A convivência e a conversa sobre temas previamente escolhidos motivam a reflexão e o compartilhamento de ideias, sentimentos, preocupações, descobertas, projetos, realizações. Motiva também a criatividade e a escrita, que emerge para registrar todas essas experiências em forma de contos, crônicas, relatos e poemas, percorrendo os temas escolhidos. Assim acontecem os saraus de um grupo de mulheres em encontros mensais, em torno de mesas preparadas com esmero pela anfitriã do dia, mas providas pelo grupo de sarauzeiras. Esses encontros serão abordados no sarau “Mulheres em Conversa: Conviver e Escrever”, que acontece dia 22 de novembro na Academia Mineira de Letras.

O evento acontece no âmbito do Plano Anual de Manutenção AML, realizado mediante a Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Instituto Unimed-BH, por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores, e copatrocínio da CEMIG.

Flores e velas não podem faltar, toalhas e louça especialmente escolhidas, tudo para recepcionar a proximidade, os relatos e a leitura dos textos que cada uma leva ao sarau. Mensalmente chega um texto da África do Sul, onde mora Sônia Galastro, uma das integrantes e mentora do sarau. Muitas viagens, histórias de vida, muitos enfrentamentos e conquistas, visões de mundo e a compreensão dos fatos noticiados, tudo é compartilhado numa convivência sem restrições a idéias, entendimentos, crenças e descrenças, onde o mais importante são a liberdade de expressão e o respeito às diferenças, além da amizade que se consolida.

Na oportunidade será lançado o livro de poemas “Sobre Viver”, de Flávia Queiroz. “Este livro é fruto do Sarau. Quase todos os poemas abordam os temas escolhidos pelo grupo e foram escritos em resposta a esse desafio”, explica Flávia. O livro se divide em cinco momentos: Bordas, Vozes, Memórias, Ciladas e Sobre Viver. Na abertura de cada momento e na capa estão fotos de Adriana Queiroz. Tem prefácio de Antônio Sérgio Bueno e contracapa de Yeda Prates Bernis (Grupo Editorial Caravana).

 

Sobre as sarauzeiras:

Maria Nazareth Soares Fonseca é Doutora em Literatura Comparada pela UFMG. Professora Adjunta da UFMG (Aposentada em 1994). Professora Adjunta do Programa de Pós-graduação em Letras da PUC-Minas, período 1995 a 2018. Tem Especialização na França (Université de La Sorbonne Nouvelle). Pesquisadora do CNPq desde 2000 realiza, desde 1998, pesquisas sobre as literaturas africanas de língua portuguesa em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique. Coordena, desde 2010, o Grupo de Estudos Estéticas Diaspóricas (GEED), que congrega pesquisadores de vários estados do Brasil e de várias cidades de Minas Gerais. Autora de: Brasil Afro- Brasileiro (2000); Poéticas afro-brasileiras (2003); Literaturas Africanas de Língua Portuguesa: percursos da memória e outros trânsitos (2008), Mia Couto: espaços ficcionais (2008). África: dinâmicas culturais e literárias (2012); Literaturas Africanas de Língua Portuguesa: mobilidades e trânsitos diaspóricos (2015). Co-organizadora do volume 4 da coletânea Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica (2011), Coordenação geral de Eduardo Duarte.

Geyse Helena Costa tem uma trajetória de vida eclética e marcada pela versatilidade. Seu espírito livre a levou a cursar Administração de Empresas, Análise de Sistemas e Turismo, a atuar como gestora pública e privada, a desbravar a vida em outros países e, mais recentemente, a dedicar-se às terapias integrativas. As diferentes matizes e formas que constituem sua vivência seriam melhor descritas como um caleidoscópio, que, com cada rotação, revela um aspecto diferente de seu ser: a filha de uma conservadora família mineira interiorana; a mulher, amante e amada; a profissional dedicada; a mãe orgulhosa; a entusiasta das artes, da música, da dança e da literatura; a sagitariana, cheia de vida, compromissada com a liberdade e com a ética, em busca de conhecimento e de sua própria verdade.

