tendo se recolhido a um convento a sua irmã, dispersou-se a família. Em 1945, Benito mudou-se para Belo Horizonte, para estudar no Ginásio Mineiro (Colégio Estadual). Aos 16 anos, começou a trabalhar como revisor na imprensa local, quando chegou a ter seu primeiro contato com as obras e referências fundamentais do socialismo. Deixou, então, o jornal Folha de Minas, órgão do Governo do Estado, para se dedicar ao Jornal do Povo e ao Partido Comunista Brasileiro.
Após conflitos e embates com opositores políticos e a polícia, Benito, aos 17 anos, foi enviado pelo Partido Comunista para a Bahia. Trabalhou no jornal O Momento, em Salvador, e, depois de algum tempo, passou a atuar no interior do Estado, clandestinamente. Após quatro anos, uma pleurite fez com que Benito se afastasse da linha de frente da militância para se tratar.
No início da década de 1950, ainda em tratamento, Benito retornou a Belo Horizonte, integrando a Redação do Jornal do Povo e trabalhando, ainda, em diversos jornais da Capital, como Correio do Dia, Correio da Tarde e Tribuna de Minas. À época da Guerra da Coréia e em defesa de sua soberania, respondia por um programa radiofônico diário, em emissora local. Por esse tempo, assumiu a secretaria de Redação da Revista de Cultura Horizonte, fundada e dirigida pelo poeta Otávio Dias Leite, na qual também publicou contos e crônicas.
Em 1954, Benito se casou com Iracema de Faria, a Irá, sua esposa e companheira, com quem viveria por mais de 70 anos. Tiveram três filhos, Vinício, Laura e Júnia.
Dois anos depois, fundou uma revista técnica voltada para a indústria da construção civil, Informador das Construções, da qual foi editor e diretor até seu encerramento, em 2016, após 60 anos ininterruptos de atividades.
Ao completar 30 anos, Benito decidiu retomar os esforços no campo da literatura e começou a trabalhar em seu primeiro romance. Plataforma vazia foi lançado em 1962, com prefácio de Jorge Amado, e recebeu o prêmio Cidade de Belo Horizonte. Sobre o autor e a obra, escreveu João Guimarães Rosa: “... um excelente escritor, com poder e poderes para tomar lugar, vantajoso, na nossa “primeira linha”. Traz coisa autêntica, nova e própria. O livro, que desde a página inicial carrega muitas belezas, em linguagem ótima e estilo forte.... entusiasmou-me, de verdade….” Após a publicação de Plataforma Vazia, Benito ingressou no curso de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, já, então, escrevendo o seu segundo romance e continuação do primeiro, - Capela dos Homens, prêmio Walmap 1967 (comissão julgadora: João Guimarães Rosa, Jorge Amado e Antônio Olinto), editado e lançado pela Record/Rio, em 1968.
Este livro retoma o personagem principal de Plataforma vazia e tem continuidade com Mutirão para matar (1974) e Cafaia (1975), formando a tetralogia Os Guaianãs, que veio a ser tema de diversos estudos, incluindo dissertações de mestrado e teses de doutorado.
Em 1971, Benito montou uma gráfica e fundou a Editora Casa de Minas, responsável pela produção de Informador das construções, do suplemento de arquitetura Vão livre, de livros – seus e de outros autores – e também de jornais e impressos diversos para terceiros.
Em 1978, lançou Vagagem (viagens e memórias sem importância) em que mistura relatos desde sua vida de menino aldeão, em Dores de Guanhães, até as vivências e impressões de viajante, já adulto, em expedição pela Europa e pela União Soviética.
Em 1980, a editora Progresso, de Moscou, traduziu para o russo e publicou os livros Capela dos Homens e Cafaia, numa edição ilustrada com tiragem de 100 mil exemplares. Em 1986, a tetralogia Os Guaianãs foi reeditada em dois tomos pela editora gaúcha Mercado Aberto, de Porto Alegre. Acompanha a edição, o folheto Benito Barreto - Os Guaianãs, uma epopeia brasileira, sobre o autor e a obra.
Em 1993, Benito lançou A última barricada, romance em folhetins improvisados, que reúne crônicas publicadas no jornal Estado de Minas, comentários e anotações inéditas, em que ainda ressoam temas e personagens de Os Guaianãs.
Em 2000, publicou Um caso de fidelidade, romance que retrata um conturbado caso de amor no mundo pós-ideológico e da globalização, que se segue à derrocada do socialismo.
Benito começou, então, a dedicar-se a viagens de estudo pelo interior do Estado e às leituras e pesquisas sobre o Brasil Colônia e a Servidão que, ainda no Séc. XVIII, vão embasar a Inconfidência Mineira, tema de sua nova tetralogia, a Saga do Caminho Novo. O primeiro volume, Os idos de maio, foi publicado em 2009, seguido por Bardos e viúvas (2010), Toque de silêncio em Vila Rica (2011) e Despojos: a festa da morte na Corte (2012). A Saga recebeu, por três anos consecutivos (2010, 2011 e 2012), os prêmios de melhor romance histórico do ano, concedidos pela União Brasileira de Escritores – seção Rio de Janeiro.
Em 2013, celebrando o seu jubileu de ouro literário, foi lançada a caixa comemorativa Benito Barreto – 50 anos de literatura, contendo a quarta edição de seu primeiro romance, Plataforma vazia e o livro Benito Barreto – 50 anos de literatura, de Rachel Cardoso Barreto, recuperando a trajetória de vida e criação literária do autor.
Em 2018, publicou, pela Academia Brasileira de Letras, em sua Revista Brasileira nº 96, Rios e Riobaldos, texto de sua conferência ali proferida, por ocasião do Ciclo Guimarães Rosa.
A obra ficcional de Benito Barreto ganhou vida, história e movimento também pelas mãos de artistas, como, entre outros, Amílcar de Castro, Sebastião Januário, Ziraldo, Haroldo Mattos, que a traduziram em imagens e a trouxeram para suas telas a óleo, aquarelas, desenhos... compondo precioso conjunto, de rara beleza, expressão e força.
Benito Barreto permaneceu sempre um homem de posições políticas libertárias, um militante das causas sociais e também, por fim, ambientais. Ao longo dos sombrios e opressores anos de chumbo, durante a ditadura, como escritor, jornalista, editor e cidadão, manteve-se em inabalável e ativa resistência, denunciando arbitrariedades, prisões, crimes e torturas, dando apoio e acolhimento a perseguidos políticos, participando de protestos, manifestações e comícios.
Ao longo de sua carreira, Benito Barreto foi agraciado com medalhas, entre as quais, a Grande Medalha da Inconfidência Mineira, a Medalha de Honra do Museu da Inconfidência, Medalhas de Honra da Inconfidência Mineira, Ouro Preto, MG; comendas, como a Libertas et Civitas – Tiradentes, São João del Rei, Ritápolis, MG; e outros títulos e honrarias, tais como a Placa Candor Lucis Aeternae – 300 Anos da Cidade de Mariana, MG, a Placa do Instituto Cultural Newton Paiva Ferreira, BH, MG, a Moção Honrosa concedida pela Câmara Municipal de Dores de Guanhães, MG, entre outros.
Benito Barreto ocupou a cadeira nº 2 da AML, para a qual foi eleito em 19 de dezembro de 2013 e tomou posse em 11 de dezembro de 2014.
Faleceu em Belo Horizonte, em 17 de março de 2025.