Maizé Trindade nasceu em Governador Valadares, em 1949, filha de casal muito à frente do seu tempo na forma de viver e conviver, o que considera fundamental em sua visão de mundo, posturas e escolhas.  Fez licenciatura em Ciências Exatas na PUC-Minas, única alternativa possível na cidade interiorana onde vivia e mudou-se para Belo Horizonte em 1972,  tendo cursado Jornalismo também na PUC-Minas. A partir de 1977 conciliou a atuação na grande imprensa com a redação do jornal alternativo “Em Tempo”, de resistência à ditadura. Mais tarde, desejosa de fundamentação teórica, fez pós-graduação em “Temas Filosóficos”, na UFMG. Essa formação em áreas tão diversas – matemática, jornalismo e filosofia  – foi importante para desenvolver o raciocínio lógico, o bom texto e a capacidade de fazer perguntas. Em 2017, publicou “Travessia: fragmentos de um naufrágio”, escritos-memória de uma experiência pessoal. O título do livro foi transformado em ensaio fotográfico em 2019. Há um ano trabalha na pesquisa e escrita da biografia de um educador nordestino, paulofreiriano, que mora em Quixadá, no sertão central do Ceará.

Rosana Palhares Zschaber de Araújo nasceu em Belo Horizonte. Graduada em Terapia Ocupacional pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais; especialista em Terapia Ocupacional Psiquiátrica/Psicoterapia pelo CIES.TO/BH, sob a supervisão do Prof. Rui Chamone Jorge; especialista em Saúde Mental: família e comunidade pela PUC/Minas. Foi: Membro do Grupo de Estudos Profundos de Terapia Ocupacional GES.TO /BH (1992 a 2008); curadora do Museu de Imagens Livres/BH; Supervisora Clínica de Profissionais. Atuou na Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais- FHEMIG, onde exerceu a função de Terapeuta Ocupacional (1983 – 2010) e de Coordenadora de Estágios (2010 a 2018). Foi Presidente da Comissão de Ética deste Órgão. Atualmente soma à sua formação as Artes Plásticas, em especial a pintura a óleo e à aquarela, tendo como espaços de formação a Escola de Belas Artes EBA/UFMG, a Escola Guignard da UEMG e também o ateliê de aquarela da artista Júlia Bianchi. Cursou Procedência & Propriedade, Processo Criativo no Ateliê Mundo Novo Prof. Charles Watson, no Rio de Janeiro/RJ. Participou de exposições em Belo Horizonte/MG e Paraty/RJ. É espiritualista de formação Kardecista.

Sônia Galastro nasceu em Belo Horizonte, onde se formou em Serviço Social pela PUC – Minas. Seu interesse pela literatura a levou a cursar algumas cadeiras isoladas do curso de literatura oferecido pela UNISA (University of South Africa). Mudou-se para a África do Sul em 1992. Depois residiu no Zambia em duas ocasiões diferentes, em Angola e na República Democrática do Congo, mas sempre retornando à África do Sul. Voltou ao Brasil entre 2005 e 2008, trabalhando como professora de inglês. Hoje reside na África do Sul, onde participa de trabalhos voluntários relacionados à área social, de grupos literários, filosóficos e políticos.

Flávia Queiroz nasceu no Rio de Janeiro, onde fez a graduação em Sociologia e Política na PUC/RJ e especialização em Planejamento no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento (IBRADES). Ainda no Rio, na década de 60, participou do intenso movimento da música popular brasileira, de festivais da canção, do “Musicanossa”, no Teatro Santa Rosa, compondo sozinha ou em parcerias, escrevendo coluna diária em jornal carioca. Mudou-se para Belo Horizonte em 1972, onde fez especialização em Gestão Pública (FJP), passando a conciliar os trabalhos de socióloga e consultora organizacional, com a poesia e a música, tendo sido gestora na área da saúde pública. Publicou “Círculo de Giz” (Editora Vigília, 1983), e “Arrumar as Gavetas” (2012). Atualmente atua na gestão de projetos da Academia Mineira de Letras.

 

SERVIÇO:

Sarau “Mulheres em Conversa: Conviver e Escrever, com Nazareth Fonseca, Geyse Helena Costa, Maizé Trindade, Rosana Zschaber, Sônia Galastro e Flávia Queiroz

Lançamento do livro: “Sobre Viver”, de Flávia de Queiroz Lima

Data: 22 de novembro

Horário da palestra: 19h30

Local: Academia Mineira de Letras (rua da Bahia, 1.466, Lourdes – BH/MG).

Entrada gratuita

 

Instituto Unimed-BH

Associação sem fins lucrativos, o Instituto Unimed-BH, desde 2003, desenvolve projetos visando ampliar o acesso à cultura, estimular o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, valorizar espaços públicos e o meio ambiente. Ao longo de sua história, o Instituto destinou R$94 milhões ao setor cultural, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e da Lei Federal de Incentivo à Cultura, viabilizado pelo patrocínio de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores. No último ano mais de 1,4 milhão de pessoas foram alcançadas por meio de projetos de cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura. Saiba mais em www.institutounimedbh.com.br.